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Por que nos sentimos mais desanimados no frio?
Foto: Gargonia
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O frio chega e, com ele, o desânimo. Quando as temperaturas diminuem, é comum que a vontade de sair de baixo das cobertas também diminua. Mas é preciso se atentar aos sintomas e perceber quando cansaço vira algo mais grave.

Em climas mais gelados, a falta de ânimo pode virar um caso clínico. E, quando o frio está afetando a nossa saúde mental, é fundamental observar os sintomas para evitar um possível caso de depressão sazonal. Isso porque no inverno existem diversos fatores que podem impactar o nosso emocional.

Falta de luz solar afeta a nossa saúde mental

A época de temperaturas mais baixas pode afetar nossa saúde mental de várias maneiras, segundo Sabrina Amaral, psicóloga especialista em neurociência do comportamento. “Isso ocorre principalmente devido à diminuição da exposição à luz solar, crucial na regulação dos ritmos circadianos e na produção de neurotransmissores, como a serotonina, que afetam diretamente nosso humor e bem-estar”, explica a especialista.

De acordo com Sabrina, durante os meses de inverno, os dias mais curtos e a diminuição de luz solar podem desregular esses neurotransmissores, levando a alterações no humor, energia e padrões de sono.

“Em lugares mais gelados, como no hemisfério norte, onde os invernos são ainda mais longos e escuros, há um aumento dos índices de depressão sazonal”, exemplifica a psicóloga.

Principais fatores que levam ao desânimo no frio

Além da diminuição de contato com a luz solar, o nosso padrão de vida pode mudar durante os meses mais gelados. O frio também impacta nossa motivação para sair e socializar. Afinal, quando está muito frio lá fora, tendemos a preferir ficar em ambientes quentes e fechados.

Como consequência, podemos nos isolar socialmente. “Dessa forma, acontece um círculo vicioso. Quanto menos saímos, menos temos vontade de sair e socializar, aumentando ainda mais os sentimentos de desânimo e cansaço”, aponta Sabrina.

Ao ficar por um período prolongado dentro de casa, acabamos nos movimentando menos e passando mais tempo em lugares fechados. “Por conta disso, começamos a ter sentimentos desconfortáveis como tédio, apatia, ansiedade e estresse, que trazem agravamentos para nossa saúde mental”, explica a especialista.

Também sentimos mais cansaço e vontade de “hibernar”

Sentir mais sono no frio também é comum. A especialista completa que o frio leva nosso corpo a gastar mais energia para se manter aquecido. Dessa forma, atividades que podem parecer simples, como sair ou se mover ao ar livre, acabam exigindo um maior esforço físico.

Para Rejane Sbrissa, psicóloga cognitivo-comportamental, os dias mais curtos do inverno são outro fator determinante para o cansaço. “No inverno, clareia mais tarde e escurece mais cedo. Isso causa a liberação de melatonina, conhecida como hormônio do ‘sono’, por um tempo maior”, aponta a profissional.

Esse hormônio nos faz querer dormir por mais tempo, além de trazer mais preguiça. “É como se quiséssemos hibernar”, complementa a terapeuta.

Quando vira um caso clínico: a depressão sazonal

A depressão sazonal é um tipo específico de depressão, relacionada às estações do ano e às mudanças de padrões de luz e clima. “Ela é classificada como um subtipo de Transtorno Depressivo Maior (depressão clínica) no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a principal referência para o diagnóstico de condições mentais”, explica Sabrina.

Segundo a especialista, este tipo de depressão é caracterizada por um padrão sazonal consistente de episódios depressivos recorrentes, que ocorrem geralmente durante os meses de outono e inverno, com diminuição dos sintomas na primavera e no verão.

“Os sinais incluem sentimentos de tristeza persistente, falta de energia, dificuldade de concentração, alterações no sono e no apetite, além de perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas”, aponta a profissional.

Além do frio, fatores genéticos e hormonais também podem desempenhar um papel na predisposição para a depressão sazonal. Dessa forma, pessoas que têm histórico familiar de depressão podem ter maior risco de desenvolver esse transtorno mental.

Dicas práticas para manter o ânimo no frio

Visto que é comum um aumento de desânimo em estações mais geladas, alguns cuidados podem ser tomados para melhorar a saúde emocional. Sabrina traz algumas sugestões que podem ajudar a se manter ativo mesmo no frio:

Praticar atividades físicas regularmente

mesmo dentro de casa, atividades físicas são essenciais. Exercícios como caminhadas rápidas, yoga, pilates ou qualquer forma de movimento que você goste podem ser benéficos para combater o cansaço e a falta de motivação.

Alimentação saudável

foque em nutrientes com vitaminas B12 e D. Elas podem ajudar a manter os níveis de energia e a melhorar o humor.

Rotina de sono

manter um horário regular de sono é essencial para equilibrar o ritmo circadiano. Tente manter um ambiente de sono confortável e relaxante, evitando estimulantes como cafeína antes de dormir.

Interação social

apesar do frio, é importante manter conexões sociais. Encontrar amigos e participar de grupos ou atividades comunitárias, pode fornecer suporte emocional e reduzir sentimentos de isolamento, que são comuns durante o inverno.

Hobbies e passatempos

manter-se ativo em atividades prazerosas e trazem alegria são importantes, principalmente nesses momentos. Procure adaptar algumas atividades para o inverno.

Técnicas de relaxamento

meditação, respiração profunda, ou até mesmo hobbies que promovam o relaxamento, como pintura, jardinagem ou leitura, podem ajudar a aliviar o estresse e promover uma sensação de bem-estar.

Terapia de luz

a terapia de luz é uma técnica eficaz para tratar a depressão sazonal. Expor-se regularmente à luz intensa e artificial pode ajudar a compensar a falta de luz solar durante os meses de inverno, melhorando o humor e os níveis de energia. É recomendável usar uma caixa de luz especialmente projetada para esse fim, seguindo orientações específicas de uso.

Buscar ajuda profissional

se os sentimentos de cansaço, desânimo ou tristeza persistirem, ou interferirem significativamente em sua vida diária, é importante buscar ajuda de um profissional de saúde mental.

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