Por que desenvolver a inteligência emocional

  • TEXTO Redação Vida Simples
  • FOTOGRAFIA Rawpixel
  • DATA: 11/04/2019

Foi em 1995 que o termo inteligência emocional surgiu nas prateleiras das livrarias. O psicólogo, escritor e jornalista científico norte americano Daniel Goleman popularizou o tema, que na verdade é discutido desde 1960, em seu best-seller Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente (Objetiva).

Contrariando as aparências, o conceito não é autoajuda e sim um aprimoramento comportamental ao alcance de todos os indivíduos com respaldo na neurociência, para mostrar que sucesso pessoal ou profissional não é destino, é técnica. O assunto será uma das palestras do Festival Path 2019, festival de inovação e criatividade que acontece em São Paulo.

A partir da próspera publicação, que vendeu mais de 5 milhões cópias ao redor do mundo, Goleman basicamente desmembra a mente em duas partes, a racional e a emocional, colocando a consciência das emoções como chave para a vitória, da escola à vida adulta. Segundo ele, muitos dos circuitos cerebrais da mente humana são flexíveis, abrindo chances para o desenvolvimento das relações pessoais e profissionais de forma mais saudável e, consequentemente, promissora, já que seria impossível obter qualquer tipo de sucesso sem fortalecer os relacionamentos sociais.

Os cinco pilares
Os trabalhos desenvolvidos pelo especialista são pautados por cinco pilares: autoconsciência, autogestão, motivação, empatia e habilidades sociais. Tais domínios seriam responsáveis por guiar pensamentos e ações mais assertivas. O aprimoramento se encaixa no que chamamos de “tecnologia humana”, algo que está dentro de cada um, mas que nem sempre é acessado ou administrado da melhor maneira. Portanto, é preciso treiná-lo.  “A primeira competência que cultivamos é a autoconsciência, que é conhecer com mais profundidade as nossas emoções, sentimentos e pensamentos. Dessa forma desenvolvemos uma maior clareza sobre quem somos, como funcionamos, o que importa para nós, quais são nossos valores e propósitos, elementos fundamentais para o autoconhecimento”, explicou Felipe Rech, co-fundador do Instituto Pacífico de Desenvolvimento Humano, em Porto Alegre.

Relembrar a natureza científica da inteligência emocional é o primeiro passo para que o conceito se abra na mente das pessoas. Existe uma série de pesquisas realizados ao redor do mundo, inclusive no Brasil, que procuram investigar e mensurar a validade da percepção de emoções. Por ser um assunto tão complexo e variável quanto cada indivíduo presente na Terra, os resultados são igualmente inconclusivos em termos de eficácia.

Porém, há estudos — como de Bastian, Burns e Nettelbeck, publicado na revista acadêmica Personality and Individual Differences em 2005  —  apontando que indivíduos com “alto índice” de inteligência emocional têm maior satisfação de vida, capacidade de resolução de problemas, habilidade de enfrentamento e menores índices de ansiedade.


Melhor tomada de decisões
Foi com base na eficácia e no saldo positivo apresentado pelas pesquisas que a gigante Google uniu experts em neurociência, negócios e psicologia para ensinar liderança com técnicas de inteligência emocional e mindfulness, um tipo de exercício meditativo milenar propagado pelo budismo, que propõe a atenção plena em apenas uma tarefa. Nesse caso, existem provas reais de que a prática dedicada é mais responsiva, promovendo alterações cerebrais no córtex pré frontal, responsável por tomadas de decisões. Felipe complementa dizendo que “a prática de mindfulness tem o poder de desenvolver as competências da inteligência emocional, e isso pode ser feito de uma forma simples, com pequenos exercícios que podem ser facilmente incluídos em nossa rotina”.

Iniciado em 2007 dentro da empresa e a partir de 2012 em expansão para além dos funcionários, o curso Search Inside Yourself (SIY), do qual Goleman é um dos co-criadores, já chegou a 100 cidades em 30 países, com o objetivo de reduzir o estresse, melhorar o foco, a alta performance sustentada e os relacionamentos interpessoais.

Após adquirir experiência na área da comunicação, Felipe foi até a Califórnia para uma série de retiros espirituais. Lá conheceu o programa do Google e gostou tanto que virou professor certificado. “As principais questões de quem procura o curso giram em torno de uma maior capacidade de orientar a atenção para o seu foco, ter mais habilidade na gestão de suas emoções, mais clareza sobre os seus valores e propósitos, despertar a motivação, ser mais resiliente, desenvolver mais empatia com os outros, liderar de uma forma plena e experimentar mais bem-estar de uma forma geral”.

 

Ainda bem que é hoje: o que temos é o presente
A partir desse mesmo mecanismo desenvolvido pelo Google, Lígia Costa teve uma carreira executiva próspera no mundo corporativo, mas também virou professora e especialista no assunto. Ao transitar de carreira, fundou o Thank God it’s Today, uma agência focada no ensino de habilidades socioemocionais para líderes.

Para ela, existe uma junção de fatores que tornam as pessoas mais inseguras, como o cenário econômico do país, as incertezas no campo do trabalho, a velocidade da informação e a desconexão de si mesmas. “A intolerância aumenta, a falta de paciência, as disputas de ego são cada vez mais comuns gerando uma frustração e trazendo um questionamento quase que existencial. Diante de um cenário complexo, precisamos criar um novo conjunto de forças internas”, recordou.

Diante do caos cotidiano, ela aproveita para reforçar a concentração no agora e não no que já aconteceu e no que está por vir. “Viver no momento presente é a única realidade que temos. O passado não existe e o futuro ainda está para chegar. Controlar nossos pensamentos, fazer escolhas conscientes com bondade e generosidade para com nós mesmos é a única coisa que podemos fazer para enfrentarmos o mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo, em tradução livre)”.

 

Siga o mantra: respire, expire e inspire. Descubra mais sobre o assunto na palestra “Inteligência emocional: como usá-la a seu favor”, com a Lígia Costa e o Felipe Rech no Festival Path 2019 em São Paulo.

“Inteligência emocional: como usá-la a seu favor” – Festival Path SP
Data: 1 de Junho | Horário: 15h00
Local: Maksoud Plaza, Sala Rio + Minas
Endereço: R. São Carlos do Pinhal, 424
Inscrições: https://www.sympla.com.br/festival-path-2019__374566


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