Um bebê prematuro e um beija-flor

  • TEXTO Luiza Domingues
  • FOTOGRAFIA James Wainscoat (Unsplash)
  • DATA: 31/05/2021

A psicóloga Luiza Domingues conta sobre o medo e a incerteza, o amor e a esperança de ter um bebê prematuro… E  também do inusitado alento de um beija-flor.

Antes de contar o que aconteceu preciso contextualizar. Há 6 meses, meu filho Benjamin nascia prematuramente, 33 semanas, para sua própria segurança. Foram 37 dias de internação na UTI Neonatal até a tão sonhada ida para casa. Durante os dias de internação, uma dor profunda tomou conta do meu ser. Foram dias de incerteza, tristeza, medo. Mas também de amor e esperança. No hospital, diante da incubadora do meu filho, eu trazia imagens para minha mente, para fortalecer nossa alta. Digo nossa, pois eu estava ali, o dia todo, em função dele. Minhas imagens não contemplavam viagens paradisíacas ou festas enormes. A imagem que eu criava era bem simples: eu, com meu filho no colo, no sofá da sala da minha casa, no silêncio e no acalento. Essa era minha imagem. Conseguia até sentir ali no meu corpo, a sensação de estarmos juntos no calor do nosso lar.

Nas mais de 150 idas e vindas do hospital, eu colocava um mantra para tocar no carro que me serviu de guia para essa experiência. O mantra trazia a figura do Beija-Flor como força divina. Ouvi, cantei, chorei e me emocionei diversas vezes. Com muitas bênçãos, Benjamin recebeu alta sem nenhuma complicação. Finalmente saímos do hospital.

um bebê recém nascido e um beija-flor

Jill Sauve (Unsplash)

Uma manhã, eu estava sentada no sofá e Benjamin ficou olhando para a janela. É uma janela basculante, relativamente pequena, com duas redes de proteção, por conta do nosso cachorro fujão). Segui o olhar do meu filho e vi um Beija-Flor. Ali, diante de nós. Dentro da nossa sala. Corri chamar meu marido, mas na volta ele já não estava mais lá. Me emocionei, arrepiei. Nenhum pássaro entrou na minha sala nesses anos. Para mim foi a concretização da presença divina.

Ser mãe

Alguns meses depois, chegou a Vida Simples, primeira edição da nova editora. Eu estava animada para ler. Desci na pracinha do prédio e comecei a leitura. Passei os olhos pelas reportagens e lá estava uma que me chamou atenção: o relato de outra mãe de UTI. Filha prematura, Alice, pesando pouco menos que meu filho. Tive que ler em partes a reportagem. Fiquei muito emocionada. Respirei fundo, terminei a leitura. Fechei a revista. Na capa da revista, um pássaro. Coloquei Benjamin em meu seio para mamar e fiquei pensando em nosso processo juntos. Nas bênçãos, nas mães de UTI, nas palavras da Marianna, mãe da Alice, na grandeza em tê-lo comigo e nas batalhas que cada mãe vive.

Então, lá estava mais um. A 1m50 de mim, bem na minha frente, um beija-flor. Ficou ali um tempo. Pousou na árvore… Meu corpo esquentou. Mais uma vez. A presença divina estava ali. A gratidão ao Universo neste dia permeou meu corpo e minha alma. E a gratidão à Vida Simples, que — numa simples manhã — por ter dado espaço às palavras de Marianna, tocou profundamente meu coração e desencadeou essa experiência divina.

Luiza Domingues é mãe de Benjamin, psicóloga, empreendedora e ama a Vida Simples.


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