A solidão e o anonimato nas grandes cidades

  • TEXTO Bianca de Sá Azeredo Alvarez
  • DATA: 07/09/2020

A cidade pode ser um lugar de comunhão e acolhimento. Quando abraçamos espaços para nos conectar ao desconhecido, portas se abrem para um universo de transformações e surpresas no nosso cotidiano

 

Após dois meses no interior do Rio de Janeiro, ficaram muito nítidos pra mim os contrastes entre a sociedades urbana e rural, principalmente no campo das relações humanas. Numa manhã de passeio, minha filha cumprimenta uma senhora que passa por nós, pergunto quem é, e ela diz “Ué, não sei”! Por lá é costumeiro todos se falarem, mas nesse dia, em especial, minha filha expressou tamanha convicção e familiaridade, que parecia realmente conhecê-la.

Breves encontros como esses, decerto, nos possibilitam a compreensão do outro. Enxergamos as complexidades e subjetividades que todos carregam em si. Esse período no campo repercutiu profundamente em mim, desatando reflexões sobre o que torna a metrópole, por vezes, um lugar tão frio e alheio. Somos milhões compartilhando da mesma solidão. Vivemos anonimamente, sem nunca saber quem são os nossos vizinhos.

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As cidades podem ser lugares intimidadores, onde a vida humana perde o sentido em razão do crescente individualismo. São tempos nervosos. Nas ruas, estranhos apressados rumo ao seu destino sempre na ânsia de não serem importunados ao longo do caminho.

Lugar de comunhão

Estamos tão perdidos na aceleração do dia a dia, mergulhados em nós mesmos, nas nossas vidas e afazeres que perdemos o interesse pelo próximo. Então, adotamos uma atitude de reserva.

O sociólogo alemão Georg Simmel chama esse fenômeno de atitude blasé. “Essa atitude é consequência do homem urbano ser massacrado por um turbilhão de estímulos ou acontecimentos cotidianos, aos quais depois de certo tempo deixa de reagir, sofrendo uma espécie de anestesia, que faz com que ele não se espante com nada, tenha uma atitude distanciada, um embrutecimento produzido pelo excesso de estímulos nervosos”.

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A sociedade existe a partir de interações, devemos buscar uma forma de organização que possibilite mais o convívio. A cidade pode ser um lugar de comunhão e acolhimento. Quando abraçamos espaços para nos conectar ao desconhecido, portas se abrem para um universo de transformações e surpresas no nosso cotidiano. Ao deixarmos de nos cercar apenas do que nos é familiar, mudamos a nossa perspectiva, e viabilizamos nossa existência enquanto indivíduos.


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