Cores e sala de espera

  • TEXTO Cristina Cotrim
  • DATA: 24/09/2020

Somos, sobretudo, parte da natureza. Somos muita coisa. E você, quem é?

 

Se eu fosse uma cor, seria laranja. Quase vermelho, sabe?!

Posso ser azul, mas o azul que se confunde fácil com o verde. 

Desconfio de que entre todas as cores, caiba o amarelo, que parte para o tal laranja. 

(Tomara!)

E um verbo? Não sei exatamente que verbo seria, mas com certeza seria um verbo transitivo. Transitivo Direto e Indireto.

Intransitivo, penso, é triste. Solitário sem a escolha de ser. Intransitivo por imposição e falta de flexibilidade.

Morrer em vida é intransitivo. Já morrer de…

Viver. Há viveres intransitivos. Nascem sem coragem. Não ousam compartilhar, dividir, sofrer… já nascem condenados à morte intransitiva.

Justo e poético. Aqui, na sala de espera.

somos

Gosto dos viveres transitivos. Diretos ou indiretos, que atingem outras vidas. Sim. Amo esses viveres TDI

Também invento conjugações, mas são tantas, que não terei tempo de escrevê-las agora.

Não me defino com relação as plantas… Gosto de todas! Sem exceção. 

(Transitamos) Sem dúvida. Sem culpa.

O mesmo acontece sobre os animais. Animal já sou, né?! Essa mania de sermos humanos. Tentativas de nos tornarmos intransitivos.

Transitiva direta e indireta

Música. Tom! Sou grave.  De nascença, sou grave.

 

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Um tempo… o tempo dos ventos. Fortes ou brisa. Não importa. Não escolhi esse estado. Aceito, harmoniza, então liberto com ele.

Assim, não escolho a paisagem.  Com esse tempo inato, transitamos por todos os lugares.

Ouvi meu nome. Confiro a senha. Chegou mesmo minha vez.

Salas de espera são números, cadeiras marcadas para viagens dentro da cabeça de vento.

Vento forte, porque nem tive tempo de escolher qual número seria…

Espera ouvir alguém me chamar pelo que sou: 

Animal de cores, que se veste das plantas, transita através dos ventos, pelas paisagens escolhidas, de verbos graves, que aceita os viveres. TRANSITIVA DIRETA E INDIRETA. Sempre.

Animal maluco que divaga feliz na sala de espera.

 

Cristina Cotrim [email protected]

 

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