Um amor ao Universo

  • TEXTO Jô Balotin
  • DATA: 25/06/2020

E assim, pensando um pouco mais profundamente, resolvi jogar ao Universo o que quero. Deus, que sabe tudo de mim, já está avisado e me respondeu que vai entrar em ação

 

Eu estava saindo com o lixo na mão, num domingo de manhã — de máscara, sim! Ele não. Ele nem tinha lixo, apenas a chave pra abrir a porta em que eu iria sair. Mas eu abri a porta antes dele. Ele se afastou um pouco, agradeceu e balbuciou meio envergonhado, como gente educada: “Estou sem máscara.”

Que bom, moço lindo! (Minha matemática interna calculou rapidamente uns 55 anos para sua existência, e minha experiência me disse que paixão não tem idade.) Assim, eu pude ver seu rosto bonito, olhos claros, cabelo grisalho, vestia roupas escuras. Era magro, alto, corpo atlético, devia praticar algum esporte há muitos anos. Sem barriga saliente!

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Pois é, foram segundos e eu vi tudo isso! Outras coisas eu imaginei.

Deixei o lixo na lixeira e voltei rapidamente, na esperança de encontrá-lo no elevador e vê-lo mais uma vez. Perdi a corrida. Subi apenas eu, meus pensamentos criativos e o elevador.

A gente ama tanto quanto vive

Entrei em casa disfarçando o sorriso maroto, e contei ao meu filho que havia encontrado meu último amor. Sim, após muitos desamores, choros, saudades, frustrações, eu estava apaixonada de novo. Rimos os dois das minhas descobertas e imaginações.

Dias atrás, ouvindo uma amiga falar que não queria mais sofrer, que estava cansada de relacionamentos frustrantes, que tinha medo de amar e blábláblá, eu disse a ela: “Pare, isso é até você se apaixonar de novo.” E se tudo correr bem, amar mais uma vez.

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Afinal, a gente ama tanto quanto vive, e o amor acontece sempre, de diferentes formas, em alternadas épocas. Às vezes temos apenas amores fraternais, outras amores passageiros – se der sorte, amores intensos e inesquecíveis que viram histórias.

Outros momentos somos leves e em paz, mesmo sem amores carnais cheios de paixões avassaladoras. Amor e paixão mexem e definem nossa existência futura e passada enquanto alteram nossos planos presentes.

Mais um último novo amor

Mas esse texto surgiu com a vontade de exteriorizar uma reflexão pandêmica: não quero mais enfrentar uma pandemia, ou viver uma pós-epidemia, sem um amor pra chamar de último.

Sim, já vivi muitas paixões, alguns amores, sofri e chorei largada. Caminhei quilômetros tentando esquecer uma dor, descansei em rede querendo acreditar que era verdadeiro aquele recente amor, dormi até as 10h pensando que podia mudar meu horário interno para agradar aquele estranho amor. Tudo vã ilusão. Tudo passou e nada se ajeitou.

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Mas tenho lembranças de vida vivida, momentos compartilhados, carinho e afeto guardados com delicadeza, pois houve amores que foram eternos enquanto fizeram os dois lados felizes.

E assim, pensando um pouco mais profundamente, resolvi jogar ao Universo o que quero. Deus, que sabe tudo de mim, já está avisado e me respondeu que vai entrar em ação. Afinal, é a primeira vez que eu me manifesto assim, disse-me ele.  Eu mereço um amor tranquilo, daqueles que chegam de parceria, equilibrado, maduro e com futuro no presente. Eu saberei reconhecer, disse-me o anjo que está ajudando Deus, o Universo e eu!


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