Razões para Acreditar: um portal para espalhar otimismo

  • TEXTO Lucas Vasconcellos
  • FOTOGRAFIA Istock
  • DATA: 25/10/2019

A fim de trazer leveza e soluções para o mundo – e mostrar que tem muita coisa positiva acontecendo por aí – site do Razões para Acreditar acalenta o leitor que precisa recuperar a fé na sociedade

Na segunda metade da década de 2000, o Orkut era a rede social do momento no Brasil. Mais simples do que as atuais, contava, entre outros recursos, com comunidades – ou seja, espaços para falar sobre temas específicos.

Eu, além das comunidades sobre Christina Aguilera, gostava de uma chamada ‘Jornal das Pequenas Coisas’, onde as pessoas publicavam sobre assuntos alegres de seu dia a dia.

Na época, eu era apenas um adolescente, mas já acreditava que as informações que lia eram sufocantes demais. Densas. Por isso, ver que alguém havia conseguido um emprego, tivesse noivado ou apenas comido um pedaço de bolo e estava feliz com isso, me alegrava. De pequenas, as coisas escritas ali não tinham nada.

O Orkut e suas comunidades tornaram-se obsoletos. Mas, por sorte, novos locais surgiram – e neles há muita coisa boa para ser lida. Um desses é o site Razões para Acreditar.

Fundado em 2012, o projeto do publicitário Vicente Carvalho é feito por pessoas espalhadas por diversas regiões do mundo. Acima de tudo, pessoas que estão em busca de olhar para uma situação, por mais negativa que pareça, e tirar dela o melhor. Vida Simples bateu um papo com Vicente. Confira:

O que motivou você a criar um site como o Razões Para Acreditar? Foram questões internas ou uma demanda que percebeu nas pessoas?

O Razões surgiu espontaneamente. Em 2012, uma amiga publicou algo em uma rede social e eu comentei, dizendo que havia “razões para acreditar”. No mesmo dia, horas depois, registrei o domínio e comecei a postar coisas legais que eu via e me inspirava, que eu achava que as pessoas precisavam saber. Assim, o Razões surgiu por querer mostrar coisas legais que eu via, que estavam acontecendo e as pessoas não sabiam. Inicialmente tinha uma característica mais de blog. Com o tempo, percebi que o Razões é uma grande válvula de escape para mim, é uma porta para eu falar sobre coisas que tenho vontade e não conseguia, nem mesmo com amigos.

O Razões apenas noticia coisas boas, mas a gente vive em um sociedade onde há muita violência. Como é o dia a dia de vocês, onde buscam somente pautas com um olhar positivo?


É verdade que há muita violência na sociedade, mas não é como antes. Morrem menos pessoas do que morriam em outros períodos. Mas hoje noticia-se mais. O que eu sempre acreditei é que tem muita coisa legal acontecendo por aí. Mas por questões do que a mídia prefere noticiar e do que nós leitores buscamos, não são tão divulgadas. A gente procura por notícias ruins como forma de defesa, para se prevenir de algo e acaba compartilhando esse material numa tentativa de avisar o outro.

Aqui, nós trabalhamos todos on-line e a equipe, composta por cerca de dez pessoas, está em locais diferentes do Brasil e do mundo. Hoje não precisamos procurar por coisas boas, elas chegam até nós por mensagens em canais diversos. E nós também sempre estamos ligados no que acontece e buscamos ter um novo olhar sobre isso. Por exemplo, o desastre que está acontecendo agora nas praias do Nordeste é horrível. Mas, em vez de de focar nisso, nós olhamos para as ações da população em recolher o óleo e limpar as praias.

Para quem o Razões para Acreditar é feito?


Para pessoas que estão cansadas de só ver notícias ruins, de coisas ruins, sem uma alternativa de soluções para isso. Então nós publicamos às vezes coisas que não são tão boas, como o caso de uma mulher que teve a mão decepada pelo marido há alguns anos. Mas damos a solução que a gente consegue – que na época era uma vaquinha para comprar a prótese para ela. A notícia vem com uma carga de solução do que pode fazer e contamos com a ajuda das pessoas para isso. E tem dado supercerto. Então, é feito para qualquer um que queira ver coisas bacanas – ainda mais no Brasil, onde temos o hábito de só reclamar que está tudo ruim e fazemos questão de mostrar que tem muita coisa bacana aqui.

Vocês conseguiram crescer como veículo. Isso é um sinal de que a mídia que explora o ‘mundo cão’ está ultrapassada?


Eu acho, porque ninguém aguenta mais só noticiar coisas ruins, mas isso não é uma culpa apenas dos veículos, mas de nós, leitores, de como se construiu fazer uma notícia. Aprendemos que uma notícia só é notícia quando ela surge de algo ruim, então estamos muito enraizados. Em contraponto, existe um movimento de pessoas que não aguentam mais e essa mídia que só relata coisas ruins, está ultrapassada. Tanto que hoje o Razões pauta vários programas de TV ou outras redações. E percebemos um respeito com o nosso trabalho. O Razões acaba sendo um forma das pessoas terem uma tranquilidade. A gente não nega as coisas ruins, óbvio que elas estão acontecendo, mas escolhemos não falar, porque já tem gente demais dando conta disso. Na época das últimas eleições, nós tivemos um grande crescimento – sinal de que as pessoas estavam completamente afundadas com tanta coisa política e procuraram algo para aliviar.

Quais os próximos passos do Razões para Acreditar?


Estamos com uma plataforma de financiamento coletivo para causas que é a Voa. A gente recebe as histórias das pessoas e fazemos vaquinhas para ajudar acontecer os projetos. E na primeira semana de dezembro teremos um evento chamado Dia de Doar, que é uma espécie de Teleton, só que na web. Ficaremos o dia todo ao vivo nas redes sociais, com outras pessoas, veículos, para chamar as pessoas a doarem para projetos específicos que estamos selecionando.

Qual é a notícia que você mais gostaria de dar no site? E qual notícia você não gostaria mais de ler em outros veículos?


Eu sinceramente gostaria muito de poder falar no Razões que os casos de homofobia e transfobia acabaram ou diminuíram, porque infelizmente é uma realidade que acontece aqui e em outros locais do mundo. E eu não queria mais ver nos outros veículos são as sem solução, notícia só por ser alarmista. Dê um caminho de solução, acho que esse é o caminho.


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