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Hábitos e planejamento: como manter a casa organizada?
Organizar a casa nem sempre é tão simples e para isso precisamos recorrer a profissionais qualficados. Foto: Emmylie Cruz

Pouco me apeguei a objetos e móveis, talvez alguns brinquedos na infância (era uma das coisas que adorava pedir aos meus pais para comprar) ou livros, que são de grande estima e dificilmente me desfaço de um, mesmo que não goste. Prefiro saber tudo o que tenho na ponta do olho, que caiba em poucas malas e me permita sair pelos lugares onde desejo conhecer ou gostaria de morar.

Confesso que manter a casa organizada não é um grande problema para mim, mas frequentemente tenho dificuldades para me desfazer de algumas coisas e aí, já viu. De onde se bota, mas nada se tira, aos poucos uma pilha de bens vai se formando.

Se organizar a casa é algo tão difícil e doar ou vender o que não nos serve é um exercício difícil que coloca as nossas necessidades em dúvida, a ajuda de profissionais qualificados a isso não é só bem-vinda, mas essencial para nos tirar esse peso da mente. Assim como Marie Kondo em A Mágica da Arrumação (Sextante) e Nalini Grinkraut em Casa arrumada, vida leve (HarperCollins), os personal organizers nos guiam e mostram caminhos possíveis para uma vida mais simples e alinhada com nosso propósito. Afinal, a organização do lugar onde moramos nos diz muito sobre quem somos e o que queremos para nós ou nossa família.

Encontre seu método

Para praticar atividades físicas, aumentar a massa muscular ou perder peso, precisamos encontrar um esporte ou encontrar movimentos que estejam alinhados com o que faz sentido. Não adianta correr todos os dias se você acha a atividade desinteressante ou ir à academia se a considera monótona. Por isso, talvez um grupo de pilates faça mais sentido para o que você busca. Da mesma forma, encontrar um método para manter a casa organizada é tão essencial quanto outras coisas da nossa vida.

Não existe um método perfeito, existe aquele que se encaixe à rotina de cada pessoa e estilo de vida“, é o que me conta Andressa Apolinário, assistente pessoal e especialista em organização.

Para quem está desorganizado, a ideia é ao longo dos dias arrumar por etapas e reservar um momento para colocar todas as coisas em ordem, o que pode levar algumas horas ou dias, o que depende da sua casa e do espaços que os objetos ocupam.

Antes de tudo, nada de procurar casas perfeitas em revistas de arquitetura ou imagens no Pinterest que mostrem ambientes impecáveis. A organização do ambiente é variável e depende muito mais do nosso ritmo de vida e de onde estamos no momento. Por exemplo, as suas necessidades quando morava sozinho é diferente de agora, com pets e filhos pequenos, ou quando dividia um pequeno apartamento com amigos ou um parceiro. O importante é “entender que em diferentes momentos da vida a gente se organiza de forma diferente, ou precisamos ajustar a nossa rotina, nosso dia a dia, o nosso lar. A gente precisa entender isso”, é o que explica Maucha Almeida, personal organizer brasileira que hoje vive em Barcelona, na Espanha.

Sem tempo? Otimize as tarefas para manter a casa organizada

Uma das grandes dificuldades para manter tudo em ordem certamente é o tempo. Perdemos algumas horas no trânsito, passamos boa parte do dia no trabalho, levando o filho na escola, cozinhando e, ao fim, tentar organizar minimamente o ambiente em que vivemos. Mas é difícil quando guardamos o objeto em um lugar, o companheiro usa, repõe em outro espaço e, quando vamos utilizar,… “cadê o (insira o nome) que guardei aqui?”, e mais uma vez tudo se perde novamente.

Tem uma regra que gosto muito, se chama a regra dos 5 minutos. Se uma atividade levar menos de 5 minutos, ela deve ser realizada imediatamente, evitando que haja um acúmulo“, explica Andressa, o que ajuda com que as atividades de arrumação não fiquem tão acumuladas ao longo do mês.

Outra estratégia fundamental é alinhar as expectativas e compreender onde você deseja chegar, assim evitamos ansiedade durante o processo e frustração com o resultado, porque definimos uma meta para alcançarmos. “A ansiedade e a frustração vêm porque a gente não alinha as expectativas“, defende Maucha.

E quando não há tempo? Antes de tudo, talvez seja importante compreender que nem sempre se trata do tempo curto, mas do que definimos como mais importante na vida. Por exemplo, talvez as prioridades de uma pessoa grávida estejam muito mais voltadas ao pré-natal e aos cuidados médicos do que necessariamente com como anda o armário de roupas, embora para ela também seja importante manter tudo minimamente em ordem. “Todos nós temos as mesmas 24h, então quando a gente fala que não há tempo, eu acho importante mentalizar que não é não há tempo, mas as suas prioridades são outras”, esclarece a personal organizer.

“Como mantemos a casa organizada? A casa só se manterá organizada quando ela for realmente organizada, e não só ‘arrumada’. Para organizar é necessário seguir todos os passos de início ao fim e se você não puder fazer isso, talvez seja necessário investir em um profissional para resolver com o problema de uma vez por todas“, acrescenta Maucha, que explica haver um longo processo de descoberta e autoconfiança ao organizarmos nosso espaço.

Para Andressa Apolinário, o autoconhecimento é central em um processo de organização, precisamos saber muito bem quem somos, qual o nosso propósito e porque precisamos, ou não, das coisas que compramos.

Mas a profissional dá uma dica central para quem anda querendo entrar nos eixos da arrumação, “criar um cronograma de limpeza, algo simples, mas onde você saiba o que tem que fazer a cada dia. Quando realizamos o cronograma, enxergamos todas as demandas e conseguimos compartilhar com outros moradores do lar“, é o que me diz.

Muita coisa e pouco espaço?

Sair comprando coisas nas promoções que encontramos talvez possa sair caro no fim. Por exemplo, uma amiga querida da minha família, que adorava comprar, preencheu a casa com tantos móveis que, em um certo momento, ficou quase impossível encontrar espaços vazios para circular ou sentir um pouco de liberdade dentro de casa.

Nesse caso, “é essencial uma análise do que realmente tem utilidade e o que pode ser doado e descartado“, explica Andressa. Nem tudo faz milagre, mas Maucha conta que podemos nos debruçar em alguns caminhos do mundo da organização, como aproveitar espaços altos, eliminar supérfluos (o que nem sempre é simples, afinal, como saber o que tem ou não importância pra gente?), manter o essencial, entender a raiz do problema para esse excesso. Nesse último caso, vale procurar um especialista no assunto ou um terapeuta.

Saber se desfazer do que temos também pode ser um passo importante, afinal, podemos doar, colocar em algumas lojas online ou grupos de vendas locais, além de presentear amigos e pessoas queridas com objetos que já não nos servem. Recentemente, Clô Azevedo publicou uma coluna sobre Tiny Houses e certamente as pessoas que decidem morar em ambientes assim (com até 40m²), precisam se desfazer de muitos bens ou desenvolver estratégias para armazená-los da melhor forma possível.

Uma das saídas é adotar o minimalismo que, como Maucha explica, pode ser um aliado importante para buscar o que nos é essencial.

Minimalismo é um estilo de vida que te ensina a viver com menos, mais importante, que te ensina a lidar com a relação que temos com as nossas coisas“, conta a personal organizer. “Para você poder tomar controle das suas coisas é preciso mudar a sua relação com elas”, acrescenta.

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Começar com as dicas e sugestões colocadas acima já é um passo essencial para manter a casa organizada e incluir o planejamento do ambiente como um hábito, ou melhor, prioridade na sua vida. Ainda assim, se você não sabe por onde começar, as especialistas entrevistadas pela Vida Simples dão orientações de como podemos iniciar de vez e nos desprendermos dos nossos apegos, por mais que seja difícil em um primeiro momento.

“A etiquetagem é uma grande aliada da organização, principalmente quando há mais pessoas na casa”, esclarece Andressa. Para ela, é fundamental que façamos o seguinte caminho:

  • Identificar o local de cada item:  o que contém em cada gaveta (camisetas, bermudas, pijamas etc.);
  • Identificar objetos que estão em caixas: pode ser que em 3 meses você já não se lembre mais o que colocou ali;
  • Na despensa, colocar nome do alimento e data de validade: para quem não tem uma etiquetadora, basta recortar o nome e a validade da própria embalagem e colocar com uma fita adesiva.

Além de fazer uma seleção do que será nossa prioridade naquele momento (a cozinha, o quarto, o armário de roupas, e assim por diante) e a categorização (agrupar os objetos por família), Maucha conta que precisamos alocar cada um deles, além de identificar como organizar melhor os espaços e estabelecer uma manutenção constante. Depois de tudo organizado, a tarefa agora é arrumar de forma periódica de acordo com o método que foi implementado.

Uma sugestão simples de desapego, segundo Maucha, é classificar os objetos em “Tesouro” (aquilo que faz sentido pra gente e deve permanecer), “Transferência” (o que podemos doar, presentear ou vender) e “Tralhas” (o que não serve mais e pode ir para o lixo). No Tesouro, é preciso observar os objetos que estão precisando de reparo e colocá-los em uma fila de conserto, seja um casaco que perdeu a costura ou um item de decoração que quebrou, o importante é não deixá-los em espera, porque senão vão para o grupo de Tralhas ou Transferência.

Andressa costuma fazer duas revisões anuais e retira tudo o que não serve, nem faz mais sentido. “Tenho também uma sacola de doações que fica sempre por perto, nela vou colocando tudo que ao longo dos dias identifico que não quero mais, ajuda muito“, conta

“Organizar é revisar o que temos de forma profunda, selecionando e agrupando nossas coisas por categorias. E assim criar um sistema de armazenagem lógico e bem identificado que se ajuste ao seu espaço”, sintetiza Maucha.

Por fim, a personal organizer explica que a estética é um efeito colateral de toda a organização que fizemos, “você vai alinhando e entendendo que organizar na verdade é lidar com a relação com as coisas, os apegos, entender a nossa tomada de decisão do consumo”, conclui.

Para ela, a vida é como um oceano, há dias de tormenta e intensa agitação, outros de calmaria e aconchego, e assim tudo ao nosso redor reflete esses momentos. Se permita compreender que nem sempre tudo vai estar arrumado, mesmo que nos esforcemos, mas foque em manter a casa organizada, mesmo que tudo vire uma bagunça, você saiba onde é o lugar de cada um, sem dor de cabeça.

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