Use as mãos para acessar o seu coração

  • Lu Gastal

Deixo a você um pedido: se quiser, se tiver tempo e vontade, permita-se testar um ponto básico de bordado, escrever uma carta para si mesmo, cultivar uma plantinha

 

Há quase 2 meses nossas sensações oscilam, principalmente, entre altos e baixos, entre o tudo e o nada, entre a vontade de sair e a necessidade de ficar, entre desejar um abraço apertado e se contentar com um olhar sincero via WhastApp. Ok, são tempos esquisitos e tá tudo bem – mesmo quando nada está bem -, afinal, vivemos esse mix de experiências que até poucas semanas desconhecíamos. O simples fator “limitação”, aliado ao medo de um vírus invisível, nos impôs novas regras e hábitos que, até então, poderiam parecer improváveis.

Impossível, em tempos de quarentena, não discorrer sobre hábitos de quarentena. Não é segredo, sou uma defensora de que o fazer a mão tem um poder quase mágico de equilibrar nossas emoções e, daqui, da minha distante quarentena, no interior de uma cidade pequena, acompanho pelas redes sociais a galera se atirando de corpo e alma em hábitos manuais. Confesso a você, ver o tricô, o crochê, a costura, a culinária e tantas outras manualidades equilibrando vidas em tempos de reclusão caseira, inegavelmente, me faz transbordar um amor no peito, como faíscas de uma fogueira em noite de festa junina. Juro pra você, fico felizona!

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Lembrei da primeira coluna que escrevi aqui na Vida Simples há menos de um ano, tempo de pressas e agendas lotadas, cujo título “Que tal uma pausa para o fazer manual?” se encaixa ao nosso atual cotidiano, escasso de rotina e abundante de incertezas.

“Vivemos uma verdadeira maratona com o calendário. Momentos guiados pelo imediatismo, pelas urgências. Em meio a esse ritmo frenético, uma fresta de pausa.

Vamos nos presentar

Mas, nessa costura de movimentos, há um caminho aliando o tecnológico com o manual, que traz calma, refresca a alma, aquele as boas memórias. Que tal retomar algum hábito feito a mão que fez parte da sua história? Esqueceu como colocar pontos na agulha de tricô? Não tem certeza se a receita do bolo de chocolate leva fermento? Chega de desculpas. A tecnologia está aí pra nos auxiliar nesses momentos. Há tutoriais de tudo e um pouco mais do que podemos imaginar.

Deixo a você um pedido: se quiser, se tiver tempo e vontade, permita-se usar as mãos para acessar seu próprio coração! Teste um ponto básico de bordado, escreva uma carta para si mesmo, cultive uma plantinha (nem que seja um grão de feijão no algodão úmido), experimente alguma receita em busca de um sabor esquecido na sua própria história.

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Aliás, vivemos tempos de abrir nossas gavetas e reviver frações de vontades escondidas dentro de nós mesmos, talvez esquecidas por timidez, falta de tempo ou qualquer outro motivo que absolutamente importa nesse momento. Tempos de se auto presentear com ações trazem calma e alimentam a alma.

Beijos meus!

 

Lu Gastal trocou o mundo das formalidades pelo das manualidades. Advogada por formação, artesã por convicção. É autora do livro “Relicário de afetos” e participa de palestras por todos os cantos. Desde que escolheu tecer seus sonhos e compartilhar suas ideias criativas, não parou mais de colorir o mundo ao seu redor. Seu Instagram é @lugastal.

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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