15 filmes que despertam sensações sobre a vida

  • TEXTO Suzana Vidigal
  • DATA: 16/03/2020

Os filmes podem nos ajudar a encontrar respostas, a compartilhar sentimentos e a aprender um pouco mais sobre nós mesmos e o mundo. Tudo isso por meio de uma tela, grande ou pequena

 

Um anão, um albino e um casal atrapalhado (e apaixonado) dentro de um lindo teatro, tentando evitar o assassinato do papa. Ao resgatar a minha memória afetiva cinematográfica, Golpe Sujo, de 1978, é a primeira forte lembrança. Minhas festas eram sempre com uma amiga-irmã. Nossos pais resolveram inovar, alugaram o filme e um projetor, e fizeram da parede da casa a tela de cinema, com o cuidado de esperar a luz do dia ir embora para termos, enfim, a sala escura.

Tenho essa lembrança viva na memória e no coração – e, com uma rápida mensagem, confirmei que minha amiga também não esqueceu. O cinema faz isso com a gente: proporciona experiências, provoca sensações das mais variadas, e todas elas juntas compõem aquilo que somos hoje. Cinema reúne gente, compartilha sentimentos, é parte viva da nossa trajetória.

Filmes falam de sentimentos universais 

Aliás, o cinema se transformou na minha trajetória em si. Quando criei o blog Cine Garimpo, em 2009, não imaginava o parceiro que ele se tornaria. Escrever sobre filmes e estreias era hobby – ainda mais para alguém que trabalhava traduzindo, havia 20 anos, as ideias de outras pessoas. Assim, colocar no papel o meu pensamento era uma novidade preciosa – mas só me dei conta disso mais tarde, quando a vida deu uma cambalhota e precisei me transformar. Foi quando me reconheci nas atitudes e sensações que estavam espelhadas em cada um dos filmes assistidos durante esses anos. Percebi que o cinema represava os sentimentos e que os medos não eram só meus.

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Me dei conta de que os desafios eram comuns a todos. E notar isso, num momento em que me faltava o chão, foi como um abraço apertado, firme e amoroso de um amigo dizendo: “Estamos juntos, pode contar comigo sempre”. O cinema me acolheu com a mesma generosidade com que abraça a vida. Provou que nunca estive sozinha, que tem sempre uma palavra, uma imagem, uma música capaz de me questionar, comover, fazer pensar ou sorrir, contar o que não sei e deixar a certeza de que somos feitos da mesma matéria. E que tudo vai ficar bem. Filmes falam de sentimentos universais e, assim, a sessão vira uma deliciosa simbiose. Garimpei 15 que despertam sensações que você provavelmente já experimentou. Acolha e abrace de volta esse cinema nosso de cada dia.

15 filmes que despertam sensações

Valorizar os amigos

Vermelho Russo fala de duas amigas atrizes que estão passando por momentos delicados na vida,
resolvem fazer um curso de teatro em Moscou e enfrentam seus fantasmas internos no tenebroso inverno da cidade, sem entender uma palavra de russo. Talentosas e carismáticas, Manu e Marta são amigas também fora da tela, emprestam seus nomes para as personagens e encenam a história que viveram de verdade, quando viajaram em 2009. A saga rendeu uma matéria na revista Piauí e foi, ainda, a inspiração para o filme. Não há como não se identificar com os ataques de riso, conversas e brigas, no estilo melhores amigas. No fundo, elas têm cumplicidade de sobra para encarar qualquer desafio. Quem tem Manus e Martas na vida vai acionar a memória afetiva de momentos parecidos e marcantes, de quem sabe o espaço que relações assim ocupam no coração.

DE CHARLY BRAUN | Com Maria Manoella, Martha Nowill, Michel Melamed, Fernando Alves Pinto 2017 | Brasil, Rússia

Confiar na intuição

O indiano The Lunchbox é assim: preenche a mente e afaga. Elenos apresenta, por exemplo, a uma realidade desconhecida: o complexo esquema de marmitas de Mumbai, que entrega 175 mil refeições por dia de maneira
rudimentar, mas eficiente – é, inclusive, referência mundial de logística. Emocionalmente, a história agrega porque fala de um personagem sisudo e mal-humorado que um belo dia recebe equivocadamente uma saborosa marmita e começa a se corresponder por carta com a mulher que a preparou. Intuitivamente, eles sabem que os bilhetes enviados junto com a refeição carregam algo diferente e inusitado – trazem o novo, capaz de transformar. É intuitivo, não tem explicação, a gente apenas sente que aquele é o caminho e se lança para ver o que virá. É esse mesmo mecanismo que proporciona algumas das mudanças mais incríveis da vida.

DE RITESH BATRA | Com Irrfan Khan, Nawazuddin Siddiqui, Nimrat Kaur 2013 | Índia

Maravilhar-se feito criança

Tem muita animação que nos leva para o universo infantil e faz maravilhas dentro de nós. Mas Divertida Mente tem uma particularidade que faz sacudir nossos miolos. Do estúdio Pixar-Disney, encanta pelo enredo da menina Riley, que está enfrentando a saída da infância justamente numa fase em que muda de casa, cidade, escola e precisa lidar com o questionamento incansável dos pais.

Mas vai mais além e nos coloca dentro da cabeça dela, convivendo com o medo, a raiva, a alegria, a tristeza e o nojo – sentimentos básicos que são aqui também personagens e regem os pensamentos e ações da garota para moldar sua personalidade adolescente. Nessa fase em que o mundo imaginário cai por terra, a vida começa a se tornar realidade e o alicerce familiar é o único que permanece inabalado, a nossa mente nunca foi tão bem retratada. É sensível e preciso, inclusive ao chamar a mente de divertida.

DE PETE DOCTER E RONNIE DEL CARMEN | 2015 | EUA

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(Re)encontrar o adolescente

“Não é impossível ser feliz depois que a gente cresce; só é mais complicado.” Com essas sábias palavras, o garoto
Mano, protagonista de As Melhores Coisas do Mundo, dá o tom do que é a adolescência. Mano é paulistano e enfrenta questões típicas desse período da vida: sexualidade, bullying, amizade, problemas com os
pais, descobertas, dúvidas e mais dúvidas. Tratado com naturalidade e intimidade, o enredo nos transporta para o ensino médio e para o modo de ser adolescente, que passa pelos dilemas de sempre, mesmo em tempos digitais. E é dessa maneira que vamos nos identificando com esse universo que, um dia, nos foi tão familiar. Para quem tem um filho adolescente, o filme ajuda a olhar com mais empatia e entendimento para essa fase que de fácil não tem nada.

DE LAÍS BODANZKY | Com Francisco Miguez, Gabriela Rocha, Denise Fraga, Paulo Vilhena, Caio Blat, José Carlos Machado, Fiuk | 2010 | Brasil

Aquietar o coração

Paterson faz parte daquele grupo de filmes que retratam o extraordinário presente no nosso cotidiano. Mas isso não é evidente e por isso o enredo nos convida a exercitar essa leitura. Paterson, o protagonista, é um motorista de ônibus de uma pequena cidade chamada Paterson. Casado com uma moça alegre que está sempre inventando moda, seu dia a dia é pacato. Ele também faz poesia, caminho de expressão para extravasar seu universo interno.

Assim como nossa vida, Paterson é guiado pela repetições que a rotina impõe, a começar pelo nome da cidade e do personagem, pelo déjà vu, pelas mesmas tarefas diárias. Mas o que muda nesse roteiro é o que cada um busca para se autorrealizar e se transformar. Para ele, por exemplo, isso vem por meio da poesia e do imaginário. Filme para acalmar o coração porque traz delicadeza para esse lugar chamado “cotidiano”, onde passamos o período mais longo da nossa existência.

DE JIM JARMUSCH | Com Adam Driver, Golshifteh Farahani, Nellie | 2016 | EUA

Encontrar o caminho do meio

Educar exige foco, propósito e determinação, mas, acima de tudo, escolha. Muitas são as linhas possíveis, seja em casa, seja na escola. O filme Capitão Fantástico fala desse universo, no qual o protagonista aposta em um modelo radical: muda-se com os seis filhos para a floresta, ensina aquilo que sabia e o que os livros eruditos ensinavam. Treina-os para enfrentar as adversidades com rigidez militar, isola-os do mundo, mas os ensina a pensar. No entanto, apesar da relação afetuosa, os filhos não se encaixam no mundo quando, tempos depois, é preciso voltar à convivência em comunidade. Capitão Fantástico traz uma bela reflexão sobre as decisões que tomamos, em especial as radicais. E como é necessário encontrar equilíbrio sem perder a essência. Bom para quem tem filhos, para quem pretende tê-los e para quem busca o caminho do meio.

DE MATT ROSS | Com Viggo Mortensen, George MacKay, Samantha Isler, Kathryn Hahn, Steve Zahn | 2016 | EUA

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Exercitar a tolerância

Depois de Divinas Divas, você não mais vai olhar para um travesti da mesma forma. Nesse documentário, Leandra Leal, atriz e agora diretora, conta a história de oito artistas travestis, entre elas Rogéria e Divina Valéria. O mote são os 50 anos de palco das divas e o pano de fundo é a montagem do muscial estrelado por elas.

Leandra acompanha os ensaios e as conversas entre as artistas, resgatando a trajetória de cada uma. Humano e elegante, o documentário nos convida a refinar o olhar e deixar o preconceito de lado – em todas as searas da vida. Simpática e divertida na entrevista de divulgação do filme, Valéria solta esta frase e diz tudo: “Não penso se sou homem ou mulher. Sou artista”. Arte e vida se misturam, sem que para isso seja preciso colocar rótulos nas pessoas. Cada um sabe do seu, e Divinas Divas chega delicado, colorido, alegre. Como elas.

DE LEANDRA LEAL | Com Rogéria, Divina Valéria, Eloína dos Leopardos, Marquesa, Jane Di Castro, Camille K., Fijuka de Halliday, Brigitte de Búzios | 2017 | Brasil

Mergulhar no desconhecido

Aposto que você nunca pensou em conhecer a Faixa de Gaza. Muito menos saber como se comportam
as mulheres em um cabeleireiro desse território ocupado por Israel, quando a guerra entre marginais e o Hamas acontece do lado de fora. Aposto e ganho, mesmo porque você provavelmente nunca pensou em incluir a Palestina nos seus destinos de viagens. Se não fosse o cinema, jamais viveríamos essa experiência retratada em Dégradé. Numa tarde aparentemente normal, dez mulheres dividem suas angústias, disfarçadas nas conversas superficiais típicas de cabeleireiros, enquanto o caos se instala ao redor. O filme é uma metáfora da guerra que acontece dentro e fora da gente. Desespero, claustrofobia, angústia, medo. Um mergulho no desconhecido, que nos traz reflexões sobre esse estranho caminho que a humanidade escolheu para seguir.

DE ARAB E TARZAN NASSER | Com Hiam Abbass, Maisa Abdelhadi, Manal Awad, Mirna Sakhla, Victoria Baliska | 2015 Palestina, França

Lavar a alma

Não é à toa que a história do tetraplégico rico que contrata um homem negro, pobre e imigrante para ser seu cuidador foi o filme francês mais visto no mundo. Intocáveis tem vários trunfos: é uma história real, que nos cativa pela amizade entre eles e pela coragem de ambos de enfrentar os desafios. É também divertido e provoca gargalhadas nas situações inusitadas e engraçadas. E é emocionante, tem o gesto essencial de quem cuida do outro com carinho, amor e dedicação.

Ao final, a sensação que nos invade é de satisfação e completude, como se tivéssemos vivido uma experiência e pudéssemos continuar dançando e cantarolando September, da banda Earth, Wind and Fire, embalados pela alegria de viver da dupla de protagonistas Driss e Philippe. E, claro, pela generosidade deles com a vida, apesar de tudo – e por causa de tudo. Vale assistir sozinho, com os amigos e filhos. Bom para a família toda.

DE ERIC TOLEDANO E OLIVIER NAKACHE Com Omar Sy, François Cluzet, Anne Le Ny | 2012 | França

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Encantar-se com o amor

Antes do Amanhecer é o primeiro de uma trilogia genial e leve sobre as delícias e dissabores de se apaixonar. Uma francesa e um americano, ambos na casa dos 20 e poucos anos, se conhecem em um trem que vai para Paris. No trajeto, a química acontece entre os dois e eles decidem descer em Viena. Como imaginavam que nunca mais se encontrariam, a ideia era aproveitar a única noite juntos para conversar, se divertir, conhecer a cidade e namorar.

A história, tão doce e tocante que é, ganhou (ainda bem) continuação, com o mesmo elenco: Antes do Pôr do Sol (2004) e Antes da Meia-Noite (2013). As películas foram filmadas em tempo real, ou seja, acompanharam o tempo do envelhecer dos atores e o nosso também. Além da inquestionável liga entre os atores Julie Delpy e Ethan Hawke, os diálogos são o mais fiel retrato da complexidade que é relacionar-se. Uma trama inteligente, doce e realista. Um encanto, esse tal amor.

DE RICHARD LINKLATER | Com Julie Delpy, Ethan Hawke | 1995 | EUA, Áustria

Reinventar-se

Apesar de retratar intimamente o cotidiano de quem viveu a juventude nos anos 1980, Enquanto Somos Jovens fala com todo mundo, independentemente da idade. Isso porque o filme aborda a passagem do tempo e o alívio que é percebermos que não somos mais os mesmos de anos atrás. Mais do que isso, ele mostra que temos, sempre, a possibilidade de nos reinventar. A trama gira em torno de dois casais: uma dupla jovem, que aprecia os gadgets dos anos 1980 e tem um estilo retrô; e a outra, mais velha, com mais de 40, sem filhos, antenados, digitais e fascinados pelo dinamismo dos jovens.

A questão é que o casal mais velho, na tentativa de se manter eternamente jovem, acaba perdendo a própria identidade. E aí começa a busca por se encontrar. Esse caminho, nada fácil, vale muito a pena e nos mostra que o bacana mesmo é aproveitar cada fase com a intensidade que a vida pede.

DE NOAH BAUMBACH | Com Naomi Watts, Ben Stiller, Adam Driver, Amanda Seyfried | 2014 | EUA

Cantar junto

Begin Again é o título original deste singelo e melódico filme: Mesmo se Nada der Certo. A tradução “Começar de novo” teria feito mais sentido. Isso porque Greta é uma compositora talentosa e sensível, que vive apagada pelo sucesso do namorado famoso. Ele é cantor (interpretado por Adam Levine, da banda Maroon 5), e sai pelo país em turnê deixando-a para trás. Tendo que recomeçar a vida, Greta se depara com Dan, um produtor musical em péssima fase que, assim como ela, acredita que a música vem da alma.

O resultado é um delicioso passeio pelas ruas de Nova York e uma homenagem aos músicos que fazem da cidade o seu palco. Tornam-se amigos, formam uma banda e cantam ao ar livre cheios de ritmo, improviso e descontração. A canção Lost Stars, de Levine, foi premiada e indicada inclusive ao Oscar. A vontade que dá é de cantar e dançar junto – e, é claro, baixar a playlist com a trilha sonora logo em seguida.

DE JOHN CARNEY | Com Adam Levine, Catherine Keener, Marco Ruffalo, Keira Knightley | 2013 | EUA

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Apreciar o simples

É inevitável comparar o japonês Nossa Irmã Mais Nova com o brasileiro A Partilha, interpretado por Gloria Pires. Ambos falam de quatro irmãs que revisitam as questões familiares e as memórias afetivas da infância após a morte de um dos pais. A trama percorre, assim, o cotidiano dos personagens, o passado em comum, e tenta, à maneira de cada um, reajustar o presente. Nossa Irmã Mais Nova nos leva a lugares familiares, com diálogos carregados de afetividade e amor. É, ao mesmo tempo, humano, simples e profundo. Produções assim nos remetem à própria essência e nos ajudam a refletir sobre os lugares onde estamos depositando nossa energia. Com detalhes carregados de significado e sutileza (como a apreciação do desabrochar da flor da cerejeira), esse filme japonês é um convite à contemplação do universo das miudezas, que passa despercebido, mas que é o tempero principal da existência.

DE HIROKAZU KOREEDA | Com Haruka Ayase, Masami Nagasawa, Kaho, Suzu Asano | 2015 | Japão

Comer sem culpa

Por que a maldita da culpa nos persegue? Desafio vai, desafio vem e a culpa está sempre dando uma pincelada. Dirigido por Eleanor Coppola, mulher de Francis e mãe de Sofia, Paris Pode Esperar conta a história de Anne, uma linda mulher, casada com um badalado e charmoso produtor de cinema. A questão é que ela já não se vê inserida na vida dele e sente um enorme vazio.

Por ironia do destino, Anne tem que viajar de carro de Cannes a Paris com o sócio do marido, um homem igualmente charmoso e sedutor, amante dos vinhos e da boa mesa, que a faz questionar se ter um bom casamento é sinônimo de felicidade. A trama é regada ao melhor da cozinha francesa. E a comida tem essa simbologia de experimentar o novo, de viver sem culpa, de se permitir mudar quando a zona de conforto já não é tão confortável assim. Paris Pode Esperar é, assim, um road movie delicioso e repleto de sabores.

DE ELEANOR COPPOLA | Com Diane Lane, Alec Baldwin, Arnaud Viard 2016 | EUA, França,

Virar a mesa

Infância e bicicleta caminham juntas desde sempre. O interessante é que, na Arábia Saudita, isso não acontece – pelo menos para as meninas. É imoral e contra os princípios religiosos. Em O Sonho de Wadjda, a garota que dá nome ao filme tem 12 anos, é doce, aventureira e destoa das outras meninas da sua idade. Wadjda tem veia empreendedora, faz pulseiras para vender, usa tênis e quer, loucamente, uma bicicleta. Focada no seu objetivo, se inscreve no concurso do Alcorão da escola para tentar ganhar o prêmio em dinheiro e realizar seu sonho. Burlando as expectativas da sociedade vigente, que coloca a mulher no lugar de submissão, ela monta uma estratégia e se prepara para virar o jogo. Ganhar é só um detalhe. O trunfo é a atitude.

DE HAIFFA AL-MANSOUR | Com Reem Abdullah, Waad Mohammed | 2012 Arábia Saudita


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