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Especialista em criatividade fala de caminhos para a verdade
Artista e professor, Murilo Gun é apaixonado tanto pelos mecanismos de uma mente criativa quanto pelos mistérios do universo sutil
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Já reparou como, algumas vezes, criamos diversos personagens den­tro da nossa própria vida? Aconte­ce. Ao longo do caminho, podemos usar nossa criatividade para inventar muitas versões de nós pe­los mais variados motivos: para ser­mos aceitos, para nos encaixar em algum padrão, para pertencer a al­gum grupo, por exemplo.

Ou pelo simples fato de não conseguir sustentar, sozinhos, a nossa própria verdade. Aquela que só o nosso coração conhece.

E, no lugar de nos ajudar, esses perso­nagens desapontam os caminhos e deixam a nossa vida cada vez mais confusa, complexa, perdida.

Colo­camos máscaras, ativamos nossos mecanismos de defesa e deixamos de ser gente de verdade, nos distan­ciando da essência da nossa alma, que é responsável por deixar a nos­sa vida mais simples.

Por isso, neste espaço, eu vou sempre te convidar a se olhar com verdade e a se reco­nectar com o que mais te importa, com o que mais toca o coração.

E, para tal, não virei sozinha: esta­rei acompanhada de alguém que é “Gente de Verdade”, para inspirar nosso caminho de reencontro e nos ajudar a refletir sobre o que é ter autenticidade em nosso viver.

Para estrear, falamos sobre criatividade e seus ensinamentos

Nesta primeira conversa da série “Gente de Verdade”, quem vem comi­go é o Murilo Gun, palestrante, pro­fessor de criatividade e atento quan­do o assunto é inovação, mudanças, reinvenção e autoconhecimento.

A seguir, ele partilha ensinamentos valiosos que angariou em sua jorna­da de despertar. O Murilo fiel à sua essência precisou se perder para se encontrar. E isso pede coragem.

“A realidade é movimento, e movimento é mudança. Navegar por ela é navegar pela vida, com um olhar também de inocência, de curiosidade para o que a vida tem para mim”

EM QUE MOMENTO VOCÊ SE DES­CONECTOU DA SUA VERDADE?

Quando criei uma empresa de cur­sos online de criatividade. Fazia parte da minha verdade dar aulas de criatividade e levar esses estu­dos para as pessoas. Mas, em certo momento, entrei num personagem do empreendedor de alta escalabi­lidade. E foi nessa hora que eu saí da minha simples verdade de ado­rar dar aulas e entrei em um per­sonagem do empresário de educa­ção. Faz parte ser esse empresário. O problema foi quando ele come­çou a querer ocupar mais espaço do que o artista e professor.

COMO VOCÊ PERCEBEU DE FATO ESSA DESCONEXÃO?

Quando veio um grito da alma que, no meu caso, se manifestou em an­siedade, reclamação, álcool, cigar­ro. Tudo em excesso. E a insatisfa­ção também. Levando ao estopim de, um dia, chegar em casa do escritório vomitando e tremendo de frio. Minha filha pequena viu toda essa cena. Então, esse foi um mo­mento em que eu olhei e entendi que realmente tinha me perdido.

ENTÃO, COMEÇOU A VIRADA?

Busquei ajuda para que a empresa pudesse funcionar comigo apenas no papel de professor. Passamos por uma grande transformação, mas, mesmo assim, eu sentia que não era mais isso que minha alma pedia, eu sentia que ela precisava de um movimento de esvaziamen­to para poder nascer algo novo que eu nem sabia o que era. Aí eu decidi fechar a empresa, pas­sei um ano nesse processo. Foi quando começou a brotar em mim a vontade de voltar aos palcos, e veio o chamado da música.

E COMO FOI ESSE PROCESSO?

Eu comecei um espetáculo mu­sical, só que aí veio a pandemia paralisando tudo. Mas, a essa al­tura, eu já tinha me centralizado, já tinha saído do barulho que eu mesmo criei para mim e já estava numa paz e num recomeço. Com o online crescendo, recebi um con­vite para retomar os cursos. Foi a primeira vez em que eu tomei uma decisão pelo sentir, que foi voltar com a empresa, mas abrindo tudo de graça. Isso me trouxe uma sen­sação de liberação, de que agora, sim, eu tinha fechado o ciclo.

O QUE VOCÊ FAZ HOJE PARA NÃO SE DESCONECTAR DE SI NOVAMENTE?

Eu me mantenho vigilante, atento para não me desconectar da mi­nha verdade. Para mim, o conceito de egrégora funciona muito, que é viver junto com um grupo de pessoas em uma sintonia pareci­da, um grupo que se autovigia e serve de espelho para tentar mi­nimizar a chance de eu me perder novamente. O poder de um grupo que ancora o espaço para você ser você, isso é muito importante. Além do modo auto-observador, sempre atento para os sinais do corpo e os gritos da alma.

mente criativa; criatividade

SER SIMPLES É…

Ser simples é seguir o sentir. Por exemplo: eu gostava muito de usar chinelo durante as minhas pales­tras. E aí as pessoas criavam um monte de teorias, uma história mui­to mais complexa do que a verdade, que era só uma e muito simples: eu gostava de usar chinelo. Pronto. Então é isso, vida simples é fazer o que se sente, sem cair nas histórias das pessoas que talvez não estejam fazendo o que sentem, mas seguem ali apontando o dedo para você.

QUAL É A SUA VISÃO DAS MUDAN­ÇAS E COMO LIDA COM ELAS?

A mudança é a natureza da realidade. Tudo está em movimento, está tudo girando numa loucura, uma doidice. A realidade é movi­mento, e movimento é mudança. Tem aquele pensamento clássico de Heráclito, que diz: “você não pode se banhar no mesmo rio duas vezes”, porque a água flui e troca em segundos. Então a mudança é a natureza. Navegar nas mudanças é navegar pela vida, com um olhar também de inocência, de curiosi­dade para o que a vida tem para mim. A mudança é a realidade. Es­tranho é não saber mudar.

O QUE É SER GENTE DE VERDADE?

Eu gosto muito de dizer que ser mais verdadeiro economiza ener­gia. Quando não somos verdadei­ros com nós mesmos e com os outros, nos desgastamos geren­ciando as várias versões de nós que criamos. E aí falta disposição para ser quem realmente somos. Nesse sentido, dá muito mais re­torno ser você mesmo. Mas, para ser quem a gente é, precisamos dar um salto de fé. Porque talvez você esteja tanto tempo não sen­do você que vai precisar descobrir quem se é e se atirar para chegar em você outra vez. E, a partir daí, seguir mais alinhado. Essa alma que habita aqui, por exemplo, bus­ca explorar o desconhecido.

Sobre o Gente de Verdade

GENTE DE VERDADE é um movimento que apoia caminhos de autoaceitação e incentiva a reconexão interior e o encontro com nossa verdade por meio da simplicidade. As entrevistas deste espaço têm o objetivo de inspirar cada um de nós a nos reconhecer e nos autoconhecer no mundo. @gente.deverdade

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JACQUELINE PEREIRA tem fé no ser humano. Idealizadora do projeto Gente de Verdade, ela também é especialista em pessoas, terapeuta holística, palestrante e condutora de imersões espirituais.


Conteúdo publicado originalmente na Edição 268 da Vida Simples

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