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Fique em casa
CDC (Unsplash)
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A pandemia do coronavírus também pode nos ensinar sobre humanidade e novos jeitos de lidar com os desafios.

Eles são muito pequenos. Menores do que nossa imaginação consegue alcançar, e muito, muito menores do que nossos olhos podem ver. E são muito velhos: já estavam na Terra há bilhões de anos, antes do primeiro primata dar seus passos com o corpo ereto. Sem falar que existem aos montões. Na verdade, são os seres mais numerosos em nosso planeta, e estão por toda parte: no fundo do mar, nas florestas, em nossas casas.

Além disso, são muito simples, despojados, quase insuficientes. São formados por uma membrana delicada, e lá dentro só tem uma molécula de ácido nucleico. Essa é a grande “sacada” desses indivíduos. Eles só carregam o que interessa: o código genético. O resto, tomam emprestado das células que vão encontrando pelo caminho, que podem ser as nossas. Às vezes, nosso corpo não gosta dessa invasão e fica doente.

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Nathan Dumlao (Unsplash)

Você já se deu conta de que eu estou falando dos vírus, claro. Na verdade, nossa relação com os vírus — e também com as bactérias — é, em geral, pacífica. Eles levam sua vida por aí, e nós levamos a nossa. Só que às vezes surge um atrito qualquer. E isso se deve porque os vírus têm uma mania irritante: eles mudam. E nós não acompanhamos tal mudança com a mesma velocidade. O que teríamos que fazer é produzir um mecanismo de defesa, que chamamos de imunidade. E até fazemos isso, só que leva um tempinho – em alguns casos, o estrago já está feito.

Vírus por aí

Esse tal coronavírus, na verdade, está por aqui faz tempo. E, quando entra em nosso corpo, através do nariz e da boca, infecta as células do nosso sistema respiratório, e a gente tem resfriado, gripe, coisas que, em geral, costumam passar depois de alguns dias, só que esses dias parecem intermináveis, por causa do mal-estar. Lembro de um professor que dizia que, quando a gente trata a gripe, ela dura uma semana. Se não tratar, vai durar sete dias. É claro que a gente trata, mas só com os tais remédios sintomáticos,   que   não   servem para curar, só para aliviar os sintomas, como a febre e a dor. E essa gripe nova que está aí, e que virou assunto único nos últimos tempos? É mais forte? Precisa de tratamento? Acredita-se que vai ser fraquinha na maioria das pessoas. Pode ser mais forte naqueles que têm as defesas enfraquecidas, o que acontece nos mais velhos e nos que estão tendo, ao mesmo tempo, outra doença. É o que chamamos de comorbidades.

O problema desse bichinho (que não é bichinho, fique claro…) é que ele é muito novo, fez a tal da mutação muito rápido, e ainda não criamos a imunidade. Vamos criar, mas vai levar um tempo. Depois, será apenas mais um vírus para a coleção que já nos cerca e incomoda de vez em quando. Até lá, o que dá para fazer é tentar evitar, porque ele tem uma segunda mania: se propaga muito rápido, passando de uma pessoa para outra por meio da respiração, dos espirros e, principalmente, das mãos. Pois é. As sagradas mãos — com as quais fazemos comida, escrevemos poesias, criamos ferramentas, lavamos os cabelos e fazemos carinho — acabam funcionando como os principais transmissores dos vírus.

Cumprimentos

Então, o negócio é o seguinte: lavar as mãos o tempo todo, e cumprimentar as pessoas do jeito oriental, budista, o namastê, que significa, em sânscrito, “eu saúdo você”, ou “eu me curvo perante você”. As mãos justapostas, palma sobre palma, em um gesto que lembra uma oração, é de uma beleza incrível. E só passa paz. Nunca um vírus…

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IStock

Tem gente que prefere bater os cotovelos ou os calcanhares. Eu, pessoalmente, acho o namastê mais bonito. Mas, o que importa mesmo, é diminuir os contatos físicos por um tempo. Ficar guardadinho em casa. Para nós, um povo afetuoso, isso poderá ser mais difícil, mas a gente se acostuma. Os médicos estão chamando isso de “isolamento social”. E dizem que é a única medida eficaz neste momento. Que a última coisa que se deve fazer é ir para o hospital, só quando os sintomas forem fortes e resistentes. Senão, o sistema de saúde entra em colapso, e não vai poder atender as pessoas que realmente precisam, inclusive pepelas doenças corriqueiras, aquelas que já existiam antes desse vírus.

Faz sentido, não é mesmo? Já que não dá para evitar a pandemia, evitemos o pandemônio. Porque ela vai passar. E se a gente souber aproveitar, tudo será melhor depois. As pessoas terão mais consciência, haverá mais higiene, mais respeito. Pelo menos eu penso assim. As crises, de todas as naturezas, têm sempre esse lado positivo, de melhorar os comportamentos, um jeito mais profundo de pensar, novas possibilidades. Até lá, vamos ficando em casa, e aproveitando para limpar o jardim, as gavetas e os pensamentos. Ouvi, de um jornalista português, uma reflexão interessante: “A nossos avós, pediram que fossem para a guerra. A nós, estão pedindo que fiquemos em casa”.

Que tal embarcar nessa batalha de bom humor, apesar dos pesares?


Eugênio Mussak também é médico e, como todas as pessoas que fazem a Vida simples, está trabalhando de casa. @eugeniomussak.

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