Ok vida por tudo até aqui mas agora meu caminho é outro

É inevitável a mudança no curso de algumas águas durante a vida. O tempo provoca modificações mais que aparentes. Remove alguns obstáculos e aumenta a visibilidade do horizonte abrindo alguns espaços para podermos nos reiterar. Podemos tentar adiar, prolongar algumas estadias, reunir milhares de justificativas, mas num dado momento é chegada a hora de partir.

Deixar algumas histórias para trás e desviar algumas rotas mexem profundamente em tudo que chamamos de eu. Porque extraviamos uma bagagem que já fez parte de todos os nossos dias, que alimentou o desejo de sentimo-nos satisfeitos e inteiros mas também ressalva o ponto em que reconhecemos com respeito, que tudo o que foi experimentado, merece ser renovado.

É preciso aprender a fazer as malas – sem culpas, sem mágoas ou resistência. Entendendo que a roupa que devemos carregar precisa ser leve, limpa e apropriada para nossas estações. Descartando todo excesso de peso, escolhendo somente o que realmente combina com os próximos dias, com nossa nova viagem.

Fazer as malas é olhar para trás e finalizar alguns percursos, abandonar algumas seguranças. Tendo alcançado o que foi idealizado ou não, reunindo vitórias ou conflitos, conclusões ou ímpetos, é hora de mudar algumas de nossas verdades. Momento de abraçar muitas de nossas dúvidas, de remexer em todas até então certezas.

É dizer: Ok vida por tudo até aqui, mas agora meu caminho é outro. Sem medo dos próprios enfrentamentos, sem esquecer da roupa que serviu até agora, mas escolhendo peças novas, valorizando outras combinações. Deixando por conta do movimento natural de tudo que nos rege, o trabalho de acertar os deslocamentos, as saídas e as entradas, as paisagens e as estradas.

Nada se leva dessa vida senão o que se aprende com o passeio. Faça as malas, vá ao encontro de um cenário mais adequado, aprimore seu itinerário, vista-se de seu melhor passageiro e, confie. Cabe a nós combinar o que nos torna eternamente gratos com o que nos leva a seguir em frente. E cabe à vida, nos mostrar que somos feitos de algumas despedidas e saudades, mas também de bênçãos e recomeços…


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