Não basta ser genial: a coragem de agir com o coração 

  • TEXTO Luisa Torreão Lasserre
  • FOTOGRAFIA Istock
  • DATA: 05/09/2019

Tem filmes que nos ganham pelo enredo, pela trilha sonora, pela fotografia. Outros nos marcam por uma frase. É o caso de Green Book, que levou o Oscar de melhor filme com a história, baseada em fatos reais, de um músico negro que percorre o sul dos Estados Unidos com um motorista branco, em meio ao cenário de segregação racial ainda existente na década de 60.

Em um determinado momento, um personagem secundário diz a frase que vale por todos os diálogos: “Não basta ser genial, é preciso coragem pra mudar o coração das pessoas.” Ele se referia ao talentoso pianista Don Shirley, que não se contentou em permanecer em sua zona de conforto para levar sua música a outros públicos, mesmo enfrentando duros preconceitos, e ainda desafiando a crença de que negros não deveriam tocar música clássica.

É, não basta ser genial. Provocar uma transformação nas pessoas e no mundo requer algo mais. Muitas vezes é necessário abrir mão do conforto do que já é familiar para desbravar terrenos desconhecidos. Se desapegar de conceitos seguros, se desprender, mergulhar mais fundo.

Artistas e profissionais geniais já fizeram grandes coisas. Com inteligência e talento dá pra escrever um livro arrebatador, gravar um disco belíssimo, construir um monumento incrível, rodar um filme marcante. Mas mudanças são provocadas por atos de coragem. De quem a gente, às vezes, nem conhece, mas que lutou por algo além das suas fronteiras pessoais.

E também por atos corajosos de nossa parte.

Talvez aí esteja a grande e maior coragem que precisamos: a de transformar o nosso próprio coração. Árdua tarefa. Demanda trabalho incansável, persistência, determinação. Requer olhar pra dentro com clareza e sinceridade, fazer as perguntas certas e seguir a jornada em busca das respostas. O que há aqui de verdade? E o que precisa ser mudado? 

Sem coragem não vamos adiante. Diferente do que pensam por aí, é justamente dela que precisamos para baixar a guarda e nos desarmar, acolhendo a si e ao outro.

Ultrapassar nossas fronteiras internas, desfazer nossas próprias amarras e limpar o terreno das tralhas que carregamos. 

Um coração abarrotado não tem lugar  pra mudanças. É preciso abrir espaço. Pra chegar ao coração das pessoas é preciso também, primeiro, colonizar o nosso próprio com melhores sentimentos e atitudes perante à vida. Sim, precisamos da inteligência, ela nos leva a alguns lugares importantes. Mas podemos ir além e tomar pra si a coragem de agir com o coração.

> Coragem é o tema da capa de vida simples de setembro. Saiba mais sobre a edição aqui.


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