Nossa casa são as pessoas que amamos, as histórias que somamos, a vida que juntos criamos

Sair do ambiente de costume, respirar novos ares e nos colocar em diferentes cenários, traz alegria, satisfação e também crescimento e realização. É importante mudar algumas rotas, sair do círculo que percorremos diariamente para nos conectarmos com outras facetas de nós mesmos.

O curioso é que por mais que rotina possa ter um tom de monotonia, que ousemos repetir que mudanças são necessárias, existem alguns lacres que permanecem. Existem certos acordos que são intransponíveis, são nossos pactos eternos com a casa que habita em nós.

Meu filho costuma dizer que a casa somos nós, que o lugar, a cidade e o país pouco importam.

Já mudamos algumas vezes, por motivos impostos, pelas escolhas que fizemos, para tentar encontrar ou resgatar algo de que precisávamos. Casa não é o espaço físico, nossos cômodos, portas e janelas, camas e panelas. E sair de casa, não requer a morte ou a perda de tudo que construímos, mas é carregar para outros horizontes, o que foi erguido com bases resistentes e que é sustentado com valores únicos, dentro de cada um.

Ninguém abandona o lar que está firme do lado de dentro, não há espaço luxuoso que substitua o conforto da própria morada e não há ambiente sofisticado que valha mais que a simplicidade enraizada por longos anos na casa que carregamos. Tudo passa, concretos e tijolos, cidades e estradas, etapas e momentos. Fica, apenas, o que não se desfaz independente do tamanho, da viagem, e tampouco da fachada.

Nossa casa é quem nela vive, quem acorda em nossos pensamentos, quem não sai de nossas orações, quem continua, sem esforço e por vontade, apesar da distância e do tempo. Nossa casa são as pessoas que amamos, as histórias que somamos, a vida que juntos criamos. Casa é memória de cheiros, é repouso e calmaria. É colo e cafuné, é aquele convicto “venha o que vier” que resgata o que de mais concreto possuímos, que sobrevive a tudo – pois será sempre abrigo, amor e fé.


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