Um congresso para falar de felicidade

  • TEXTO Vida Simples Digital
  • FOTOGRAFIA IStock
  • DATA: 14/10/2019

Gustavo Arns, idealizador do congresso, fala sobre como a felicidade é, sobretudo, um caminho de autoconhecimento e desenvolvimento emocional

O que é, realmente, ser feliz? Como podemos pensar a felicidade como algo mais próximo, palpável, e, sobretudo, interno e genuíno? Interessado em trazer uma profunda reflexão sobre o que é felicidade que Gustavo Arns, em 2016, idealizou o Congresso da Felicidade, que em novembro chega a sua quarta edição. “Dentro de mim havia um desconforto, um questionamento se a vida era mesmo acordar, trabalhar, pagar contas. Devia haver algo a mais”.

Gustavo passou a estudar o assunto e sentiu falta que existissem eventos assim em Curitiba, onde vive. E criou um congresso com palestrantes de diversas áreas para falarem sobre o tema. Nos dias 2 e 3 de novembro, o IV Congresso da Felicidade acontece na Expo Barigui, com nomes como Monja Coen, Luiz Felipe Pondé, Marcos Piangers, Robero Crema e muitos outros, tornando a felicidade em um conceito mais próximo da nossa compreensão verdadeira.

Nesta entrevista à Vida Simples, Gustavo Arns traz reflexões sobre o assunto e aponta que a felicidade é mesmo uma jornada dentro de cada um de nós.

Como o interesse por falar sobre felicidade surgiu em você?

Acho que tudo começa um pouco com a história da minha família. A parte materna era bastante católica e desde criança eu ia à missa, estudei em escola católica. Por parte de pai havia um lado mais ecumênico. Ele se interessava por terapias mais integrativas. Então sinto que sempre existiu em mim um certo incômodo pra saber que a vida era mais do que acordar, trabalhar, pagar contas.

Em 2013, num evento em São Paulo, acabei assistindo a uma palestra de Tal Ben-Shahar sobre felicidade. Foi um acaso, porque eu ia subir para o hotel, era uma palestra paga, e acabaram abrindo para todo o público e então eu fui. Final de dia, eu estava cansado quando entrei, mas saí da palestra muito melhor. Enquanto ele falava, algo se encaixou dentro de mim. Era como se tudo o que eu estivesse procurando finalmente viesse. Comecei a estudar, buscar livros, vídeos e fui fazendo esse mergulho por conta própria. Queria discutir esse tema em Curitiba e fui amadurecendo a ideia de termos um congresso sobre felicidade.

E como você pensou o Congresso da Felicidade?

Eu desejava abordar a felicidade de forma mais integrativa. O congresso está estruturado em quatro elementos: a ciência, a filosofia, a arte e a espiritualidade, com a ideia de causar no público uma reflexão sobre o que de fato pode ser aplicado na vida prática. Parece que falar de felicidade é tabu, e muitos infantilizam o conceito como se felicidade fosse alegria e prazer. Queremos quebrar o conceito de felicidade em pequenos conceitos mais pautáveis, mais reais. Para mim, uma definição mais próxima é a combinação entre bem-estar físico, emocional, relacional, intelectual e espiritual.

Ainda temos a ideia de que para ser feliz existe um caminho a seguir, algo externo. E não é isso, certo?

Exato, você toca no ponto principal. Não importa o caminho que você ande, pode ser pela ciência, pela arte, todos vão ter como ponto central o fato de que a felicidade genuína é interna, não externa. É quando algo internamente se altera. E sem autoconhecimento a gente não consegue compreender o que nos faz feliz. Por meio da auto-observação, do desenvolvimento da inteligência emocional, é que começo a encontrar pistas sobre a minha felicidade. É quando olho pra dentro e começo reconhecer o que gosto e que não gosto.

Ou seja, não é alguém que vai te dizer como ser feliz.

Isso mesmo. Ou qual a dica da felicidade. É claro que existem dicas, e elas são tão banais e simples, que a dica simplifica algo que é complexo. Apesar da ciência e da neurociência saberem o que neuroquimicamente nos faz felizes, os caminhos ainda são muito individuais. Vão partir desse lugar de autoconhecimento.

Depois de realizar a primeira edição, você se sentiu mais feliz?

Assim como a gente confunde a felicidade com o prazer, com a alegria, li sobre a diferenciação entre felicidade e alívio. E quando você entrega, traz um alívio grande. Acho que tive um sentimento de realização, que está muito conectado com realizar algo que faça sentido pra mim, que me preenche. E que surgiu a partir desse lugar muito pessoal de querer levar essa ideia pra mais gente. Então talvez tenha sido uma mistura de alívio, satisfação e felicidade por tudo ter dado certo, e mais aquela angústia de que acabou.

Agora, na nossa quarta edição, me sinto muito animado. Ao longo do tempo vamos aprendendo melhor a trazer um equilíbrio entre os pilares e queremos muito que mais pessoas se sintam tocadas e impactadas neste ano. Daí vem o sentimento de satisfação de saber que a cada ano mais pessoas querem se aprofundar e refletir sobre o tema.

 

IV Congresso da Felicidade
Quando: 02 e 03 de novembro de 2019
Horário: A partir das 9h
Onde: Expo Barigui – Parque Barigui, Curitiba.
Inscrições: https://congressodefelicidade.com.br/pt/

 


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