CAMM: ensinando empatia e amor ao próximo

  • TEXTO Gisela Garcia
  • FOTOGRAFIA Anna Earl | Unsplash
  • DATA: 24/09/2021

O projeto CAMM surgiu para tirar crianças da rua, estendeu para as famílias  e mostra que com educação, empatia e dedicação, é possível fazer a diferença e transformar vidas.

A história que vamos contar é daquelas que deixam o coração quentinho e transbordando de gratidão. Os personagens principais são Roberta Barros e Ademilson Nascimento, pessoas que nos fazem manter a fé na humanidade.

Pais  — e grandes exemplos de vida — da nossa embaixadora Domitila Barros do pilar Transformar, eles são os fundadores do Centro de Atendimento de Meninos e Meninas (CAMM), que surgiu em 1983, quando o casal de educadores começou a observar um grupo de crianças que viviam pedindo esmola nas ruas da comunidade da Linha do Tiro, em Recife.

Ademilson era estudante do curso de Matemática e Roberta, estudante de Engenharia Química,  era estagiária do Departamento de Biblioteconomia da Universidade Federal de Pernambuco. O jovem casal estudava e trabalhava para se manter, mas mesmo com uma rotina dura, enxergaram as necessidades da comunidade. E decidiram que tinham que agir. E assim, criaram o CAMM.

Projeto e luta

“Eu perguntava para as crianças que via na rua pedindo esmola se elas estudavam e quando me diziam que não, eu convidava para irem para nossa casa para aprender a ler e para comer também, pois muitos não tinham como se alimentar”, conta Roberta, que alfabetizava as crianças no único horário e no único lugar disponíveis: à noite, na sala de sua casa.

CAMM

De acordo com eles o projeto começou pequeno, mas cresceu rápido. A princípio eram seis crianças e depois de apenas três meses, já eram 30. Não cabiam todos na casa. Com o passar do tempo, Roberta entendeu que podia fazer mais e emprestou sua geladeira para as crianças fazerem picolés para vender. “Perguntei se preferiam isso ou pedir esmola nas ruas e elas quiseram trabalhar”, comenta.

O projeto cresceu e ao longo desses anos mais de 5 mil crianças foram beneficiadas pelas ações da ONG. Roberta diz que a luta cresceu junto. “Mesmo com anos de lutas, infelizmente ainda é necessário continuar para tornar possível a dignidade humana aos excluídos”, revela.

Apoio na pandemia

O CAMM saiu da sala da casa de Roberta e Ademilson e ganhou o mundo. Hoje tem sede própria e atende cerca de 70 crianças. E o projeto, criado para tirar crianças da rua, deixou de ajudar apenas crianças para dar suporte a todos os membros da família.

Com a chegada da pandemia, foi necessário parar com as atividades presenciais e intensificar as ações de apoio às famílias com entrega de cestas básicas, material de higiene, água potável e gás de cozinha.

De acordo com Roberta, mesmo com os atendimentos presenciais paralisados, a ONG fechou uma parceria e montou uma sala de informática. “Muitos não têm computador em casa, nem acesso à internet, queremos mudar isso”, explica. E está mudando, Roberta. Das primeiras aulas na sala de casa até chegarem a sede própria e diversas frentes de apoio à comunidade.

Roberta e Ademilson são um exemplo vivo de que é possível mudar o mundo. Uma criança por vez.


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