Construindo o seu refúgio

  • Clô Azevedo

Hoje, mais do que nunca, precisamos nos posicionar para este momento futuro. Olhar para nossas identidades e valores tentando extrair novas possibilidades

 

Parou para pensar o quanto tem sido importante, nos dias atuais, passar a olhar para nossas casas como refúgios? Aprendi a sentir isso porque tenho o costume de passar a maior parte do tempo dentro de casa. E diante do momento que estamos vivendo, começo a acreditar cada vez mais que a necessidade das pessoas de entender que precisamos de um espaço acolhedor que alimente também a nossa alma, vem crescendo a cada dia.

Criar um refúgio em nossas casas, as quais costumavam ser apenas de cimento e tijolo, propõe transformá-las neste lugar seguro onde possamos mapear a rota de nossas vidas ajudando a fortalecer nossos ideais, além de nutrir nossa alma para nos preparar para esse novo mundo que vem chegando. Um lar é importante e faz muito mais do que nos abrigar. Mas infelizmente ainda temos a tendência de ignorar o quanto ele afeta em geral nosso bem-estar.

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Muitos de nós trabalhamos mais do que gostaríamos, corremos mais do que planejamos e fazemos mais do que jamais pensamos que seria esperado de nós. Sabemos, instintivamente, que necessitamos de um vínculo maior com o lar, mas nos esquecemos de onde conseguir e como manter essa conexão. A gente quer voltar para casa e encontrar mais do que uma coleção de pertences. A gente quer um lar onde se possa relaxar, praticar nossa espiritualidade, nossos rituais diários, estar sozinho ou estar com aqueles que amamos.

Cultura humana em nossas casas

Não à toa que estamos passando por este momento único em nossas vidas onde temos que permanecer em casa. Chegou a hora em que temos que nos tornar eficientes na arte de criar nosso próprio lar, na arte de organizar, de arrumar, de fazer nossa própria comida, de descartar os nossos excessos, de se comunicar virtualmente e de lidar com o que temos pra aprender de verdade, o que é essencial pra gente viver daqui pra frente.

Se criarmos nossos lares usando o coração e a criatividade, haverá uma cultura humana tão genuína baseada nessas novas necessidades que será capaz de nos fazer atravessar momentos difíceis como este que todos estamos atravessando no planeta. Ficar em casa para aprender e sentir quem somos nós agora, certamente vai ajudar a aumentar nossas reservas de generosidade de que dispomos para usar com o outro.

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A casa, portanto, é a extensão de seus habitantes. E ter um lar onde podemos manifestar nosso caráter e nossa personalidade acolhe um ambiente que trabalha para nossa saúde tanto física quanto mental. Podemos escolher que seja genuíno e seguro, que traga nossa identidade, e que permaneça vivo conosco. Hoje, mais do que nunca, precisamos nos posicionar para este momento futuro. Olhar para nossas identidades e nossos valores tentando extrair novas possibilidades e uma nova consciência do espaço que habitamos.

Qual a sua escolha?

Eu como arquiteta, e por meio dos projetos afetivos que ofereço, me sinto com a responsabilidade de enxergar novos caminhos no morar de um futuro que já chegou. E tudo isso porque quero ajudar e inspirar outros a desenvolver a habilidade de criarmos ambientes ecologicamente corretos, socialmente justos, economicamente viáveis e culturalmente aceitos, valorizando o coletivo com um novo propósito e tentando ampliar nossa consciência em relação ao planeta, tem sido minha missão.

Tudo isso vai passar, isso é fato! Mas o que escolhermos agora poderá mudar nossas vidas para as próximas gerações. E você, já fez a sua escolha?

 

Clô Azevedo é arquiteta e acredita que a casa é uma extensão das vidas que a habitam. Desenvolve projetos de design de interiores afetivos para conectar pessoas com suas histórias, inspirando a reinventar seu próprio espaço, morar bem e viver melhor. Seu site é designafetivo.com.


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