Mundo interno e mundo externo

  • Keila Bis
  • FOTOGRAFIA: Kinga Cichewicz | Unsplash

Tem uma hora que é preciso olhar para dentro para ganhar mais conhecimento de si mesmo. Só assim desabrocha um jeito de viver adequado com o que realmente faz sentido para você

Ele ainda não tinha percebido. Percebido que vivemos em dois mundos. No mundo de fora, com toda a sua riqueza de atividades e experiências, e no mundo de dentro. Na verdade, não é que ela não tivesse se dado conta do mundo interno. O que não sabia era como lidar com as emoções e sentimentos que traziam mal-estar.

Lá de dentro, do fundo do peito e, muitas vezes, do corpo todinho, brotava um desconforto que dava vontade de fugir. E era isso que ele fazia, se refugiando na televisão, na comida, nas compras, nas mídias sociais, … Afinal, ninguém nunca tinha apresentado verdadeiramente esse mundo para ela.

O que ele mais conhecia era o exterior. A família, a escola e a sociedade tinham dito como ela deveria se comportar, se exercitar, a postar fotos legais no Instagram, a ir bem na escola, a falar pelo menos duas línguas, a ter um bom rendimento profissional, a ser magro e sarado, … Por isso, bom mesmo era quando ele se sentia feliz, em paz, satisfeito, orgulhoso como quando recebia muitas curtidas no Facebook ou quando era elogiado pelos pais, amigos, professores, chefe, …

E as pessoas, euvocêeleselasnós, vamos vivendo. E o mundo de fora falando cada vez mais alto as suas regras: viaje, compre, aproveite, seja feliz, engole esse choro, bota um sorriso nesse rosto, viva intensamente, seja positivo, vai pra balada pra esquecer, a fila anda, … Mas o mundo de dentro reivindicava atenção e sempre dava um jeito de aparecer – fosse num dia mais calmo quando os Rafaéis e Julianas não tinham nada para fazer, fosse após o término de uma relação ou quando elaseles ficavam doentes. E  até mesmo quando tudo parecia correr bem na vida de fora, mas tinha algo que saía lá de dentro em forma de angústia, medo, solidão, vazio, rejeição, inferioridade, vergonha, tristeza, raiva, desamparo …

Como as Camilas e os Leonardos não sabiam lidar com aquilo, resolveram, um dia, pedir ajuda. Encontraram pessoas que aconselhavam: “Insônia? Toma esse remédio e vai ficar tudo bem”. “Falta de ânimo? Toma esse”. Por outro lado, houve quem dissesse: “Você já pensou em fazer terapia?”; “Vamos conversar, vai te fazer bem colocar para fora o que está sentindo”; “Você já leu esta revista que fala sobre autoconhecimento? Pode te ajudar, todos nós passamos por isso”.

Pausa.

O contato com o mundo de dentro provoca grandes mudanças na forma como nos vemos, sentimos e experienciamos a vida. Adquire-se, entre outras coisas, mais auto responsabilidade, maior discernimento sobre o que nos faz bem ou não e um apreço pela própria companhia.

A partir de agora, vou deixar todos os meses nesta coluna uma pequena contribuição do meu conhecimento sobre o assunto. O objetivo é ajudá-lalo a mergulhar e aprender a nadar no seu rico universo interior para poder, assim, ter uma vida que faz sentido para você.

 

Keila Bis é jornalista de bem-estar, terapeuta floral e psicanalista. Há alguns anos vem se dedicando a estar mais próxima do seu mundo interior. Escreve na primeira terça-feira de cada mês aqui no Portal. Para entrar em contato, mande seu e-mail para: [email protected]

 

 

 

 

 

 


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