A vida acontece aos acasos

  • TEXTO Marcelo Marques Júnior
  • FOTOGRAFIA Philipp Forster | Unsplash
  • DATA: 28/06/2021

A vida nem sempre acontece com planejamento ou vislumbre. Às vezes, ela vai se construindo aos acasos, sem a reflexão necessária.

 

A vida acontece. A busca, por si, não é a vida. Não adianta a ânsia; a espera; o desencanto. A vida acontecerá. Ninguém pausa a vida. Ela segue, independentemente da vontade. É certo que a busca é importante, ela é o horizonte. Entretanto, a vida é o agora, os grãos de areia que grudam nas solas dos nossos pés. A vida acontece aos acasos.

Nesse sentido, “ao acaso”,  indica que o horizonte pode não chegar. Ou então, que ele não exista. E, assim, ao acaso se encontram novos rumos; encontra-se algo que faça sentido. Ao acaso se encontra a felicidade. Assim, o “acaso” é o caminho e, penso, então, que a felicidade pode ser a maneira que lidamos com os “acasos” que batem à porta.

Ele (o “acaso”) pode, então, tanto ser maravilhoso, como desastroso.

Ano enigmático

Para ilustrar este pensamento que tanto me acalenta, convido-os a retomarem meus passos comigo. O ano de 2016 foi um ano enigmático. Prestes a completar 25 anos, recém formado, embora ainda restassem mensalidades da faculdade em aberto. Entretanto, eu acreditava que seguiria carreira no emprego que estava, sem saber dos inúmeros acasos que viriam.

Naquele ano, após alguns outros sem tal proeza, consegui uma semana de férias e fui para a praia, num carnaval que poderia muito bem ser momento de comemoração. Para a minha surpresa, dia após dia, as nuvens carregadas lavavam a areia da praia de volta para o mar e, com elas, pouco a pouco, a esperança de uma comemoração.

Aproveitar o acaso

Entre um “acaso” e outro, logo a após a chuva, encontrei uma senhora na praia. Não parei para conversar, mas consegui registrar uma imagem dela. Mesmo sem trocar uma só palavra, aquela cena fez raiar uma nova maneira de encarar aquela situação. Não falo em conformismo, mas, sim, no exemplo de que era possível aproveitar a praia naquele raro momento de temperatura amena.

A vida me sorriu daquele dia e, mesmo sem compreender totalmente aquele momento, guardei comigo a imagem daquela senhora que, ao longo dos anos. Serve-me como âncora para realizar que a vida está acontecendo, a todo momento.

É preciso vivê-la.


Marcelo Marques Junior

Advogado Tributarista, pós-graduado em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas,  é Secretário da Comissão de Direito Tributário da OAB – Santo André

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Edição 237, novembro de 2021 COMPRAR

COMENTÁRIOS

  • Geraldo

    O grande desafio que tive ao cursar Administração foi que na literatura do Curso tem Planejamento e, eh algo que eu nunca “exercitei”! Minha tia atuou na liturgia da Igreja e tanto ela quanto o coral, comentavam que na hora do “valendo” nem sempre a leitura ou a música saiam com a “performance” do ensaio. Ai eu comentava a vida não tem ensaio e nem podemos reviver um momento como queríamos ter vivido, mas nesse caso, deixar tais momentos no passado, como aprendizado! Devemos evitar também comparações e, sabermos o momento de somar! Teve um advogado que ficou, digamos “impressionado”, com meu desempenho nas aulas dele que buscou saber se eu iria cursar Direito, depois de me formar em Administração. Ai é o contexto que a vida nos ensina: encontros e desencontros; como professor poderia ter incentivado a cursar Direito, afinal o que “diferencia” os profissionais é a vocação, da habilitação por si só, digamos assim! No mais, quem é da minha geração sabe: começamos usando a máquina de escrever, carbono, lápis borracha, sem imaginar que 36 anos depois, estaria se comunicando por celular. Que a máquina telex, precursora dessa tecnologia, teria um tamanho tão reduzido! Viver é isso: sem script a seguir e, pedindo de nós a humildade, de pedir ajuda sempre que precisarmos, reconhecendo quem possa nos ajudar, assim é ou deveria ser viver em Sociedade: colocando os dons em prol do bem comum!

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