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Em que pé está o seu último grande sonho?
Deixar de ter sonhos é abandonar o ideal de quem queremos ser (Foto: Isabel Praxedes)
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Você é o tipo de pessoa que deixa os sonhos sempre no campo da vontade e do utópico? Em português bem claro: você está sempre postergando suas realizações?

Mês passado vivi uma das experiências mais significantes da minha vida ao realizar um sonho que estava guardado há sete anos. Então, relembrei que conseguir tirar um desejo do peito, ou uma ideia da cabeça, sempre nos coloca num lugar melhor. Portanto, neste texto, decidi contar como tudo aconteceu.

Por que realizar sonhos é elementar pra mim?

Sou diretor e documentarista independente desde 2015. Jornada profissional que adotei pra ter mais autonomia editorial e artística, após quase dez anos trabalhando como diretor em programas e séries de TV.

Esta minha trajetória atual exige que eu tenha êxito em empreender projetos e sonhos. Caso contrário, minguo pelo caminho. Teria que voltar a uma carreira profissional em que eu dependa menos da minha (falta de) habilidade em transformar ideias próprias em realidade.

Dessa forma, ser bem-sucedido na consumação destes projetos que crio tem duas esferas de importância. Primeiro – e a mais óbvia – é a de garantir recursos financeiros pra minha sobrevivência (morar, comer, ter lazer, etc).

E segundo – tão vital pra mim – é a de assegurar minha principal ferramenta de expressão intelectual e emocional. E como artista, sou o que realizo.

Mas não é fácil ter sonhos

Meus dois últimos anos nesta missão foram um fracasso. De dezenas de ideias criadas, não consegui executar nenhuma. Nenhum dos meus sonhos rompeu a esfera da fantasia. E neste sentido, todos permaneceram ilusão.

Neste período, a criatividade – que adorava voar por aí negligenciando limites – passou a ser totalmente dedicada para achar soluções para manter o equilíbrio do orçamento da vida doméstica e familiar.

O famoso trabalhar para pagar as contas, aproveitando oportunidades que apareciam e nos encaixando em brechas sob demanda.

Nenhum problema nisso, mas ao me distanciar das minhas criações e dos meus sonhos, comecei a me sentir uma farsa.

Sonho hoje com o meu eu de amanhã

Gosto da ideia de que sonhar contribui para construir quem somos. Sonhar com o que faríamos com o prêmio da loteria, sonhar onde estaríamos vivendo senão na cidade em que moramos.

Também sonhar como seria ter uma profissão diferente da que temos, etc. É no sonhar que descobrimos – e definimos – quais são as missões e os objetivos pelos quais vale a pena batalhar. Basta um sonho e já não estamos mais no mesmo lugar.

Portanto, deixar de sonhar e de realizar sonhos é abandonar a miragem e o ideal de quem queremos ser. E, por assim dizer, é basicamente um apagamento do “eu” do futuro.

Por isso, na virada deste ano, tomei uma decisão. Por mais que a realização de uma ideia minha não cumprisse com seu primeiro requisito – de garantir recursos financeiros –, que pelo menos não me arrancasse o segundo: de me expressar através da minha Arte. Decidi que, da maneira que fosse e após tanto tempo sem fazê-lo, eu realizaria o sonho de dar vida a algum dos meus projetos.

Abstrato x Concreto

Eu disse “da maneira que fosse” porque aprendi neste decênio como artista independente que a prática pode conduzir meu sonho a rumos bem diferentes dos quais idealizei.

Isso porque, seja na cabeça ou no papel, uma ideia não consegue dimensionar precisamente a intensidade de resistência que vai enfrentar para ser realizada. E também não pode dimensionar as belas surpresas que podem transformá-la.

Portanto, é natural que no intuito e dedicação de realizar um sonho eu tenha disposição para alterar ou remodelar como e onde quero chegar. Porque, no fim das contas, o objetivo é fazê-lo real.

Mas que sonho é esse?

Há sete anos, Diana e eu tivemos uma ideia. Convidar três artistas de estilos musicais bem distintos para filmar um videoclipe com cada. Depois, construir um roteiro em que estes três clipes contassem uma única história ou, melhor dizendo, transformando-os num filme curta-metragem.

Durante estes sete anos, tentamos viabilizar essa ideia de muitas maneiras: editais públicos, patrocinadores, leis de incentivo, etc.

E pela ausência de instituições e empresas que nos dissessem “sim”, o sonho nunca deixava de ser sonho. Continuava no cosmo do hipotético. E foi bem ele que escolhemos tentar realizar.

E olha só como são as coisas. Este projeto chamava-se “Solstício” e a premissa da história era baseada na noite de solstício de inverno, que é conhecida como a noite mais longa do ano. E o que acontece na maior noite possível de se viver? Temos mais tempo pra sonhar.

Na terra enfeitiçada

Pegamos nossas malas e partimos para um lugar em que os sonhos – e a batalha por realizá-los – são levados a sério e vividos profundamente. Belém do Pará.

Nestes nossos dez anos vivendo como artistas nômades, são poucos os lugares no mundo onde presenciamos coisas tão mágicas acontecerem, como vimos em Belém. É o feitiço das águas, a força da floresta, a supremacia da ancestralidade, a beleza das pessoas.

Tem uma frase do escritor britânico Roald Dahn que diz assim, “aqueles que não acreditam em magia, nunca a encontrarão”.

Em Belém, a gente não duvida de nada. É assim que tudo é possível. Não havia outro lugar possível pra este sonho se tornar realidade.

Passamos um mês na cidade e, aos poucos, conforme íamos compartilhando nossos desejos e nos dedicando de corpo e alma em fazê-lo, nos demos conta de que nosso sonho era também o de dezenas de outras pessoas.

Tão forte isso de um sonho de alguém poder ser também o meu. De repente, Solstício tomou vida própria e se tornou realidade.

Em um mês na cidade, conseguimos realizar nosso filme. Nosso sonho. Que começou individual e se tornou coletivo. Um sonho valente, encantado e importante. E isso nos fez reviver o inestimável valor de realizar nossos sonhos.

Tudo um dia foi sonho

Há tantas virtudes neste processo de realização. Poderia dedicar parágrafos e mais parágrafos para refletir sobre o quanto isso contribuiu pra minha realização pessoal e minha felicidade.

Ou sobre o quanto isso fortificou os pilares da minha autoexpressão e identidade. Ou ainda o quanto esse sonho me fez confiante para voltar a tomar decisões de maneira destemida e perseverante. Tantas virtudes. Mas finalizo este texto com apenas uma.

Um dos personagens de Valter Hugo Mãe, no livro O Filho de Mil Homens, “pensava que quando se sonha tão grande, a realidade aprende”. Gosto tanto dessa frase.

É dizer que tudo o que nossos olhos enxergam e nossas mãos podem tocar, foi um dia imaginação. Em nosso mundo humano, não há nada que um dia não tenha sido sonho.

E se isso não for impulso suficiente para nos encorajar a realizar os sonhos que temos, eu não sei o que poderia ser.

Para quem se interessar, aqui abaixo eu compartilho nosso filme. Bons sonhos!

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Leo Longo vive na estrada filmando séries e realizando sonhos. Artista e ativista do minimalismo, compõe o duo Couple of Things ao lado de Diana Boccara, com quem escreveu o livro “Mínimo Essencial”. Suas séries estão disponíveis em plataformas como Amazon Prime Video e Globoplay. Aqui na Vida Simples, o duo escreve sobre como a Arte e a vida nômade e minimalista revolucionam sua percepção de mundo.


Os textos de colunistas não refletem, necessariamente, a opinião da Vida Simples.

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