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Onde é o lugar da mulher no mercado de trabalho?
Artes: Carolina Vellei
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A pesquisa Global Gender Report 2021 mostrou que, com o aprofundamento das desigualdades sociais pós-pandemia, espera-se que a paridade de gênero no mundo inteiro só seja conquistada em 135,6 anos, uma estimativa menos otimista se comparada aos 99,5 anos esperados há um tempo.

E há previsões mais pessimistas: em 2023, a Organização das Nações Unidas (ONU) estimou que serão necessários 300 anos para o mundo atingir a igualdade de gênero. Começar este texto com dados tão alarmantes pode parecer desmotivador, mas é preciso encarar a realidade para conseguir mudar esse cenário.

Vida Simples decidiu se aprofundar em questões importantes para alcançarmos melhores condições para a parcela feminina da população. Também vamos trazer a história de vida de mulheres no mercado de trabalho que desafiaram as estatísticas e que hoje abrem caminhos para que outras profissionais também ocupem lugares de destaque nas empresas e em seus negócios.

O cenário brasileiro das mulheres no mercado de trabalho

O Brasil tem ainda mais desafios para alcançar essa realidade das mulheres no mercado de trabalho, inclusive em cargos políticos. O levantamento, que é feito pelo Fórum Econômico Mundial (FMI), colocou o país em 93° lugar no ranking mundial e na posição 25° dos 26 participantes na América Latina. Para se ter uma ideia, apenas 91 dos 513 deputados do país são mulheres. No Senado, são apenas 15 mulheres entre todos os 81 senadores. No mercado de trabalho, de acordo com o relatório Women in Business 2022, 38% dos cargos de liderança no país são comandados pelo público feminino, um número ainda distante do ideal.

O fato é que as empresas continuam muito masculinas, pensadas por homens e para homens. Quanto mais mulheres em posições de liderança e mais mulheres ocupando seus espaços no mundo, mais exemplos teremos da atualização possível nas culturas organizacionais”, explica Ju De Mari, mentora de carreira para mulheres e especialista em liderança feminina. 

Ela lembra que os avanços, apesar de significativos, vêm ocorrendo de forma lenta, especialmente por causa do machismo e da cultura de exclusão das mulheres no mercado de trabalho. Isso porque, historicamente, o lugar do cuidado da casa, da criação dos filhos e de tarefas domésticas foi relegado a esse grupo e, quando as primeiras mulheres começaram a trabalhar, ainda assim os empregos eram de babás, faxineiras e empregadas domésticas, cargos até hoje ocupados majoritariamente por mulheres negras.

Uma forma de lidar com essas questões é buscar se conhecer, entender quem você é no mundo, quais são suas limitações, planos, desejos e o seu propósito de vida. “O autoconhecimento é isso, saber nossas limitações e fragilidades. Quando a gente passa a compartilhar isso de forma genuína, sem julgamento, onde a mulher é acolhida nesse espaço, onde a gente garante afeto para ela, temos um poder de transformação maior”, sintetiza Beatriz Maluf, mentora e consultora focada em mulheres. 

Rompendo as barreiras do machismo

Com a organização das mulheres, as lutas feministas na Europa, Estados Unidos e Brasil, mulheres de todo o mundo passaram a reivindicar o direito ao trabalho e às atividades fundamentais para o exercício da cidadania.

Hoje, coletivos organizados, especialistas em diversidade e as mudanças no mercado de trabalho para as mulheres vêm contribuindo para desmistificar algumas crenças, como a de que elas não têm perfil de liderança, são menos capazes emocionalmente de lidar com problemas complexos ou que não são ideais para trabalhar em cargos de gestão.

Eu passei por várias situações que eu achei normal. Isso está tão enraizado em nós que, às vezes, nem percebemos”, conta Beatriz Maluf. Depois de anos, ela largou o trabalho no mundo corporativo e hoje trabalha como consultora financeira focada em mulheres.

Beatriz conta que algumas atitudes, como assumir um tom e perfil mais masculino para se impor dentro das empresas ou a pressão social que existe no cuidado com os filhos e a casa ainda são fatores limitantes. Sem um trabalho coletivo ou uma rede de apoio para as crianças, muitas funções da parentalidade acabam recaindo apenas sobre as mães.

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Redes de apoio e a participação masculina

A busca por um mundo com maior paridade de gênero, igualdade social e respeito às diferenças exige um caminho árduo.

Envolve não só a organização e reivindicações das mulheres, mas também o apoio e engajamento dos homens.

“Isso inclui ouvir as mulheres e suas demandas para que políticas e práticas de gestão possam ser ajustadas ou criadas de acordo com a realidade da diversidade. Não dá pra incluir sem ouvir de verdade“, explica Ju De Mari.

Ela lembra que muitas profissionais acabam desistindo de almejar cargos mais importantes pela incompatibilidade de conciliar diversas tarefas do cotidiano que se acumulam e geram uma sobrecarga mental. “Isso precisa ser considerado para que haja mais flexibilidade na jornada, por exemplo”, destaca a especialista. 

Outro ponto, destacado por Beatriz Maluf, é a própria falta de confiança em se sentir capaz de dar novos passos na vida profissional ou financeira. “Essas mulheres se sentem incapacitadas porque não têm conhecimento. Elas têm a renda, disponibilidade para pensar e cuidar de um futuro, mas se sentem incapazes”, enfatiza.

Na outra ponta, há um número considerável de mulheres que não conseguem ingressar no mercado de trabalho, seja porque são mães e não têm uma rede de apoio disponível ou moram em regiões periféricas distantes das empresas. Por causa disso, passam a ser invisibilizadas nos processos seletivos e, no pior dos cenários, acabam vivendo situações semelhantes durante anos.

Assim, ter espaços para compartilhar dores, conquistas, perdas, angústias e alegrias é fundamental para trazer mais segurança e um apoio coletivo em diferentes cenários. Às vezes, algumas situações são vivenciadas por diversas mulheres e poder conversar e encontrar apoio são ferramentas importantes.

Ter rede de apoio é fundamental para que as mulheres possam encontrar formas de lidar com as diferentes demandas de cada um de seus papéis. A rede de apoio oferece suporte emocional e prático e inclui amigos, familiares e mentores também“, explica Ju De Mari. 

Mulheres na construção de um novo mundo

Para lembrar a luta das mulheres por direitos, igualdade e paridade de gênero no Brasil, a Vida Simples reuniu a trajetória de cinco mulheres, de diferentes contextos, no país.

Aqui, você vai conhecer perfis inspiradores de profissionais importantes para as suas áreas que ajudaram a romper antigos dogmas do machismo e fomentaram ecossistemas que apoiam a diversidade e a igualdade dentro das suas empresas.

O autoconhecimento na busca do propósito profissional

Luciana Pianaro é CEO da Vida Simples e leitora desde sua primeira edição. Formada em Administração, sempre carregou consigo o ímpeto do empreendedorismo e decidiu sair do cargo estável que ocupava para empreender com seu companheiro, Eugenio Mussak.

“Na época, eu quis sair da empresa porque não estava mais fazendo sentido para mim. Eu questionava se era aquela empresa, mas no fundo mesmo, questionava meus talentos e o que queria seguir”, conta. Hoje, ela vive seu propósito gerenciando a Vida Simples, um negócio formado majoritariamente por mulheres, e incentivando a diversidade e a inclusão nas mensagens que o veículo produz. 

Luciana Pianaro

O cuidado com a saúde mental das mulheres

Ana Tomazelli tomou a decisão de sair do mundo corporativo, onde trabalhava com Gestão de Pessoas, e realizou uma transição de carreira para o terceiro setor. Fundou o Ipefem (Instituto de Pesquisas & Estudos do Feminino), uma ONG destinada ao acolhimento e trabalho na área de saúde mental, e concluiu sua formação em psicanálise depois de ter passado por um burnout.

Para mim, não bastava apenas ser consciente das desigualdades. Eu sentia que precisava fazer algo concreto, articular ações em prol da igualdade de gênero e da saúde mental nesse âmbito”, conta

Ana Tomazelli

Incentivo à candidatura e à valorização da profissional

Ser mulher e estar no mercado de trabalho é saber que haverá muitas barreiras pelo caminho. Jhenyffer Coutinho, empresária e administradora, decidiu que não gostaria de ver outras mulheres passando por situações pelas quais enfrentou. Assim, surgiu a Se Candidate, Mulher!, uma startup de impacto social que tem o objetivo de conectar mulheres a empresas no Brasil.

As mulheres tendem a se candidatar menos às vagas, a tentar menos cargos de liderança, e eu não sou diferente dessas mulheres, eu era exatamente assim“, explica Jhenyffer.

Jhenyffer Coutinho

Diversidade e inclusão reais para além do discurso

Precisamos também falar em mulheres negras, periféricas, LGBTQIAP+ e PcDs no mercado de trabalho, como lembra Sônia Lesse, fundadora da LS Transformare. Nascida e criada em Embu das Artes, a consultora em diversidade e coach de negócios sempre precisou batalhar para se destacar em sua profissão.

Chegou um momento em que eu estava ensinando às pessoas o trabalho delas, e elas se tornaram lideranças, mas eu não“, lembra Sônia. 

Sônia Lesse

A criação de um ambiente favorável para as mulheres

Karla Felmanas pisou no chão de fábrica para trabalhar pela primeira vez aos 16 anos. Hoje, vice-presidente do Grupo Cimed, lidera a empresa fundada pelo pai e integra todo o time em atividades que promovem a inclusão e a igualdade de gênero, que já estão em 40% nos cargos de liderança das empresas.

“Quantas e quantas reuniões eu participei em que só tinham homens?”, lembra a empresária, que não admite episódios de misoginia na empresa.

Karla Felmanas

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