E la Nave Va

  • TEXTO Lucas Tauil de Freitas
  • DATA: 20/08/2020

Uma forma de criar organizações horizontais é saber dar voz às pessoas para que possam, dessa maneira, construir um caminho mais genuíno para todos

 

Nos últimos anos tenho estudado a forma como colaboramos. Imerso nas práticas e modelos conceituais de gestão colaborativa, auxilio organizações e empresas no Brasil e na Nova Zelândia a inovar e organizar o trabalho de forma emergente e inclusiva. Não para ser politicamente correto, mas por acreditar que dar voz às diferenças é nossa chance de sobreviver aos desafios de nosso tempo. Um grupo capaz de ouvir profundamente as perspectivas de cada participante e tecer uma estratégia de ação apoiada em questionamentos e observações é mais coeso do que um time que depende de liderança estática e soluções empacotadas.

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Navegador que sou, gosto de começar o trabalho com a cocriação de um mapa. Um processo de escuta e questionamento coletivo e individual. Emergimos desse mergulho com uma imagem de onde estamos e o cenário que queremos percorrer. Navegar é saber de onde se vem, para onde se vai, por qual rota seguir e em que estação do ano há condições ideais para a jornada. O passo seguinte é identificar o destino: nossa imagem de sucesso no caminho. Neste ponto, em geral, chega-se à conclusão que, antes de decidir para onde, é preciso entrar em acordo quanto ao porquê de realizar isso juntos. Pode parecer contraintuitivo, mas acho importante o grupo descobrir isso por si. A ideia é que a motivação para investigar o propósito do grupo — e como ele coincide com os individuais — seja emergente. Tarefas que escolhemos nós mesmos fluem melhor do que propostas externas.

Compartilhar nossas práticas

Uma vez que há consenso quanto ao porquê de trabalhar juntos, fica mais fácil escolher um destino. Quando chega a  hora de traçar o plano de ação, milênios de patriarcado vêm junto. Em geral homens extrovertidos e brancos tomam a cena. Começa o trabalho de criar em grupo uma cultura participativa e convidar líderes “naturais” a abrir espaço. O trabalho de sensibilizar um time acostumado à hierarquia a identificar os diferentes trabalhos realizados por cada um requer criatividade, ritmo e jogo de cintura.

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Começo, então, com a visibilidade do trabalho de cuidar das pessoas. A maior parte das empresas tem um profissional de recursos humanos para centenas de funcionários. Impossível realizar um trabalho de cuidado sem esparramá-lo na organização. Permitir que cada um exponha suas vulnerabilidades e se sinta parte do grupo é algo crucial, em geral feito nas sombras e sem reconhecimento. Trazer à luz as ações invisíveis fortalece os laços de confiança e um fluxo sutil se estabelece na motivação. O paradigma muda e com ele as possibilidades de inovação. Com o barco na rota, o foco vai para as retrospectivas. Com avaliações horizontais repetimos, melhoramos e compartilhamos nossa prática com o restante da organização e da comunidade

 

Lucas Tauil de Freitas ajuda organizações a mudar sua rota. Para saber mais: [email protected]


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