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Mel de origem
Arwin Neil Baichoo

“Venham ver como dão mel as abelhas do céu”, bradou Vinícius de Moraes, o nosso poetinha, sobre o extraordinário alimento produzido por essas pequenas operárias voadoras. Queira me perdoar, Vinicius, mas, para falar dele, o plural é fundamental. “Mel”, assim, no singular, diz pouco sobre o trabalho alquímico que esses insetos têm de alterar a química do açúcar retirado das flores. No plural, “méis” ou “meles” (as duas formas são aceitas na nossa ortografia) parecem ser palavras mais apropriadas, porque muito além do mel que encontramos nas prateleiras do mercado (feito exclusivamente pela espécie Apis mellifera, aquela listrada de amarelo e preto tão comum e com ferroada dolorida), há uma diversidade enorme de méis que outras espécies sem ferrão fabricam de forma mais, digamos, silvestre, vagando de flor em flor. 

Só no Brasil são de 200 a 250 espécies capazes de produzir mel – de cerca de 350 existentes nas Américas. O país é o maior em variedade apiária do mundo, um patrimônio e tanto. Uma variedade que resulta, claro, em uma diversidade de sabores. Jataís, tiúbas, mandaguaris, mandaçaias, uruçus, jandaíras e outras meliponas (como são chamadas as abelhas sem ferrão) produzem méis bem diferentes uns dos outros, todos com as características do local onde são feitos – a depender do clima, do solo e, principalmente, das flores. Mel também é produto de terroir, como o vinho. Mesmo aqueles produzidos por abelhas das mesmas espécies em localidades diferentes (ainda que a alguns meros quilômetros de distância uma da outra) podem ter características sensoriais bem diversas. Nenhum mel é igual ao outro, cada um carrega a própria “impressão digital” de onde é feito. E é essa profusão de sabores que tem despertado a curiosidade e o interesse de cozinheiros nacionais de olho na riqueza que as nossas abelhas nativas podem proporcionar

Uma questão de produção 

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