Acredito que foi pelo melhor!

  • TEXTO Andrea Ferrara @andreafferrara
  • FOTOGRAFIA Mayur Gala | Unsplash
  • DATA: 18/12/2018

Quem já não se pegou agradecendo pelo tabefe que levou da mãe, do pai ou até mesmo da professora? Quem já não achou que foi exatamente aquela situação ruim que o tornou uma boa pessoa? Quando pensamos sobre a educação que tivemos, é comum nos lembramos de punições. Com frequência, ouvimos afirmações como: “no primeiro palavrão que falei, levei um tapa bem dado na boca e nunca mais me atrevi a dizer outro”; ou “não fiquei traumatizado e por isso virei gente”.

Afinal, será que nos tornamos pessoas respeitosas exatamente por causa daquele castigo exemplar? Então, somos bons pelo pior que recebemos algum dia? De certa forma, sem percebermos, acabamos subestimando a capacidade de aprendermos e de ensinarmos a fazer o que deve ser feito sem ser pela via da recompensa, da ameaça e do castigo.

Eu acredito que o que forma um bom cidadão é um conjunto de vivências e de exemplos melhores e mais felizes do que aquele tapa, vergonha, cintada, culpa, choro, angústia, escândalo, medo, humilhação ou punição.

O que faz a criança se tornar um adulto socialmente e emocionalmente saudável é o equilíbrio, o tempo junto com os pais, avós, tios, primos, irmãos, amigos, vizinhos, professores ou cuidadores, a música, as brincadeiras, o ambiente, a paz, a calma, o lápis, o papel, os livros, as histórias, a dança, a fruta, os alimentos, o afeto, a atenção, a casa, a natureza, o grupo de apoio, a oportunidade de estudo, o encorajamento, o treinamento, o amor e todo saldo positivo da infância e da adolescência.

Também não nos tornamos respeitosos pela permissividade ou porque passaram a mão na nossa cabeça diante de uma falha, mas sim porque nos guiaram e nos ofereceram margens para agirmos diferente. Somos bons pelo limite gentil e pelo respeito que recebemos de alguém em algum momento. O bem que recebemos é que nos permite oferecer o bem também aos outros. Não foi pelo pior, foi pela chance que tivemos de sermos nossa melhor versão.

ANDREA FERRARA é advogada, pedagoga e consultora em educação.

COMENTÁRIOS

  • Jessé de Araújo

    Acreditar, sempre! Acreditar é fundamental

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  • LílIan Miranda

    Perfeito! 👏

    Responder
  • Maria Helena

    Seu texto, excelente por sinal, vem de encontro com o que eu acredito. Uma educação ressignificada cria nossos cidadãos pata um novo mundo. Parabéns amiga!

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