Faça o bem, faça o certo! A importância de ser bom

  • Margot Cardoso
  • FOTOGRAFIA: Caleb Jones | Unsplash
  • DATA: 01/04/2019

Todos os dias somos confrontados com escolhas. Começamos o dia decidindo a que horas levantar, o que vestir, o que comer. São escolhas simples, de nível um ­— dizem respeito apenas a nós mesmos. No nível dois estão as decisões complexas, onde talvez precisaremos da ajuda de outra pessoa. “Devo aceitar a nova proposta de trabalho?” ou  “Faço essa viagem?” são questões onde a opinião do outro é muito bem-vinda. E, inevitável, chegamos ao três: o nível dos grandes dilemas da vida, das tragédias gregas… Você está num enorme embate interno, precisa tomar uma decisão, executar a ação e, para agravar, precisa ainda considerar, incluir, lidar… com o outro. Aqui acontece exatamente o oposto do nível anterior: o outro não é bem-vindo. Aliás, você gostaria que o outro não existisse (você sabe do que eu estou falando). E para aumentar ainda mais a complexidade, entra em cena interrogações como “o que é ser bom?”, “o que é o bem?”,  “o que é o certo?”. Um labirinto de difícil saída.

O entrave começa logo pela definição do conceito de bem. Na filosofia não existe um consenso, mas para escolher um caminho, apresento a minha favorita: “o bem é tudo aquilo que não é o mal”. Parece uma não resposta, um truque para fugir do assunto. Não é. A definição de algo através do seu contrário, vem do seguinte pensamento: o mal não possui uma natureza negativa, mas a perda do bem recebe o nome de mal. Isto é:  há ações praticadas pelo homem que o aproximam e outras que o afastam do bem.

Confuso? Vamos à prática. Diante de determinado objetivo, você implementou duas ou três ações para alcançá-lo. E agora você pergunta para Nicolau Maquiavel (filósofo, poeta, músico e autor da imortal obra O Princípe) fiz o certo?

– Depende. Alcançou o seu objetivo? Pergunta Maquiavel.

– Sim.

– Então, você agiu certo.

– Mas, Maquiavel, o senhor não quer saber o que fiz para alcançar os meus objetivos?

Maquiavel diz que não e reafirma que se você alcançou os seus objetivos, você agiu certo. “Os fins justificam os meios” (sim. Maquiavel é o autor desse conceito). Pode parecer chocante, mas as ideias de Maquiavel estão em plena vigência; principalmente na política e no mundo corporativo. Por acaso o seu chefe pergunta o que você fez para conseguir bater a meta do mês?

Se você fizer a mesma pergunta para o pensador inglês John Stuart Mills, ele irá questionar sobre o número de pessoas que foram favorecidas pela sua decisão. Para Mills, um utilitarista, a ação correta é aquela que beneficia o maior número de pessoas. Constrangido, você confessa que só houve um único beneficiado: você mesmo. Sir Mills é categórico: “então você agiu mal, não fez o certo”. Emanuel Kant, outro gigante do pensamento ocidental, ouve a conversa e questiona as suas razões. Para Kant, o motivo da ação é o que determina se ela é boa ou má. Exemplo: alguém entra apressado em sua loja, paga com uma nota grande e você tem em vista a possibilidade de errar no troco (para menos). Entretanto, você dá o troco certo. Você agiu bem? Depende. Kant perguntará: você deu o troco certo porque teve medo do cliente perceber ou porque acredita que é o seu dever dar o troco corretamente? (Agora imagine quantos males já foram feitos em nome do dever!)

O que é possível extrair dessas teorias é que, dependendo da nossa atitude, poderemos estar mais perto ou mais longe de sermos bons. É claro que temos uma inclinação para o bem porque sabemos que bondade desencadeia mais bondade, faz bons ambientes, minimiza os conflitos, traz leveza. E o oposto, a maldade, desencadeia mais maldade. Mas apesar dessa ciência, falhamos no “agir bem”. Às vezes, somos travados pelos nossos estados de espírito ­—­ o estressado, o irascível ou o deprimido dificilmente conseguirá agir com bondade. Outras vezes, falta mesmo “vontade política” para controlar a nossa agressividade. Sacudimos os ombros para os estragos, julgamos que o outro merece, queremos mesmo é botar para quebrar, soltar as nossas feras. Mas, grande parte das vezes não sabemos mesmo como agir bem, não sabemos qual é a decisão certa.

Quando os dilemas surgirem, e você, leitor da Vida Simples, questionar sobre a atitude certa para caminhar em direção ao bem. Esqueça todas as teorias e lance mão de uma receita infalível: o amor na prática. Essa é a melhor recomendação para o caminho do bem. Hoje amamos pouco e “poucos” e, na pós-modernidade, a tendência é amar cada vez menos. Amamos os filhos, os pais, o cônjuge (e nem sempre), irmãos, três ou quatro amigos… Antes de decidir, questione-se: como eu agiria se amasse essa pessoa? O que o seu coração responder, essa será a melhor atitude.  Ame! E se não for possível amar, aja como aqueles que amam.

 

 

COMENTÁRIOS

  • Vera

    Maravilhoso artigo com uma resolução simples e infalível para esses dilemas que nos espreitam na vida! Obrigada!

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  • Luiz Carlos Roque

    A impressão que tenho, ou melhor à minha opinião é de que se faz o bem ou o que é bom esperando receber reconhecimento ou pelo medo ter se ter um mau reconhecimento, meio estranho sei, mas é como se não pecássemos não por simplesmente ser o errado e sim pelo medo de ser castigado; gostaria muito que as pessoas entendessem a importância de ser bom simplesmente por ser o correto, sem nessessariamente ser reconhecido pelo ato; mas acredito muito que caminhamos, muito devagar, é verdade para uma sociedade melhor nesse sentido.

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