As saudades que sinto…

  • TEXTO Terezinha Ribeiro
  • DATA: 08/06/2020

Apesar das saudade de lá, sei que depois que tudo isso passar, também vou sentir falta desta nova realidade que tenho construído. Aqui tudo é menos: menos consumo, menos correria, menos movimento, menos acúmulo

 

Nossa vida foi redimensionada para um novo cenário. Hoje, “lá fora a rua vazia chora”, parodiando a letra da canção de Nando Reis, que traz, em uma graduação diferente, é claro, um pouco da nossa atual verdade. Do lado de cá, paro e reflito sobre as saudades que sinto. Afinal, muitas coisas que ficaram do lado de lá deixaram uma saudade imensa…

Os contatos, os abraços, a família, os passeios, o mar, as viagens, os cafés, a voltinha no centro da cidade e no shopping, enfim… o cheiro e o afeto de gente da gente, que agora está do lado de lá. Mas, essa saudade de lá é saudável e nos ensina a apreciar o que tem de bom do lado cá, afinal sempre há perdas e ganhos.

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Minha relação com o meu entorno está mais perceptiva e sensível. Tem dias que estou trabalhando e paro por um momento para ouvir o barulho da chuva ou o canto dos pássaros – será que a cidade está mais silenciosa ou fui eu que me silenciei internamente? Outras vezes, me levanto e vou simplesmente caminhar descalça sobre a grama ou “arrancar os matinhos” insistentes que nascem no meio dela. Que sensação de total desconexão! Ou melhor: que profunda conexão homem-natureza! Ali, estou integrada e sinto que faço parte de algo muito maior.

Vamos sair melhores e mais fortes

Apesar das saudade de lá, sei que depois que tudo isso passar, também vou sentir falta desta nova realidade que tenho construído. Aqui tudo é menos: menos consumo, menos correria, menos movimento, menos acúmulo, menos coisas, menos riscos, menos roupas; menos e menos que se transformam em mais. Mais reflexão, mais simplicidade, mais gratidão, mais qualidade nos contatos, mais equilíbrio, mais valor, mais vida.

Enfim, mais autoanálise. Depois dessa experiência, quero sair desse lado de cá melhor e mais forte para viver do lado de lá, de forma mais plena, mais simples, mais verdadeira e, acima de tudo, respeitando a minha essência. Quero levar na minha bolsa da vida somente os ‘mais’, porque os ‘menos’, vou deixá-los todos desse lado de cá.

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Aprender com esta vivência e querer mudar é o que vai trazer a minha transformação, afinal as melhores ‘coisas’ da vida não são ‘coisas’. Valorizar o essencial é ver o significado do detalhe, da simplicidade, da naturalidade que está disperso nos pequenos fragmentos do nosso dia a dia.


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Ao olhar para nossas emoções, compreendemos que a estabilidade é um empenho permanente. O caminho para harmonia surge quando estamos bem com nós mesmos.



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