Um sonho brasileiro

  • DATA: 15/06/2015

Foi em 2001,  aos 23 anos, que a missão de vida de Tine se revelou para ela, no último ano da faculdade de Economia. Ela nasceu na Noruega, o melhor país do mundo para se viver, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Por lá, ela poderia seguir a profissão do pai, que é funcionário de um banco, ou tocar a joalheria da família, onde trabalhava desde a adolescência. Mas o sonho da jovem norueguesa estava aqui no Brasil, a milhares de quilômetros de suas origens. Tine Andressen dirige a Associação Projeto Esperança Criança e Família, uma oNg que atende 89 crianças em Taubaté, interior de São Paulo. A iniciativa oferece reforço escolar, aulas de computação, artes, esporte, idiomas, discute sexualidade e drogas e também dá apoio psicológico aos estudantes e familiares. “Queria fazer diferença na vida delas, oferecer um sonho para as crianças. Porque quando cheguei, era muito triste vê-las sem perspectivas”, conta. Em 2001, Tine esteve no Brasil pela primeira vez, durante duas semanas, para acompanhar o trabalho de um pesquisador norueguês sobre crianças de rua em São Paulo. “Quando voltei para a Noruega, vi que não tinha nada pra ser feito lá, tudo era perfeito. Eu não podia viver bem sabendo que tantos meninos e meninas precisavam de ajuda aqui.” No ano seguinte, passou dois meses em Salvador para aprender português e depois foi voluntária em um orfanato, em Mogi das Cruzes. Em 2003, a decisão final: ficar e fundar seu projeto. Pegou dinheiro emprestado e comprou um sítio em Taubaté. Tine ainda retornou à Noruega para fazer um caixa – trabalhou sete meses numa plataforma de petróleo e angariou fundos junto a doadores. A ONG abriu as portas em novembro de 2003, com apenas oito crianças. Hoje, há fila de espera por uma vaga. Tine tem 12 funcionários e um custo mensal de R$ 25 mil para manter o trabalho. Mas a recompensa é enorme. “Muitas pessoas me dizem que eu teria uma vida melhor na Noruega. Mas vivo melhor aqui. Faço o que eu gosto, tenho o amor das crianças e a sensação de fazer um pouquinho por elas”, diz.

“Muita gente diz que na Noruega eu teria uma vida melhor. Mas sou feliz aqui” – Tine Andressen


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