O valor da nossa verdadeira missão

  • Beto Pandiani
  • FOTOGRAFIA: S Migaj | Unsplash

Ao mergulharmos neste plano, nos esquecemos do nosso propósito individual e coletivo. Esquecemos a nossa verdadeira missão.

Três amigos decidiram abrir uma pizzaria. Durante a idealização da nova empreitada eles debateram qual seria o diferencial da pizza. A seguir, chegaram à conclusão de que deveriam fazer algo nunca tentado. Assim nasceu a ideia da pizza do amor. Todo o processo desta ideia deveria ser amoroso. Assim, os ingredientes seriam orgânicos, os fornecedores deveriam ser pequenos produtores que teriam práticas honestas, e assim por diante. Os atendentes do restaurante seriam treinados para atender com um sorriso no rosto. Dessa forma, o cliente ficaria mais que satisfeito, e quem sabe se inspirassem a devolver aquela felicidade contagiante da pizzaria do amor.

Pois bem, eles inauguraram o negócio, e como imaginaram a pizzaria foi um sucesso. Em poucos anos, eles tinham uma enorme rede de pizzarias e milhões de clientes felizes. De alguma forma eles conseguiram materializar o amor em forma física.

O desafio foi amplamente alcançado. Até que um deles teve uma ideia e propôs: “Por que não abrimos a nossa pizzaria na China?” Este seria um desafio imenso, pois a China era para eles mais distante que a Lua. E, sobre aquele lugar, nada sabiam. Uma região com uma cultura tão diferente e desconhecida que deixava dúvidas sobre o êxito da ideia.

Hábitos da China

Porém, para esses seres criadores nada era impossível. E aceitaram o desafio. Para isso, escolheram um dos sócios para antes ir viver na China e entender como funcionava aquele país. Assim que ele compreendesse o modo de vida, hábitos e gostos eles implantariam o conceito inovador da pizza do amor.

No primeiro mês na China, ele não entendeu nada sobre o novo país. Decidiu se matricular em uma escola para aprender o idioma. E, assim, foi adquirindo ferramentas para poder se comunicar com as pessoas daquele lugar. Seis meses depois começou a entender melhor aquela sociedade. Por fim,  ele se correspondia com os sócios através de cartas enviando notícias sobre seus aprendizados. Era parte do plano primeiro aprender sobre o lugar para depois implantar aquele conceito amoroso. Um desafio imenso, mas que fazia muito sentido para eles. Pois assim eles espalhariam o amor em formas de pizza para milhões de pessoas.

O amor ainda

Passado um ano este sócio conheceu uma moça e se apaixonou. Foi ótimo ele começar um relacionamento afetivo com uma chinesa, desta forma se integrou totalmente na cultura chinesa. Depois de algum tempo, eles decidiram se casar. Após  um ano casado ele já dominava a língua. Começou a formar uma família e, à medida que suas raízes se aprofundavam, as cartas começaram a deixar de ser enviadas.

missão

Crédito: Luca Bravo | Unsplash

Agora com a sua nova família ele simplesmente se esqueceu do seu propósito inicial e interrompeu definitivamente a sua ligação com aqueles que o ajudaram ir para lá. As cartas pararam de serem enviadas. Agora ele se sentia um chinês. Falava a língua, tinha uma família, criou vínculos. E isso o fez mergulhar no esquecimento, criando a separação entre seus amigos, e o propósito de implantar o amor em terras distantes. Lá ele se incorporou a uma sociedade de gente que também tinha seus projetos e viveu uma vida desconectada do princípio original.

Esta é a nossa história basicamente. Ela ilustra, de forma bem simples e resumida, o que nos aconteceu. Ao mergulharmos neste plano, nos esquecemos do nosso propósito individual e coletivo, e acreditamos que somos humanos, deixando de perceber que ao criarmos essa ilusão criamos separação com a nossa origem. Esta separação é a origem de todo o mal-entendido, pois o nosso desafio era fazer exatamente o contrário do que temos feito.

Plano inicial

Ancorar o amor no plano físico deveria ser o nosso norte, mas nos perdemos no caminho. Entretanto,  agora o nosso desafio é voltar a estabelecer a conexão para voltarmos a nos corresponder com aqueles que confiaram a nossa missão. Eles anseiam por nossas cartas, pois eles nunca se esqueceram. E tão pouco desistiram de acreditar que um dia nós iremos recordar da nossa verdadeira missão.

Quando sentir uma solidão profunda, tente se conectar e se lembrar de que não está só. A solidão se deu quando você decidiu ir morar longe de você.

O que é solidão para mim? Quando a vida me ofereceu uma oportunidade de escolha diante de um conflito e eu optei por ser reativo, e não amoroso. Por fim,  isso me levou para um lugar deserto. Sempre que fui reativo, senti a tristeza tomar conta de mim e isso me empurrou para o abismo da solidão. Senti-me na solidão quando me abandonei, quando não fui fiel ao meu coração, quando escolhi o caminho menos amoroso. Quando tomei a decisão do ego. Enfim, a SOLIDÃO aconteceu quando fui morar longe de mim.

SOLIDÃO É UM LUGAR QUE NOS FAZ SENTIR SAUDADES DE QUEM SOMOS!


BETO PANDIANI  é velejador, palestrante e escritor. Velejou da Antártica à Groenlândia, cruzou dois oceanos (Pacífico e Atlântico), sempre em pequenos veleiros sem cabine. Tem sete livros publicados.

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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