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    Viajar sozinho faz parte do seu roteiro?
    (Fotos: Julia Custódio/Acervo pessoal) Viajar sozinho pode ser uma jornada de autoconhecimento
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    Enquanto planejava a minha primeira viagem sozinha, senti que havia algo errado. Isso aconteceu nas primeiras semanas de intercâmbio na Itália, em agosto de 2024. Estava em Milão para estudar, mas, enquanto as aulas não começavam, eu não conhecia ninguém por lá. Se quisesse viajar teria que ir sozinha ou que esperar até fazer novas amizades. Mas, o pensamento de esperar por alguém me incomodou ainda mais.

    Concluí que se não fizesse aquela viagem perderia um tempo precioso (e o calor, principalmente) e, talvez, no futuro eu não teria a mesma oportunidade novamente. No entanto, como dar o primeiro passo para viajar sozinho?

    Estar sozinho não é ser solitário

    Fernanda Marcucci é coordenadora do curso de Pedagogia na UNG (Universidade Guarulhos), apaixonada por viajar, e entende esse receio que as pessoas sentem por viajarem sozinhas. A insegurança, o medo da solidão e a crença de que só faz sentido ter certas experiências na companhia de outras pessoas atrapalham na hora de dar o primeiro passo.

    “Há também o fator cultural, porque somos ensinados a fazer tudo em grupo, especialmente em momentos de lazer, como viagens. Dessa forma, muita gente acaba adiando seus sonhos esperando por companhia, que às vezes nunca vem”, diz.

    Também não significa estar só durante todo o tempo. São nesses momentos que ficamos mais abertos a coisas e amizades novas. “Estar sozinho desperta a curiosidade do outro e, por isso, é comum fazer novas amizades, iniciar conversas inesperadas e criar conexões que talvez não surgissem se estivesse acompanhado”, explica Fernanda. 

    Mas, apesar da insegurança no primeiro momento, viajar sozinho não significa que você está solitário. Na verdade é uma oportunidade para o autoconhecimento. Segundo ela, “estar sozinho em um lugar novo te convida a olhar para dentro de si, entender e atender os seus próprios desejos, descobrir seus limites e sentir novas coisas”. A sua própria companhia pode ser leve, prazerosa e cheia de descobertas.

    Este é o Lago de Como, destino da primeira viagem que fiz sozinha. Foi um bate e volta que me ajudou a ganhar mais segurança para outras experiências

    Total liberdade

    Além do autoconhecimento, viajar sozinho também tem outros aspectos positivos. Primeiro, há total liberdade para escolher o que quer fazer e quando fazer. Tudo em um ritmo determinado por você. O destino, a data, o itinerário, os restaurantes, nada disso dependerá de um acordo com os demais viajantes. “Você não precisa negociar preferências com ninguém, pois tudo gira em torno do que faz sentido para você.”

    Essa experiência também fortalece muito a autoconfiança. Afinal, cada decisão e conquista mostra o quanto você é capaz de fazer as coisas sozinho. Não é uma tarefa simples navegar pelo transporte público de um lugar desconhecido, por exemplo, mas fazê-lo é um grande feito de adaptação.

    Por fim, os aprendizados. É preciso se preparar para lidar com imprevistos (problemas com malas, mudanças de planos, atrasos) e tomar decisões sozinho. Não são tarefas fáceis. Mas, com o tempo, tudo isso vira uma bagagem para vida.

    Era finalzinho de verão, não tinha um ventilador no quarto e morria de calor o tempo todo. Por isso minha ideia inicial foi visitar o Lago de Como, na região da Lombardia, um destino famoso pelas paisagens românticas e atmosfera de “viagem para a família toda”.

    O bate e volta a Como foi um sucesso. Tudo aconteceu no meu ritmo de turista agitada, que quer ver tudo. Para o almoço escolhi a pizza que o preço melhor cabia no meu bolso, andei muito pelos vilarejos e tive tempo até para dar um mergulho. Não sei se faria as mesmas coisas se tivesse na companhia de outra pessoa.

    Claro, no primeiro momento foi estranho ver os casais, as famílias e os amigos todos juntos, e eu sozinha. Mas logo esse sentimento passou. A viagem foi um grande momento de autorreflexão, pude entender melhor o que eu gosto e o que não gosto, o que poderia mudar para as próximas vezes. E, de fato, houve outras vezes: passeios mais perto, por Milão, e outros mais longos, como Roma e Nápoles.

    Esse é um pedacinho de Nápoles, onde já me sentia confiante para fazer uma viagem um pouco mais longa

    Planeje a sua viagem

    Para quem tem interesse, é importante começar de forma gradual. “Tente escolher um destino mais próximo ou que já conheça, pois isso pode ajudar bastante nesse primeiro passo”, orienta a professora. Além disso:

    • Planejamento: separe as atrações que quer conhecer, como vai fazer para chegar lá, se precisa de hospedagem, etc. Mas lembre-se de manter a flexibilidade, “uma vez que parte da beleza de viajar sozinho está na liberdade de mudar de ideia sem ter que justificar nada a ninguém”;
    • Certifique a sua segurança: avise pessoas próximas sobre a sua aventura, assim eles saberão onde você está se algo acontecer. Pesquise sobre a segurança do seu destino, se a sua hospedagem é confiável, se os bairros por onde passará são tranquilos;
    • Faça pesquisas: “mergulhe sobre a cultura local, os costumes, o transporte e a segurança. Isso te dá mais tranquilidade e autonomia”;
    • Respeite a sua introspecção: é legal levar um livro, um diário, músicas ou podcasts para os momentos mais introspectivos. Eles também fazem parte da jornada;
    • Confie na sua intuição: “se algo parecer bom, abrace. Se parecer estranho, respeite esse sentimento. Acima de tudo, aproveite, pois viajar sozinho é um presente que você se dá. É um ato de liberdade, de escuta e de reencontro consigo mesmo.”

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