O lado bom da minha quarentena como mãe

  • TEXTO Jovimari Balotin
  • DATA: 19/05/2020

Fiz nesses dias, por nós, o que em muitos anos tive quem me ajudasse a fazer; havia muitos anos – 12 para ser mais exata – que eu e meu filho não ficávamos tanto tempo juntos

 

Saí de casa dia 06/03. Destino: Curitiba. Objetivo: assistir à apresentação da dissertação de Mestrado do meu filho. Previsão de dias fora de casa: 10, talvez 20. Realidade: 50 dias e cá estou eu, ainda.

Havia muitos anos – 12 para ser mais exata – que eu e meu filho não ficávamos tanto tempo juntos. Ele saiu de casa com 16 anos e desde então, entre lugares e distâncias, entre férias e passeios, nos encontrávamos para abrandar a saudade e eu confirmar que o meu amor de mãe estará sempre presente. Embora com a presença ele se fortaleça e engrandeça muito mais os nossos corações.

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Fiz nesses dias, por nós, o que em muitos anos tive quem me ajudasse a fazer. Principalmente enquanto o Felipe era pequeno e eu trabalhava horas seguidas e ficava bastante tempo fora de casa. Limpei, cozinhei, lavei. Aliás, cozinhei como nunca o fizera em toda minha vida. Me descobri cozinheira de mão cheia, como dizia minha Nona Olga. Fiz pratos bonitos, inventei misturas e sabores que ficaram lindos e deliciosos. Sem perder nada, sem sobras e sem restos, fomos bem alimentados com as diversas cores e grãos que tão bem enriquecem e nutrem nosso corpo.

Novos tempos de mãe

Fiz comida de domingo na sexta-feira, assei carne (às vezes, frango) no forno. Fiz café da manhã às 11h30. Também fiz jantar às 17h quando o almoço foi pulado. Não houve muito respeito às regras gerais: podia comer doce antes do almoço ou desistir da salada como entrada. Bem diferente da época em que eu era mãe de uma criança e acreditava que ser regrada era mais importante do que ser leve e comer quando tivesse fome.

Fui à feira, ao mercado, às corridas, às caminhadas, ao sol, à sacada. Sentei na grama do parque e ouvi muitos passarinhos nos silêncios das manhãs da cidade grande. E fiquei um monte na cozinha.

Enquanto ele trabalhava seguidamente, dia após dia, horas e horas de home office, eu me empenhava em deixar nossa “casa branca da montanha, com varanda e flores”. Que nada mais é que um studio moderno, lindinho, com 36 metros quadrados, aconchegante e com cheiro e sabor de lar.

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Assim seguiram os dias entre leituras, abraços, escritos, conversas, tentativas de meditação, alguns filmes, muitos risos, exercícios, preocupação pelo momento e agradecimentos pelo que temos. Tudo com equilíbrio e sem esquecer que na vida tudo passa. Que somos efêmeros demais para não nos esforçarmos em aprender a lição dada em cada fase da vida.

Semana que vem eu voltarei para casa, eu acho! (Talvez de carona, de ônibus ou avião, depende das ofertas.)

Nesses dias, o céu na capital do meu Paraná, quase sempre tão cinza, foi de uma beleza transcendental, universal, azul e maravilhosamente energizante nessa temporada. E tenho certeza que este céu exuberante, apesar de tudo ao redor estar diferente, foi um espelho de dias estranhos, mas apesar de tudo muito bons por aqui!


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