Insista até entender a lição

  • TEXTO Wal Reis
  • DATA: 27/08/2020

Seja em que situação for, é sempre bom reler o capítulo. Revisitar alegrias e tristezas, tentando tirar a lente cor-de-rosa que, em tempos de ruptura, teima em filtrar momentos ruins e nos entrega somente boas lembranças

 

Eu não gosto de conselhos pasteurizados. Desses prontinhos, que todo mundo repete sem pensar na tremenda bobagem que está falando. A pessoa acabou de ser expulsa de um casamento, foi demitida ou descobriu que seu melhor amigo – que, portanto, nem era tão amigo assim – colocou sua foto bêbada na rede social e vem algum pagão dizer: “esquece isso, vira a página”.

Perfeito. Como não pensei nisso antes? Só um minuto que vou ali lavar o rosto e zerar o cronômetro. Assim fico apto para ouvir os seus problemas, aqueles que realmente importam.

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Tem uma coisa que se ninguém reparou até agora, deveria reparar: a vida te cobra aprendizagem. E cobra mesmo, como aquela professora de matemática particular, que sua mãe contratou a peso de ouro. Enquanto não se aprende, a lição será repetida. Mudam os cenários, mudam os personagens, mas a matéria é igual.

O que houve?

Sabe o amigo super legal que te causa pena porque não para em emprego nenhum? Tão inteligente, tão capaz e afirma que existe uma teoria da conspiração contra ele. Mas um dia você é o colega da mesa ao lado e descobre que truculência é seu sobrenome. E o fulano vai virando as páginas da Carteira de Trabalho, sem humildade para aceitar que a única teoria da conspiração é sua sabotagem.

Em relacionamentos não é muito diferente. Lembro de uma amiga que me ligou tarde da noite, desesperada porque o namorado tinha, “de repente”, resolvido sair de casa. Ela repetia não entender o que tinha feito de errado.

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Respondi que talvez tivesse uma pista: “quem sabe não gostava muito quando sugeria, em reuniões sociais, que ele era ruim de cama? Ou ficasse um pouco constrangido ao ouvir que a casa era sua e mantê-lo ali era um favor? Ou talvez tenha se aborrecido com coisinhas miúdas, como quando você se negou a viajar para o aniversário de 80 anos da mãe dele. É só um palpite.”

Chorou e se descabelou uma semana.

Sim, ela tinha virado a página. Para trás

Na seguinte afirmou que tinha virado a tal página e já estava de namorado novo. Logo moravam juntos. E logo estava falando mal do companheiro para quem quisesse ouvir, criticando cada passo que o infeliz dava. E também logo tomou outro passa fora, bem parecido com o anterior.

Seja em que situação for, é sempre bom reler o capítulo. Revisitar alegrias e tristezas, tentando tirar a lente cor-de-rosa que, em tempos de ruptura, teima em filtrar momentos ruins e nos entrega somente boas lembranças. Chorar todas as lágrimas, entender a culpa que nos cabe nesse latifúndio e dar aquele pulinho no fundo do poço.

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Afinal, dali tiramos o impulso para emergir. E, então, ao voltar à superfície você já não será mais o mesmo. E aí sim é hora de virar a página para escrever uma outra história, com mais chances de ter um final feliz.


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