Será que você precisa de coaching?

  • TEXTO Lucila Lobo
  • FOTOGRAFIA Jamie Street | Unsplash
  • DATA: 31/01/2019

Fazer coaching está na moda. Por mais que, como coach e designer de carreira, eu queira atender ao maior número de interessados, é possível que neste momento você não precise de mim. Então preparei esse texto para que você só procure um profissional como eu se estiver, de fato, no momento propício para isso, pessoal e profissionalmente.

Se você tem dificuldade de tomar decisões, sejam elas de natureza pessoal ou profissional, você não precisa de um processo de coaching, mas de counseling. Um conselheiro pode ser contratado, com base no seu profundo conhecimento sobre um tema específico, ajudá-lo a sentir-se mais confortável ao fazer escolhas difíceis. Em vez de um processo, o trabalho é bastante pontual e pode se restringir a uma única reunião: você pede e recebe aconselhamento e a relação termina. Se você não quer pensar a fundo sobre um determinado tema, apenas ouça os conselhos. A partir daí,  fica a seu cargo como aplicar as informações obtidas ou como executar sua decisão.

Se você quer ser acompanhado de perto por um profissional experiente que compartilhe aprendizados e mostre o caminho das pedras, você não quer um coach, mas um mentor. A mentoria é um processo conduzido por alguém que, preferencialmente já passou por diferentes experiências e carrega consigo um alto grau de sabedoria sobre um negócio, mercado ou atividade. Em algumas organizações é possível, por exemplo, que um diretor se torne mentor de um gerente. Também pode ocorrer de a mentoria ser prestada por um profissional independente. Nesses casos, a relação entre mestre e aprendiz parte do uso de uma experiência consolidada para desenvolver novos talentos e potenciais.

Se você quer um solucionador de problemas, você não precisa de coaching, mas de consultoria. O consultor é o profissional recomendado para quando se busca uma resposta sobre o que fazer diante de um desafio. Seu trabalho identifica, observa e analisa os principais elementos da questão que se procura solucionar. A partir desta análise, ele propõe um conjunto de ações capaz de acabar com o problema e pode, inclusive, executar essas ações por si próprio. Outra possibilidade é que ele explique aos envolvidos o que deve ser feito em cada situação. Consultores podem ajudá-lo na constituição de uma empresa ou desenvolvimento de plano de negócio, por exemplo. Mesmo se o seu problema estiver relacionado a algum aspecto da vida privada e você quer um modo de agir, você também não precisa de um coach, mas de consultoria em organização pessoal, estilo e boas maneiras.

Se você quer resolver uma questão relacionada a eventos passados, sejam eles de ordem física, psíquica e emocional, que por algum motivo o impede de trabalhar e se relacionar, talvez você também não precise de um coach, mas de um terapeuta. O foco de um processo terapêutico diz respeito ao entendimento, à elaboração e à ressignificação de questões subjetivas e inconscientes que bloqueiam sua expressão ou convivência com determinadas pessoas ou grupos, ou ainda a capacidade de tolerância e superação de determinados eventos – ou todas essas coisas juntas.

Agora, se você quer encontrar em si mesmo os caminhos para dar conta de todos os desafios descritos acima, então é possível que você esteja em busca de um processo de coaching. Em inglês essa palavra quer dizer “treinamento” e é justamente isso: com a ajuda de um profissional (o coach) e encontros periódicos, são praticadas novas formas de pensar, agir e sentir.

Um coach parte do pressuposto de que você é o especialista da sua vida. Não existe ninguém melhor para saber o que funciona e não funciona e quais seus verdadeiros anseios, medos, desejos; ou quais seus valores e princípios e o que trás motivação ou frustração. Um coach não dá respostas. Ele faz perguntas. A premissa é: você já tem todas respostas e, por algum motivo que será investigado durante o processo, não está fazendo uso dessa vantagem competitiva tão bem quanto poderia. Talvez nunca tenham lhe ensinado isso ou ensinaram e você se esqueceu. Pode ser que você tenha se desenvolvido, mas continue se comportando como uma versão desatualizada de si mesmo. Ou então você ainda não parou por tempo o suficiente para prestar atenção em si, para se ouvir, para entender seus próprios pensamentos, sentimentos e forma de levar a vida.

É possível também que você até tenha feito todas essas coisas, mas por questões relacionadas a medo, insegurança, controle emocional, falta de clareza, entre outras, você escolheu não avançar. Pior, você escolhe recuar, atacar, se defender e dar a outrem um poder que bem poderia ser usufruído por você. Como fazer uma pessoa pensar melhor por ela mesma e encontrar dentro de si todas as respostas que procura? O processo de coaching permite que se aprenda o funcionamento dessa dinâmica: qual pergunta eu preciso fazer para lidar com determinada situação? Quais perguntas eu tenho evitado fazer? Por quê? Não raro, um processo de coaching mostra aquilo que a pessoa não só tem dificuldades, mas também o que ela não quer ver.

As perguntas incomodam, mas descobrir, com a ajuda de um profissional, que para todas as perguntas há uma resposta interna, é libertador. Cria-se um senso de empoderamento e protagonismo diante da própria vida. Quando isso acontece, percebe-se com clareza como, quando, onde e o quê precisa ser feito para implementar a solução alcançada. E nessa fase o coach apoia a construção e o planejamento de ações. Assim como muitas pessoas dizem nos aplicativos de relacionamento que o objetivo delas é sair dali, o objetivo de quem faz coaching é sair do coaching, tornando-se o personagem principal das histórias por trás de suas conquistas.

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Edição 210, agosto de 2019 ASSINAR
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COMENTÁRIOS

  • Mônica Samaha

    Lucila desculpe mas a sua visão de terapia está equivocada e incompleta … o processo terapêutico inclui claro a história da pessoa mas é muito mais que isso… é auto conhecimento, é rever inclusive metas , objetivos , varias linhas da Psicologia tem como cerne que o indivíduo é o autor da sua própria vida , que ele inclusive tem as respostas dentro dele … cuidado pq a visão resumida que vc está passando aos leitores está incompleta … hj a Psicologia tem Ns linhas e está de tratar coisas do passado é de séculos atrás…

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    • Lucila Lobo

      Ola, Monica.
      Você talvez tenha razão, quando chama a versão de incompleta. Não sou psicóloga, só alguém da área poderia escrever com a riqueza de detalhes que você trouxe. Também não foi escrito com viés jornalístico. Como o próprio título diz, o foco do conteudo é trazer informações sobre o coaching. Trouxe nele dúvidas frequentes e que acabam trazendo confusão na hora de escolher um profissional em momentos de crises.
      Sua explicação no comentário é necessária e pertinente. Daria um excelente texto, porque você não escreve também?

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  • Ana

    Não sei sua formação, mas sinto muito acerca da sua visão da Psicologia! Está muito restrita…Tenha mais cautela ao falar sobre demais profissões para que não induza os leitores a interpretações rasas.

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  • Andrea

    Gostei muito do esclarecimento do que é coaching, resumindo também o que é mentoria, aconselhamento e outros processos.

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  • Lucila Lobo

    Olá Monica Samaha, agradeço sua visão crítica. Talvez você tenha razão quando diz que minha visão está incompleta. Não sou psicóloga, não teria como descrever o que você e outros profissionais fazem, tão bem quanto vocês. O texto também não é jornalístico.
    Como o próprio título já antecipa, o texto é sobre o coaching. E todo o conteúdo é focado nesse tema, tendo como pano de fundo as dúvidas mais frequentes na hora de escolher um profissional para lidar melhor com momentos de crises e conflitos, pessoais e profissionais.
    Suas considerações são relevantes, porque você também não escreve um texto sobre isso?

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  • Mayra

    O texto é bom, mas acredito que você descreveu a psicologia de forma meio equivocada. Não se trata só de elaboração de passado. Mas de auto conhecimento, de busca por sua própria voz, melhor compreensão de si e de suas escolhas. Como sei disso? Sou psicóloga. Entendo o argumento que você usou na crítica acima, dizendo que não é psicóloga, não poderia descrever com profundidade. Bem, você poderia ter pesquisado mais um pouco, ou especificado que essa é a forma que VOCÊ vê a profissão.
    Fora isso, texto bem bacana.

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  • Adriana Clautenes

    Sua visão sobre terapia é incompleta e equivocada. uma pessoa que faz psicoterapia é capaz também de superar obstáculos, definir objetivos, rever metas, estadia-las e fazer “sua vida acontecer” e se dar conta que ela é agente da sua vida e não paciente. Há correntes da psicologia, como a Humanista, que trata do presente, o aqui e agora, o passado só é trabalhado presentificado. Essa visão de que a psicologia trata de coisas do passado é da época que a psicologia nasceu. Aprofundando sobre esse boom da profissão de coaching tem muita a ver com uma teoria que usa o termo “empreendedor de si”, tem a ver com o capitalismo em sua fase ultra neoliberal que trata o sujeito como empresa e como tal aplica leis da administração em sua vida. Pelo título do artigo achei que encontraria algo para além da visão ‘mágica’ e já desgastada do coachig de que ele resolve tudo. essa parte do seu texto resume:”Agora, se você quer encontrar em si mesmo os caminhos para dar conta de todos os desafios descritos acima, então é possível que você esteja em busca de um processo de coaching”. uma pena!

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  • Lu Azevedo

    Olá Lucila. Adorei o texto. Esclarecimentos fundamentais. Sou coach e muitas vezes recebo pessoas que não precisam do coaching e sim de algum outro tipo de profissional. Seu artigo e objetivo e esclarecedor. Gratidão.

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  • Fran

    Creio que colocar o coach como a integraçao de todas os outros métodos acima descritos é arriscado. Aponta soluçoes magicas, como se coach fosse uma panacéia que resolve tudo. Achei o texto voltado para marketing. A revista vida simples nunca foi assim.

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  • Mêneti

    Parabéns pelo texto Lucila! Muito esclarecedor! Obrigada por compartilhar!

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  • Katherine

    Texto bem escrito e esclarecedor. Vendeu o peixe? Vendeu. Certíssima, Lucila! Quem quiser que escreva o seu.
    Ah, não sou nenhuma “especialista”, sou apenas uma simples leitora.

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  • Dri Fernandes

    Excelente texto !! Muito esclarecedor !! É muito importante identificarmos sempre de qual tipo de ajuda estamos precisando e a quem recorrer.

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  • Dri Fernandes

    Excelente texto !! Muito esclarecedor !!

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