Aprendizado constante

  • TEXTO Débora Zanelato
  • FOTOGRAFIA Christin Hume| Unsplash
  • DATA: 24/07/2019

Socióloga trabalha para a conscientização da sociedade sobre a leitura como competência para entender o mundo globalizado 

Aprender a ler e a escrever com prazer é algo que precisa ser estimulado sempre. Mas é preciso envolver sociedade, poder público e iniciativa privada para isso. É empenhada nesta causa e no estímulo à abertura de bibliotecas que a socióloga Christine Fontelles atua. É idealizadora do programa Ler é preciso, foi como diretora de cultura e educação do Instituto Ecofuturo e coordenadora da campanha Eu Quero Minha Biblioteca. Assim, criamos a fonte de sabedoria necessária para compreender o tempo em que vivemos.

Cardápio de leituras

O que é ter uma “dieta equilibrada de livros”?

Nosso cardápio de leituras precisa ser variado. Porque se você lê apenas um mesmo gênero ou autor, não sai do lugar. Afinal, é a mesma estrutura de texto, mesma visão de mundo. Por isso defendo a importância de variar gêneros literários, autores e estilos diferentes.

Em qualquer parte do mundo vivemos tensões que são similares, e a leitura nos faz sentir que pertencemos a uma humanidade comum. Quem tem uma dieta de livros equilibrada ganha mais capacidade de reflexão e argumentação e, principalmente, uma percepção de mundo muito mais sofisticada.

O desafio da leitura hoje

O que é uma leitura com qualidade?

É a leitura em que há troca. Quantidade não é qualidade; a pessoa pode ter lido 200 livros no ano, mas o que ficou? Quais interações foram feitas? É importante se apropriar dessas leituras, trocar ideias. Assim, exponho a minha leitura e o outro, a dele. Se eu leio sem dedicação, o resultado não amplia meu repertório.

Como convencer de que a leitura é importante?

É desafiador, porque a sociedade preconiza a falta de tempo, o consumo rápido, o resultado imediato. E sentar com um livro vai contra isso. Precisa de tempo, concentração, não traz nenhum benefício financeiro.

Mas ler é a base para compreender o mundo, para saber física, história e todas as disciplinas. Não é um entretenimento fácil; requer esforço e disciplina. Por isso, essa atividade precisa de atenção o tempo todo. A vida pede sensibilidade para conviver entre diversas culturas na globalização. E a leitura nos dá esse entendimento.

E qual o papel da biblioteca?

Ela democratiza o acesso aos títulos, além de ser o ambiente essencial para desenvolver esse hábito. Existe um marco legal que dá respaldo para a criação das bibliotecas. Aí, a sociedade tem que se engajar, procurar o vereador, os representantes e pedir que incluam recursos para este fim. O ganho é de todos. 

Christine Fontelles coordena um movimento para estimular a criação de bibliotecas públicas no país


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