Dançar e se conhecer

  • TEXTO Sibele Oliveira
  • FOTOGRAFIA jacoblund | iStock
  • DATA: 13/08/2019

Movimentos criativos nos ajudam a vencer limitações e a descobrir novos talentos e possibilidades

A dança sempre me encantou, pois tenho a sensação de que cada combinação de passos e melodia me leva a um lugar novo. Recentemente descobri que dançar significa muito mais do que uma expressão de liberdade ou uma forma de se alegrar. Pode ser a chave para abrirmos o nosso mundo de dentro, onde mora quem somos e ficam adormecidos potenciais desconhecidos.

Dançaterapia

O objetivo da dançaterapia, prática criada pela bailarina e educadora argentina María Fux, é criar caminhos para acessarmos tudo isso a partir de movimentos livres e criativos, estimulados por uma música. Assim, resolvi participar de um encontro de dançaterapia na Universidade Internacional da Paz, em São Paulo. A dançaterapeuta Thais Alves me explicou que não há restrições para participar das vivências, como idade, sexo, biótipo, limites físicos ou psíquicos.

Até porque cada um segue o seu próprio ritmo, sem precisar se preocupar com técnica, estética, habilidade, cobranças ou julgamentos. “A proposta na dança terapêutica é reconstruir o contato com o nosso ser e ampliar essa sensação de estar na vida”, afirma.

Movimentar-se

Thais colocou uma música desconhecida e nos orientou a desenhar formas e contornos com as mãos, pés e todo o corpo, observando e interagindo com os elementos presentes na sala. Primeiro deitados e depois em pé. Demorei um pouco para iniciar o meu processo de escuta interior porque a minha mente insistia em relembrar os acontecimentos do dia. Quando deixei as interferências racionais de lado, percebi que o meu corpo passou a se movimentar espontaneamente. Isso me deu mais confiança para deixá-lo no comando.

Na última parte, Thais pediu que nos dividíssemos em duplas ou trios. Então, começamos a nos apresentar uns aos outros sem palavras, apenas com olhares e movimentos. Observei o respeito que havia em relação à maneira como cada um se colocava. Ninguém ali estava sendo avaliado.

Estávamos todos leves e unidos em busca da nossa essência, do que existe de mais saudável e verdadeiro em nós. Relaxei e passei a arriscar um pouco mais, como uma criança que não tem receio de errar. Refleti o quanto ficamos presos, no dia a dia, apenas à comunicação verbal e deixamos o nosso corpo em segundo plano. Porque aprendi que ele tem mais a nos dizer do que a gente imagina.

 


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