Aprenda a se acalmar

  • Keila Bis

Em tempos de coronavírus, entenda o que acontece com a sua mente e como ela funciona para poder colocar ordem na sua casa interna

 

 

Elas e eles se viam invadidos por fortes vontades de se divertir, de passear, de ver os amigos, de ir ao bar tomar uma cerveja, de sair para dançar. Algo que não os deixava relaxar porque esses pedidos vinham muito forte de dentro de si mesmos.

Eles e elas recebiam ordens constantes, do seu interior, de lavar corretamente as mãos, de não tocar de forma alguma os olhos, a boca, o nariz e de pensar e revisar inúmeras vezes por dia se tinham alimento, material de limpeza e de higiene pessoal suficientes para as próximas semanas.

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Elas e eles olhavam nas redes sociais, nos noticiários da TV e da rádio, nos jornais, as notícias sobre o coronavírus. Davam de cara com a realidade e ela era séria e, muitas vezes, assustadora.

Eles e elas estavam exaustos e perdidos. Dentro de si aflorava todos os tipos de pensamentos. Vontade de sair e se divertir. Mas também de se cuidar corretamente e não sair de casa de forma alguma. E, do lado de fora, davam de cara com o real, com um vírus invisível que vem tirando a vida de muita gente.

Onde está o nosso eu?

Viver não é fácil, por vários motivos. Do ponto de vista emocional, um desses motivos é porque temos instâncias psíquicas diferentes, que pedem coisas diferentes e que constantemente entram em conflito. Sabe quando você tem vontade de fazer algo que sabe que não vai te fazer bem, mas mesmo assim faz porque tem dentro de você uma voz que não para de pedir para você fazer aquilo? Por outro lado, sabe aquele seu lado que te julga, que te recrimina, que aponta seus erros, que diz que você não pode fazer tal coisa porque aquilo não é correto ou é moralmente incorreto ou que não é socialmente aceito? E ainda tem a vida realmente acontecendo, as coisas que de fato existem, como é o caso do coronavírus, que está aí matando muita gente e quem não se cuidar, vai se dar mal sendo contaminado e passando para outras pessoas.

Espremido entre essas instâncias psíquicas e a realidade, está o nosso eu. Ele fica no meio desse bombardeio de pedidos diferentes. De um lado, satisfação imediata dos desejos, mesmo que não vá nos fazer bem. Do outro, autopunição por ter agido errado e pedidos de perfeccionismo. E o olhar para fora lidando com o que de fato existe e está acontecendo. Coitado desse eu, sua tarefa não é fácil.

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Esse conflito é o que faz, por exemplo, as pessoas ficarem em dúvida sobre qual decisão tomar (o lado que diz que não podemos errar), de ficarem irritadas porque não puderem atender a uma grande vontade (o lado que exige que todas as suas vontades sejam atendidas), de carregarem culpas por anos a fio e de repetirem comportamentos que só fazem mal.

Saber lidar é o caminho

Uma das melhores coisas que podemos fazer por nós mesmos é conhecer nossas instâncias psíquicas e saber lidar com elas com bastante jogo de cintura e humor. E importantíssimo: aprender a viver na realidade e assumir responsabilidades. Por exemplo, no caso do coronavírus. Uma pessoa pode ficar nervosa, de mau humor porque precisou mudar radicalmente sua rotina e está sendo privada de muitas coisas que gostava de curtir na rua e com outras pessoas. Pode também se sentir oprimida, ansiosa porque agora tem que se cuidar com o máximo de perfeição para não ficar doente. E precisa estar a par das notícias para saber o que está acontecendo e se as medidas de precaução mudaram.

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Isso que pode ser enlouquecedor, deixando a mente muito acelerada e causando sentimentos e emoções diferentes, pode ter uma saída saudável. Você não vai poder sair e se divertir na rua, então, use sua criatividade para aprender a se divertir em casa, tomar sua cervejinha em casa, falar com os amigos pela câmera do whatsapp ou pelo Skype. Cuide-se ficando a par dos cuidados que precisa ter para não ser contaminado e não contaminar. Mas, sem excessos. Tenha a responsabilidade que precisa ter e pronto, já está bom. Assim, você atende o seu lado que quer se divertir, o seu lado que te pede responsabilidade e se mantém atento aos fatos. Perceba que você encontra uma solução que te faz bem, que não te coloca em risco e que não te causa ansiedade.

Cuide do seu eu

Fazendo isso, você deixa o seu eu saudável, criativo, livre, forte, você se organiza, não fica perdido no meio dessas instâncias psíquicas e não enlouquece de pânico com o real. Com prazer, com aquela boa medida de responsabilidade de quem está desperto na vida e que não nega a realidade.

 

Keila Bis é jornalista de bem-estar, terapeuta floral e psicanalista. Há alguns anos vem se dedicando a estar mais próxima do seu mundo interior. Além disso, escreve na primeira terça-feira de cada mês aqui no Portal. Para entrar em contato, mande seu e-mail para: [email protected]

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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