Como acalmar a ansiedade

  • TEXTO Lucas Vasconcellos
  • FOTOGRAFIA Carolina Heza (Unsplash)
  • DATA: 11/05/2021

Em uma sociedade conturbada como a nossa, conseguir escutar os sons que nos habitam nem sempre é algo muito fácil. Mas é possível aquietar o coração e reencontrar o equilíbrio, a partir do que a natureza nos oferece.

O incansável movimento dos ponteiros do relógio sempre me intrigou. Quando criança, ao me ver triste, queria que o tempo parasse só um pouquinho para que absorvesse meus sentimentos. Mas o relógio nunca respeitou minha dor. Um grande egoísta, ele me parecia ser. Não importa o quanto precise, ele segue correndo. Ao não acompanhá-lo, a sensação possível é a de estar atrasado. Para o que, não sei. Você sabe?

Com o passar dos anos, aprendi a caminhar na frequência do relógio. Como ele não para, tomei-o para mim, para minhas pausas necessárias. Afinal, quanto tempo tenho? Certa vez, conversando com uma médica especialista em cuidados paliativos, ouvi que o que nos impede de ser feliz é a ilusória ideia de que há muito tempo para vivermos. Sem uma data de quando haverá um fim, nos permitimos postergar as alegrias e deixamos de ouvir o que o coração deseja. Há um universo oculto, que só se torna visível quando nos desprendemos da cobrança social para estarmos sempre produzindo e alcançando metas.

O tempo precisa ser preenchido, sempre que possível, com aquilo que traz satisfação: desfrutar, com calma, de uma xícara de café no meio da tarde, ou tirar alguns minutos para se deitar no tapete da sala, apenas olhando para o teto. No final da noite, é preciso ter orgulho do dia vivido. Quando o tempo se torna nosso, é possível se autoconhecer e exercer o direito de experimentar ser quem é, fazer o que gosta. O desafio é equilibrar o caos externo, de uma sociedade promotora de ansiedade, com o infinito particular, por vezes já agitado.

Respiro mental

O mapa da saúde mental no Brasil aponta crescimento exponencial no número de pessoas que sofrem com ansiedade, estresse e depressão, entre outros transtornos. Estar no momento presente é estar ansioso. Os acontecimentos em diversas esferas sociais validam o sentimento. Mas, apesar do transtorno ser incômodo, é também um convite para olhar para além da situação que se apresenta, sugere Maria Cecilia Moraes Antunes, engenheira química consultora da Weleda.

acalmar ansiedade

Marina Vitale (Unsplash)

Quando paralisamos diante do medo, das incertezas e da sensação constante de que algo ruim está vindo em nossa direção, é hora de parar e acolher os sentimentos com humanidade, voltando a atenção para o que importa: o interno. Na jornada do autoconhecimento, entender quais são seus limites é fundamental, mas para conhecê-los é preciso conseguir se ouvir. E isso não é possível quando o barulho interno está alto. Que sons habitam você hoje? Um ombro amigo, um profissional de saúde ou a natureza são aliados para encontrar a calmaria necessária. “Pedir ajuda não é a mesma coisa que desistir, é se recusar a desistir”, escreveu Charlie Mackesy no livro O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo (editora Sextante).

Um olhar completo

Quando pensamos em nos cuidar, é preciso pensar em continuidade e integralidade. A antroposofia – que entende a natureza como fonte de saber para cuidar do ser humano, bebe da ancestralidade e dos conhecimentos antigos na manipulação de ervas, mas respaldada pela eficiência da ciência e seriedade dos órgãos de vigilância sanitária – tem esse olhar. Ao contrário dos medicamentos alopáticos, que oferecem efeitos rápidos nos sintomas, essenciais em diversos casos, os antroposóficos buscam cuidar da saúde com constância. É como se, ao invés de amortecer os sintomas, tratasse, criando recursos internos para que as patologias cessem no tempo. É o que faz o Bryophyllum Argento cultum, da Weleda, um auxiliador no tratamento da ansiedade, angústia e irritação. Criado a partir da planta Bryophyllum, o vegetal é cultivado por três anos em terra enriquecida com prata – a união do mineral com o vegetal permite ao nosso organismo se ajustar novamente. “A gente não quer sofrer nada, mas lidar com um certo desconforto é o que nos faz amadurecer e ganhar força. Ao contrário da crença, a doença não surge do nada, logo, faz sentido pensar que, para restabelecer a saúde, é preciso cultivá-la”, aconselha Maria Cecília.

O caminhar dos ponteiros do relógio sempre seguirá cronometrado, ignorando as individualidades de cada um. Oposto ao tempo íntimo – por vezes apressado demais, outras, tão lento – mas tão único. E você, aprendeu a lidar com seu tempo, aquele que você precisa para se compreender?


POSTS RELACIONADOS

EDIÇÃO DO MÊS

Edição 232, junho de 2021 COMPRAR

TAMBÉM QUERO COMENTAR

 

Campos obrigatórios*