Precisamos falar sobre dinheiro

  • TEXTO Gisela Garcia
  • FOTOGRAFIA Mufid Majnun | Unsplash
  • DATA: 21/09/2021

Conteúdo patrocinado pelo Sicredi

Não é de hoje que o dinheiro é assunto proibido para a maioria das pessoas, mas é justamente por ser considerado tabu que ele acaba virando um problema na vida de muita gente.

Era um sábado quente, como quase todos os sábados em Vitória (ES).  Logo depois do almoço, eu e meu pai, animados, falávamos amenidades e bebíamos uma cerveja bem gelada. Esse é um ritual nosso, uma coisa que gostamos de fazer juntos. Meu pai, um professor aposentado muito bem-humorado e inteligente, sempre conversou comigo sobre qualquer assunto. Até que, de repente, me perguntou quanto ganhava por mês. Lembro perfeitamente da expressão no rosto dele, era uma mistura de constrangimento e curiosidade.

Na minha casa da infância nunca se falou sobre dinheiro. E creio que por isso, nunca tenha aprendido muito bem a lidar com minhas finanças. Acredito também que, por esse mesmo motivo, minha reação diante da pergunta tenha sido meio descabida, confesso. Para meu pai era apenas um número. Para mim, era como se o valor contido na minha resposta significasse que tinha “dado certo na vida”. Ele se orgulharia de mim e de si mesmo, ou amargaria um fracasso.

Claro que, para meu pai, a medida do meu ‘sucesso’ não está no quanto tenho na conta – ainda bem, mas essa pergunta ficou reverberando na minha cabeça e me fez pensar muito na maneira como me relaciono com o meu dinheiro. E, obviamente, cheguei à conclusão de que não é uma relação saudável.

Verdade seja dita, ninguém gosta de falar sobre dinheiro. Não é de hoje que esse assunto é tabu para a maioria das pessoas. E, infelizmente, não querer conversar sobre dinheiro não faz as preocupações financeiras desaparecerem. Pelo contrário. Se você tem boletos para pagar, sabe do que estou falando. E se você ainda não os tem, é bom que aprenda desde já a desmistificar o assunto pois eles tardam, mas não falham. Finalmente, entendi que já passou da hora de mudar isso.

dinheiro

Talvez você fale sobre dinheiro, mas não do jeito que deveria

Se você, assim como eu, às vezes finge que não verificar o saldo bancário faz com que as contas milagrosamente deixem de existir, preciso lhe informar: temos, urgentemente, que olhar para essa questão com a generosidade e o equilíbrio necessários.

Tentei ir mais a fundo nesse tema. Por que perguntar a alguém o quanto ela ganha é quase a mesma coisa que questionar o seu valor pessoal? É normal falarmos sobre as coisas que compramos, onde estudamos ou com o que trabalhamos. E para por aí. Nós ficamos, então, na superficialidade do tema. Para entender porque tratamos isso como um tabu, fui conversar com Rogério de Lorenzo Leal, gerente de Comunicação e Marketing do Sicredi.

O Sicredi é uma instituição financeira cooperativa que está comprometida com a vida financeira dos associados e da comunidade onde está inserido. Diferente dos bancos convencionais, em que os acionistas são os donos e os únicos a lucrar, no Sicredi, por ser uma cooperativa, o correntista é um associado da instituição e portanto o controle da mesma está nas mãos de cada um, seja ele uma pessoa — como eu e você — ou uma empresa. Isso torna possível ao Sicredi oferecer os melhores produtos bancários do mercado, porém com taxas justas e um atendimento mais humano e próximo. De dono para dono.

Rogério me explicou que a forma como lidamos com o dinheiro é histórica. “Sociedades católicas latinas, como a nossa, encaravam o dinheiro como pecado, como algo negativo. Prosperar é malvisto nessa visão de mundo. Foi isso que todos nós aprendemos desde cedo, mas precisamos quebrar esse ciclo”, diz. Ao ouvi-lo, as coisas começaram a fazer sentido, assim como a maneira envergonhada como me comportei diante de uma simples curiosidade do meu pai. Ele conta, ainda, que o dinheiro tem uma variedade de significados psicológicos: pode estar ligado ao sucesso ou ao fracasso de alguém, pode ser uma ferramenta de aceitação social, segurança, amor ou liberdade.  E é esse o motivo para ninguém querer tratar abertamente sobre esse tema. Afinal, quem gosta de se sentir julgado?

Mas porque temos que falar disso?

Pode ser delicado e desconfortável, mas, vamos lá, coragem! Somente falando sobre dinheiro é que vamos aprender verdadeiramente a lidar com ele. E esse aprendizado pode fazer toda a diferença na sua vida.

Não se trata de banalizar o assunto, mas de naturalizar. E, assim, segundo Rogério, fazer com que o dinheiro deixe de ser um tema proibido. “Para muitos de nós, consciente ou inconscientemente, o dinheiro compra mais que coisas materiais ou serviços. Ele compra liberdade, felicidade, amor, respeito, amizades, autoestima, beleza, poder. Ou, pelo menos, a sensação de tudo isso. Dinheiro é uma recompensa”, revela. E quando nos falta esse recurso todas estas crenças e valores se acentuam. “Ficar sem dinheiro é fracassar”, finaliza.

Rogério diz que muita gente não entende a importância de ter uma relação benéfica com suas finanças. E não é só colocar tudo em uma planilha de entradas e saídas. “É essencial ter um plano, controlar os gastos, poupar uma parte do que se ganha e não se enrolar em dívidas. Mas isso tudo começa tratando o assunto de maneira clara e aberta, sem receio”, fala.

Então, vamos abrir o jogo?

O ideal é que haja transparência para se lidar com o tema, e que isso seja abordado com frequência, não só em situações extremas. Deixe o constrangimento de lado e abra o jogo. Que tal reunir a família e perguntar para cada um quais são as dúvidas relacionadas a dinheiro? Exponha também as suas próprias questões.  

É a partir daí, quando entendemos o real significado do dinheiro, que percebemos que ele pode deixar de ser um fardo para se tornar uma ferramenta de realizar sonhos. Quando mudamos nossa relação com o dinheiro, nos damos conta que é possível pensar no futuro enquanto aproveitamos o presente. “Dinheiro tem que ser bom. Não é para ser algo pesado”, comenta Rogério.

Falar sobre dinheiro e seus significados é um caminho sem volta. Sem dúvida esse é um tema muito rico e amplo. São vários os aspectos e abordagens. Vá em frente, mas vá com gentileza e generosidade. O primeiro passo pode ser incômodo, mas garanto que vai ficar mais fácil durante a caminhada.


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