A influência do sexo na saúde mental e emocional

  • Keila Bis

Entenda os motivos de uma vida sexual saudável ser de extrema importância para não adoecer psiquicamente

 

Eles e elas sempre ficam envergonhados quando as amigas e os amigos falam sobre suas experiências sexuais. Com eles, são capazes de conversar com total intimidade sobre tudo, menos sobre sexo.

Elas e eles namoram há anos, se gostam e se dão muito bem. Mas tem uma coisinha que está faltando resolver: nos momentos de intimidade, tudo é morno, morno, morno porque são incapazes de dizer para seus parceiros e/ou parceiras suas fantasias eróticas.

Eles e elas fingem orgasmos. Na hora do sexo, falta coragem para se comunicar com o parceiro ou a parceira e explicar onde sentem prazer.

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Elas e eles nunca se masturbam. Por algum motivo que desconhecem, não ficam à vontade consigo mesmos para conhecer o próprio corpo.

Esses são alguns exemplos que revelam a repressão sexual de milhares de pessoas, homens e mulheres, desde jovens até os adultos das mais variadas idades. Engana-se quem pensa que isso é coisa do passado, quando as mulheres eram castradas sexualmente. Ainda hoje, em pleno século 21, existe um forte julgamento com relação ao prazer sexual.

No que se refere à saúde mental, essa repressão causa inúmeros danos psíquicos e físicos, como: rituais obsessivos (limpar, organizar o tempo todo), fobias, sintomas (angústia, ansiedade), dores e doenças psicossomáticas (dor de cabeça, garganta inflamada, manchas na pele, fibromialgia), sentimentos de inferioridade (o sexo traz uma força, uma potência maravilhosa que nos torna mais autoconfiantes), timidez, entre outras.

O seu comportamento

Somente por essas razões, vale muito a pena olhar com carinho e atenção para a própria sexualidade e como é que você se sente e se comporta quando este assunto está em questão. Reflita sobre a educação sexual que recebeu ou não recebeu, como era ou é a sexualidade na sua família. Vocês falavam sobre o assunto ou não? Você cresceu num meio machista? O que a sua religião ou doutrina espiritual ou filosófica fala sobre o tema? O que você escutou sobre sexo na sua pré-adolescência? Você tem ou fica à vontade com suas fantasias sexuais? Você se encaixa em um ou mais dos exemplos citados no começo desta coluna?

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Veja que não há nenhum problema com o sexo, mas é provável que você encontre dentro de si uma instância psíquica que recrimina a sua sexualidade, tentando minimizar a energia que o seu corpo produz. Perceba que o seu corpo sente desejo, atração, mas vem um pensamento punitivo e quer acabar com tudo isso. Aí ele te castiga, gerando culpa, mal-estar, conflito, ansiedade, medo de ser punido, sentimento de inadequação. Tudo isso só porque você sentiu desejos.

Investigue

O corpo que vibra de prazer tem sido no decorrer da história motivo de perseguição e ataque. Está na hora de dar um chega pra lá nessa autocensura e começar a ficar à vontade com o seu corpo, a se sentir bem porque ele está vivo. Quanta vida e alegria existem em você! Dê as boas-vindas, comemore essa força. Não se separe da sua natureza sexual, porque senão, cria-se uma divisão.

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Se alguém já te julgou ou te julga ou você está se julgando porque tem pensamentos eróticos, porque sente prazer de determinada forma ou por qualquer motivo que envolve um julgamento recriminatório com relação ao sexo, essa pessoa ou você está, de alguma forma, adoecido. É importante descobrir os motivos. Se você sente que é muito difícil se sentir à vontade com o sexo, uma terapia pode ajudar a descobrir os traumas, abusos, experiências vividas, cenas que viu ou ouviu, e que acabam por interferir hoje no seu prazer sexual.

 

Keila Bis é jornalista de bem-estar, terapeuta floral e psicanalista. Há alguns anos vem se dedicando a estar mais próxima do seu mundo interior. Além disso, escreve na primeira terça-feira de cada mês aqui no Portal. Para entrar em contato, mande seu e-mail para: [email protected]yahoo.com.br

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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