Um feliz olhar novo: de que modo você enxerga a vida?

  • Luana Fonseca

Ano novo, vida nova? Se quisermos fazer mudanças mais profundas e significativas em nossas vidas, precisamos mudar a forma como enxergamos as coisas.

 

Um dia, um amigo brasileiro que mora na mesma ilha que eu (na Tailândia), fez uma viagem para Koh Lipe. Lipe é uma ilha que fica no mar de Andaman, do lado oposto ao que moramos. Durante a travessia de balsa, ele tirou uma foto do céu e postou nas redes sociais. Onde eu só enxergava céu azul e nuvens brancas, Wagner marcou na imagem vários pontos onde ele via diferentes situações. “Sol de rachar e céu azul. Tempo parcialmente nublado. Tempestade de proporções bíblicas. Um vendaval de te derrubar da moto.”. Ele conseguia enxergar muito mais do que eu era capaz de notar no horizonte. Tudo isso porque seu doutorado em meteorologia lhe ofereceu novas lentes para contemplar a mesma cena que eu vi.

Esse simples post do meu amigo ficou gravado em minha memória. E sabe por quê? Porque ele me fez lembrar que cada um de nós vê o mundo à sua própria maneira. E não apenas por determinada pessoa ter mais conhecimento do que outra, como nesse caso do doutor Wagner e eu. Mas porque cada um, sente, escuta, percebe e atribui significado de maneira distinta. Isso não significa que a forma como uma pessoa enxerga as coisas é melhor ou pior que a da outra. É simplesmente diferente! Porém, muitas vezes, esquecemos disso e vivemos como se todos os demais enxergassem a vida da mesma maneira que nós.

Observador, ação e resultado

A maneira como enxergamos o mundo não é algo banal. Isso influencia diretamente na forma como nos relacionamos com os outros e com a vida. Ou seja, nossas ações são produto da nossa visão de mundo. E, quando não estamos satisfeitos com o resultado de nossas ações, em geral, tendemos a pensar em novas ações. Porém, se fizermos isso sem mudar o nosso olhar, o mais provável é que sigamos obtendo resultados da mesma natureza.

Por exemplo, depois de 10 anos trabalhando na mesma empresa, comecei a sentir uma grande insatisfação com o meu trabalho. Achava que o problema era esse, muito tempo na mesma empresa. Julgava que me faltava autonomia e espaço para novas ideias. Então, decidi mudar de emprego. E o que eu fiz? Mudei para uma outra empresa do mesmo segmento e continuei trabalhando na mesma área de atuação. Ou seja, escolhi uma nova ação buscando um outro resultado. Porém, o meu olhar para a minha vida e para essa questão profissional seguia sendo o mesmo. Assim, o resultado que eu obtive foi muito semelhante ao anterior. Em apenas 3 meses de trabalho na nova empresa, eu já me sentia absolutamente insatisfeita. Pedi demissão novamente. Mas, dessa vez, sem ter um caminho certo a seguir.

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Foi então que decidi mergulhar fundo em mim e revisitar a maneira como eu estava encarando minhas inquietações. Dediquei-me a um processo profundo de reflexão de propósito. Resgatei talentos esquecidos. Repensei meus valores. E compreendi que o que eu precisava fazer era uma mudança mais profunda. Precisava recomeçar profissionalmente e trilhar uma nova rota bem diferente da que havia seguido até então.

Voltei a estudar. Fiz uma nova pós-graduação em Pedagogia da Cooperação e uma formação internacional em Coaching Ontológico. Experimentei diversos caminhos distintos, desde aluna de teatro à professora de Yoga. E tudo isso serviu para ampliar minha maneira de enxergar a vida e minhas escolhas. A partir daí, novas ações se tornaram disponíveis para mim. Ações que antes eu nem sequer considerava, porque não as via.

Ano novo, novo olhar

Todos os dias temos a oportunidade de expandir o nosso olhar. Nós podemos revisitar nossas crenças, reavaliar nossos julgamentos e desafiar as interpretações que fazemos de determinados fatos em nossa vida. Aquelas que consideramos verdades absolutas, será mesmo que são?

Podemos questionar as histórias que contamos para nós mesmos e investigar um pouco mais fundo nossas motivações, escolhas e ações. E incluir olhares diferentes do nosso, ao invés de desconsiderá-los, precipitadamente, e fincarmos pé em uma posição irredutível. Pois há uma grande riqueza no fato de sermos observadores diferentes de uma mesma cena.

Existem pessoas que não estão atentas ou desconsideram as mensagens emitidas pelo nosso campo emocional, nosso corpo e nossa alma. E isso limita a possibilidade de observar o mundo de uma maneira mais ampla e mais rica. Esses domínios de aprendizagem são tão valiosos quanto a informação, pois possibilitam sentirmos a vida de outras maneiras. Quando nos permitimos enxergar o mundo incluindo esses outros saberes, nossa capacidade de atuação se expande, nossa visão de mundo se amplia.

Um convite para 2022

Que tal aproveitarmos esse momento de final de ano para refletirmos sobre como temos observado a vida?

Que “lentes” você tem usado com mais frequência? Será que tem enxergado com otimismo, esperança e gratidão? Ou o seu olhar está muito mais focado no negativo, no que falta e naquilo que não está bom? A sua maneira de ver as coisas abre possibilidades na sua vida ou te limita? Você costuma encarar as situações do cotidiano e olhar para as outras pessoas de um jeito flexível ou rígido? Gostaria de enxergar a vida com outros olhos? Quais?

Desejo que essas perguntas lhe ajudem a descobrir um pouco mais sobre si. Que possa reconhecer o observador de mundo que está sendo nesse momento. E que, a partir daí, seja capaz de fazer as mudanças que julgar necessárias para alcançar os resultados que deseja ter na vida. Feliz novo olhar!

 

LEIA TODOS OS TEXTOS DE LUANA FONSECA.


LUANA FONSECA mora em uma ilha na Tailândia, faz atendimentos terapêuticos à distância e é autora do livro “Pode ser melhor” (Bambual Editora). Tudo isso só foi possível depois de mudar o seu olhar para a vida.

*Os textos de colunistas não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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