Festa junina com amor

  • TEXTO Maria Gabriela Guidugli Pedreira
  • FOTOGRAFIA Bricolage/Shutterstock
  • DATA: 06/07/2020

Neste ano, a festa do amor foi suspensa pelo isolamento. Resta a lembrança emocionada ao som da música Luar do Sertão

 

Quem me conhece sabe que eu amo festa junina. Amo ver gente reunida em torno de uma tradição, a combinação de frio e fogueira, observar as crianças brincando com coisas simples, comidas de barraquinha, quadrilha, quentão! Festa junina, pra mim, tem sabor de afeto.

Lembro, sobretudo, do frio na barriga que sentia na hora de dançar a quadrilha na apresentação da escola. Também me recordo da alegria de aproveitar todas as brincadeiras típicas de uma boa festa: pescaria, bola na boca do palhaço, argolas nas garrafas.

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Tenho carinho especial por uma festa junina feita pela minha mãe, com a ajuda dos meus tios, para comemorar antecipadamente meu aniversário (que é em julho e sempre cai no meio das férias escolares). Uma festa daquelas de antigamente, mas com absolutamente tudo feito em casa, sabe?

Bandeirinhas recortadas pelas tias, pescaria improvisada pelos tios, carne temperada pela minha mãe para servir no espeto, pipoca feita na hora e gelatina no copo feito pela minha abuela (aniversário de antigamente não podia faltar a gelatina no copo). Tudo feito com tanto, mas tanto amor! Foi a melhor festa de aniversário que já tive.

Renovação

Já na adolescência, festa junina tinha cheiro de romance. Decerto, era a melhor data para declarar um amor escondido. Enviar ou receber, muitas vezes de forma anônima, frases de carinho improvisadas num papel cartão em formato de coração. Deixava qualquer um com o estômago cheio de borboletas.

Aí a gente cresce mais um pouco, sai o correio elegante e entra o namorado. As festas juninas tradicionais na família dele eram uma oportunidade de também fazer parte da família.

Com a chegada da maternidade, o ciclo de afetos das festas juninas parece se renovar. Agora a emoção vem com a apresentação de dança dos filhos e sobrinhos. O romance continua no ar, e me faz lembrar daquele frio na barriga quando vejo meu filho pré-adolescente entregar seu primeiro correio elegante.

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Tem também o amor por estar cercada dos melhores amigos. Nunca fui a festa junina sem eles. São horas de conversas e risadas no meio do gramado, em volta da fogueira.

Primeiramente, comecei falando que festa junina tem sabor de afeto. Me dei conta, enquanto escrevia, de que não é qualquer afeto, é gosto de amor! Neste ano, a festa do amor (posso chamar assim, né?!) foi suspensa pelo isolamento. Resta a lembrança emocionada ao som da música Luar do Sertão.


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