A gradual construção da autoestima e da autoconfiança

  • Keila Bis
  • FOTOGRAFIA: Priscilla Du Preez | Unsplash

Sentir-se mal consigo mesmo e viver se comparando com os outros pode indicar um conflito entre o que você gostaria de ser e as escolhas que tem feito. É importante construir autoestima e autoconfiança.

 

MarcelaseIgors estavam tristes e desanimados. Queriam muito ter um namoradoda, mas sempre se relacionavam com pessoas que ou não estavam disponíveis para um relacionamento ou já eram comprometidas. Dentro deleslas, morava uma crença que dizia: “Está vendo, deve ter alguma coisa de errado com você. A fulana e o ciclano, sim, são capazes de namorar uma pessoa legal, mas você, não.”

 

BetoseGabrielas não se sentiam bem com o próprio corpo. Desejavam fazer a mudança, mas não sustentavam por muito tempo a rotina de uma alimentação saudável e de se exercitar. Com isso, viviam se comparando com quem tinha o que não tinham, alimentando o complexo de inferioridade e a certeza de que não eram bonitos ou atraentes.

 

DaniloseCristianes sempre se sentiam excluídos. Fosse na convivência com os amigos e familiares, fosse com os colegas de trabalho ou nas situações corriqueiras do dia a dia. Com um comportamento antipático, chato, retraído e intolerante, acabavam por afastar ainda mais os outros. Em suas mentes pairava a certeza: “Não sou legal e nem interessante”.

 

EstelaseMateus queriam se tornar profissionais melhores, com mais qualificações para aproveitar as diversas áreas de suas profissões e ampliarem seus conhecimentos. Por um tempo, se envolviam em grupos de discussão, cursos, estudos e leituras diversos, contudo logo desistiam. Logo pensamentos acusatórios sentenciavam: “Você não é inteligente e capaz de saber tanto quanto o outro e de ter a capacidade de reflexão que aquele tem”.

 

Assim, dentro dessa caverna escura, fria e solitária residem os piores fantasmas que detonam a autoestima, o amor próprio e a autoconfiança. O que eles dizem parece uma profecia a que eleselaseuvocênós tivéssemos destinados a cumprir e nada pudéssemos fazer. 

Como se fosse uma verdade absoluta. Uma crença de que somos aquilo e pronto. Desse modo, acabamos por agir e fazer escolhas que nos colocam exatamente no lugar do rejeitado, do feio, do inadequado e burro e acreditamos que só existe esse jeito de ser e de se sentir.

Vitimizar-se e ficar refém desses fantasmas e crenças são algumas das mais amargas formas de viver e responder ao que nos acontece. Portanto, é imprescindível sair da cômoda – e dolorosa – posição passiva e implicar-se com o seu viver. Vai dar trabalho sair dessa caverna porque a mudança é lenta e gradual e por isso exige um cultivo constante e carinhoso de autoestima e autoconfiança.

Então, se você quer ter umuma companheirora, aprenda a fazer escolhas que condizem com isso – no caso, por exemplo, pessoas solteiras e prontas para um relacionamento. Quer ter um determinado tipo de corpo, aprenda a dizer não ao que não te convém. Se quer se sentir parte de uma rede de amigos, aprenda a ser mais simpático, tolerante, … – coisinhas básicas para mantermos uma boa relação com o outro. E, ainda, quer ser outro tipo de profissional, aproprie-se mais e mais e mais do seu trabalho.

O viver permite que a gente se transforme, já disse Guimarães Rosa, em O Grande Sertão Veredas: “Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão”.

 

Keila Bis é jornalista de bem-estar, terapeuta floral e psicanalista. Há alguns anos vem se dedicando a estar mais próxima do seu mundo interior. Além disso, escreve na primeira terça-feira de cada mês aqui no Portal. Para entrar em contato, mande seu e-mail para: [email protected]

 


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