Autocrítica | Ouvindo Vida Simples

Neste episódio, Sandra San faz a leitura do texto “Autocrítica”, edição 207″, de Jeanne Callegari.

Produção de áudio: Ogro

Edição do portal: Margot Cardoso

Direção geral: Lu Pianaro e Isis de Almeida.


“Não acredito que você fez isso”, ela disse. “Como pôde achar que era a decisão certa? Foi errado.” “Você fez errado.” “Como consegue? Você faz tudo sempre errado.” A dureza das palavras, especialmente das últimas, me chamou a atenção. Não porque viesse de uma amiga, de um companheiro ou de um parente particularmente cruel — nesse caso, eu poderia contestar; dizer que a pessoa estava exagerando, que não era verdade.

Assim, poderia simplesmente me afastar, caso o julgamento fosse recorrente e eu percebesse se tratar de um relacionamento tóxico. Entretanto, o problema era que as palavras vinham de uma voz que está sempre comigo. Logo,  não dava para escapar. Aonde quer que eu fosse, lá estava ela.

Dessa forma, ao contrário do que faria com um colega que me dissesse as mesmas coisas, eu não conseguia protestar. Acreditava na voz e me sentia péssima. “É verdade”, pensava. “Faço tudo sempre errado. Até um relógio quebrado consegue acertar duas vezes por dia, mas eu não. Deve ser uma espécie de recorde.”

Autocrítica

Essa voz tão dura, sempre com um chicote na mão, pronta para atacar ao menor sinal de erro, é aquilo que chamamos de autocrítica. Todos temos a nossa versão dela. Talvez a sua não seja tão cruel – minha voz sempre gostou de um melodrama. Mas mesmo quem tem a sorte de possuir uma voz mais razoável às vezes pode se ver em dificuldades, lidando com padrões e expectativas impossíveis de alcançar.  ||| Se preferir pode continuar a ler aqui o texto Os danos da autocrítica. |||


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