Correndo pela cidade

  • DATA: 29/06/2015

Correr na rua é modo de dizer. Na verdade, foi na calçada. Sempre vi com simpatia corredores que passavam por mim pelas calçadas da Avenida Paulista, em São Paulo, munidos de short, tênis e fones de ouvido. Mesmo vendo, duvidava: “Será que dá mesmo para correr na rua” Para o consultor esportivo Fabio Saba, mestre em educação física pela USP, sim, dá. “O ideal é começar gradualmente.” Isso vale tanto para quem começa do zero, “de passadas rápidas a corridinhas de poucos minutos”, como para aqueles que, como eu, já correm na esteira ou em parques e querem partir para a rua. Nesse caso, o ideal é correr na rua só uma vez por semana a princípio e ir aumentando a frequência aos poucos. Se você está sedentário há algum tempo, o mais indicado é consultar um médico antes. É que essa modalidade pode ser muito desafiadora. Esteiras costumam ser equipadas com amortecedores e podem ter a altura regulada. Na rua, o trajeto tende a ser mais variado, com subidas e descidas. Outro cuidado importante é com o trânsito. Você tem que dar uma paradinha para olhar para os lados a cada vez que atravessa a via – na faixa. Enquanto espera, pode correr sem sair do lugar, para não perder o pique.  Escolhi um bairro vizinho ao meu, mais residencial, e optei também pelo período da tarde, por volta das 16h, para uma experiência mais tranquila.  Depois de caminhar apressado por dez minutos, comecei a correr devagar, o que Fabio Saba chamaria de trote leve. Como sou disciplinado ao atravessar a rua, eu me permiti usar fones. Na trilha, um flashback animadinho, com sucessos do Blondie. Funcionou como motivação. Correr pela cidade dá uma sensação gostosa: era como se eu fosse um bicho da selva urbana. Precisei me esquivar de pessoas, esperar o momento certo de atravessar a rua e me desviar de trechos em reforma. Mas podia sentir o coração bater mais rápido, o que me enchia de entusiasmo e suor. Passei por prédios em que nunca havia reparado, lojas que não conhecia, muitas pessoas e outros tantos cachorrinhos. Depois de meia hora, metade do tempo que permaneço em uma esteira, estava exausto. Com o tempo, quero expandir a duração e o trajeto. Sei que é preciso disciplina e paciência, mas, ah, posso correr atrás disso.


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