O que vai ficar na fotografia?

Quero poder olhar para a fotografia, relembrar e sorrir sabendo que, não importa se a fase era das melhores ou das piores, eu estava lá, presente, registrando cada momento, processo e recomeço. 

Sempre gostei de rever fotografia antiga. É um hábito que aprendi, desde pequena, com minha mãe e avó, e que faço questão de cultivar. Pelo menos uma vez por mês, pego a minha caixinha e gasto horas ali. Mas a verdade é que gosto ainda mais de assistir a minha família o fazendo. 

É engraçada a nostalgia pela qual somos tomados entre um registro e outro e as discussões que começam sobre onde estávamos naquele dia, o que estava acontecendo naquela época e quais eram os sentimentos que passeavam por nós com mais força e frequência. 

Foi aí que, em um dia desses em que sentamos mais uma vez para dar um passeio pelo passado, pensei: daqui, sei lá, uns 10 anos, como quero estar olhando para as fotos de hoje? Do que vou querer me lembrar e que vai deixar o meu coração bem quentinho? 

As respostas não demoraram a aparecer dentro de mim: quero olhar para cada uma delas e saber que eu estava depositando minhas energias no que mais faz sentido para mim. Quero sempre me arrepender de ter feito algo que de ter deixado de fazer (especialmente por medo). 

Quero poder ter tomado todos os sorvetes que tenho vontade, escrito todos os textos que não couberam apenas aqui, do lado de dentro, dançado em todos os ritmos que a vida tocou para mim, passeado um pouco pelo mundo, esbarrado em um tanto de gente incrível, não ter trocado a minha verdade pela de ninguém, mas com certeza ter trocado algumas certezas por dúvidas, pois é disso que a vida é feita.

Quero, sobretudo, poder olhar para a fotografia, relembrar e sorrir sabendo que, não importa se a fase era das melhores ou das piores, eu estava lá, presente, registrando cada momento, processo e recomeço. 

E você? 

criancas


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