Pais que tudo fazem

  • DATA: 07/02/2020

Ensinar um filho a viver é também abrir espaço para que ele erre, caia, se dê mal, sem colocar anteparos para isso

 

– Mãe, você precisa assinar minha agenda. Esqueci de fazer a tarefa. Não tinha onde anotar e esqueci. A professora disse que você pode baixar um aplicativo para acompanhar as tarefas de casa.

– João, sua tarefa não é minha responsabilidade e não vou baixar esse aplicativo. Se você não lembra de anotar na agenda, vai ter que entender as consequências disso. 

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Recentemente, nos Estados Unidos, alguns pais foram acusados de fraudar o esquema da entrada dos filhos em universidades de prestígio, como Yale e Stanford. Eles pagaram um consultor para falsificar documentos com notas e boas performances acadêmicas dos filhos, além de participação em esportes que nunca fizeram. A verdade é que, quando nos acostumamos a resolver os problemas dos filhos, entramos em um looping infinito para ajudar. 

Como ganhar confiança?

Deixo aqui minha primeira questão: se as crianças não aprenderem a fazer as coisas sozinhos, errando, se frustrando, como vão ganhar confiança nas suas capacidades? Como vão reconhecer valor no que fazem? 

Esse fato não é algo isolado e essas atitudes acontecem diariamente. São pais e mães que acreditam que estão fazendo o melhor e, timidamente, perguntam no grupo do WhatsApp qual a página da lição porque Valentina não anotou, pintam o projeto de ciências para Isadora tirar uma boa nota. A gente pode continuar cobrindo os erros e as frustrações dos pequenos ou pode escolher e ver a vida os transformando em criaturas responsáveis e colaborativas. A gente pode ficar limpando os trilhos para não se sujarem ou pode curar nossas faltas e buracos emocionais com terapia, em vez de ficar repassando isso para frente. Podemos fazer tão melhor por eles, mas teima em fazer o mais fácil. Até quando?

 

Lua Barros é educadora parental e mãe de quatro filhos, mas também consegue ser outras  coisas quando sobra tempo. @luabarrosf


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Como lidar com a ansiedade: Acolher as angústias e entender que a responsabilidade por ficar bem não é só nossa trazem menos culpa e mais liberdade



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