O que aprendi com a morte do meu pai

  • TEXTO Ana Signorini
  • DATA: 27/01/2020

Saber conviver com a finitude é entender que o dia a dia precisa ser intenso e amoroso sempre. O processo de luto não é fácil, mas olhar para a dor faz parte do caminho

 

Há duas semanas, minha mãe telefonou e disse: “Papai está morrendo”. Voei para o armário, coloquei uma roupa e falei para o Chico, meu marido: “Meu pai tá morrendo. Vem me encontrar o mais rápido possível. Não se desespera, por causa das meninas”. Já no táxi, pedi: “Moço, pode ir bem rápido? É que meu pai está passando mal”. Desci na Urca (bairro carioca) e corri na rua. Corri mesmo, como já vinha fazendo nos últimos 40 dias. Corri sem saber o que iria encontrar, com o coração disparado. A cuidadora abriu a porta. Havia nove dias meu pai estava em casa e precisava de cuidadoras durante 24 horas. Entrando, ouvi minha mãe dizer: “Aqui está a meia para botar nele”. Meu pai estava sem cor e com a boca aberta. Perguntei: “Mãe, ele ainda tá aqui?”. E ela respondeu com tristeza e uma leve irritação: “Papai morreu, Ana”.

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Não explodi em lágrimas, não me desesperei, pensei nas meias que a cuidadora estava vestindo nele. Passei minha mão no braço dele e segurei sua mão, como fazia quando o visitava. Lembrei que sempre antes de ir embora, eu falava “te amo” e olhava firme para ele na tentativa de gravar seu rosto e nunca mais perder. Meu pai morreu em casa, na cama dele, olhando para a estante de livros e para algumas fotos nossas. Mais cedo, no dia em que morreu, comentei com ele e com a cuidadora: “Quando eu era criança e ficava doente, vinha pra essa cama, ficava olhando pra esses livros”. Depois minha mãe relatou exatamente como foi. Dando a mão para ela, tomando uma sopa, uma ânsia de vômito, o rosto que mudou de cor.

Não sei se é melhor morrer em casa ou no hospital. Nos dias em que visitei meu pai em casa, fiquei feliz em vê-lo ali, com os barulhos de sempre e sem os bip-bips assustadores do CTI. Esperando o ônibus em frente ao prédio, um dia, ouvi um bebê chorar no primeiro andar e pensei no meu pai doente, no quinto.

Chegadas e partidas

Por um minuto a vida fez sentido, em seu ciclo de chegadas e partidas. Mas, em casa, estamos à frente de tudo: gotas de remédio, troca de fraldas e lençóis, pratos de sopa. Ao mesmo tempo, no hospital, eu certamente não teria ficado tão próxima dele. E foi em casa, também, que vi que a morte não é algo distante, uma história que nos contam, uma cena qualquer de um filme. Meu pai estava quente quando passei a mão no braço dele, e frio e com a ponta dos dedos arroxeando quando eu e Chico nos despedimos.

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Na quarta-feira em que meu pai morreu, resolvi vê-lo na hora do almoço. Mandei uma mensagem para meu irmão, que mora do outro lado do mundo, dizendo que estava com medo. Ele respondeu: “Não fique com medo”. E eu fui com um pouco de coragem.

Quando cheguei, meu pai estava deitado, a respiração ofegante e barulhenta. O pior de tudo é que não conseguia falar. Três dias antes havia tido um AVC, que comprometeu o movimento do lado direito e a fala. Meu pai sem falar não dá, porque comecei a falar por ele. A janela do quarto estava aberta e ventava. Falei: “Pai, vou fechar um pouco a janela”. Ele me olhou. Continuei falando: “Pai, estou falando com o Joca (irmão), ele disse que te ama”. Ele sorriu e assentiu com os olhos. Depois os fechou para descansar e tirei uma foto dele. Mandei para meu irmão: “Papai ia me matar se soubesse que tirei essa foto”. Ele abriu novamente os olhos e falei: “Pai, tá muito ruim?”. Ele fez um olhar contrariado, meio conformado, meio “tá uma merda”, e moveu um pouco a mão esquerda para cima, num gesto tipicamente seu. Falei: “Pai, acho que o tempo vai mudar, tá ventando bastante lá fora”.

A cuidadora estava de pé, em frente a uma mesinha que antes apoiava o computador e agora abrigava uma infinidade de remédios e materiais para curativos. Ela não saía dali. Falei: “Pode ir almoçar, que fico com ele”. Ela saiu, mas voltou logo. Esperei meu pai comer para voltar ao trabalho. Fiquei uma hora com ele, e essa agora me parece ter sido a decisão mais sábia que fiz nos últimos tempos. Antes de ir embora, falei: “Chico vem aqui no sábado. As meninas estão bem. Te amo”. Ele assentiu com os olhos. Olhei para ele para gravar, novamente, o rosto dele na minha cabeça e fui embora.

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Tempo verbal passado

O resto do dia foi de agonia, os últimos 49 dias haviam sido de agonia. No hospital, meu pai passou por diversas fases e tive bons momentos com ele. No CTI, quando ele filosofou sobre a vida. Já no quarto, quando disse a ele que estava cansada e não ia fazer nada que ele me pedisse, só ia deitar no sofá ao lado dele. Fiquei olhando para fora da janela pensando que estávamos num avião. Nos momentos de idas e vindas do CTI quando meu pai falou coisas engraçadas sobre pastilhas Valda, soro para o nariz e quando perguntou por que é que meu irmão estava usando a expressão “óquei” para tudo. Eu me emocionei em todos os momentos em que estive ao seu lado.

Meu pai era um paciente difícil. Foi entubado, arrancou o tubo no meio da noite. Precisava usar máscara de ventilação, se recusava e exigia tirar. Colocou um acesso profundo, arrancou esse também e precisou levar pontos. Amarraram as mãos dele na cama, minha mãe desamarrou. “Vigiar e punir”, ela disse algumas vezes sobre o tempo passado no hospital.

Meu pai não sabia bem o que estava fazendo ali, mas esse era ele e sempre será. Aliás, desde quarta-feira à noite, precisei aprender a usar o tempo verbal passado para falar sobre ele. Papai gostava. Papai era. Pai fazia. Depois de ir para casa, quando já tinha me despedido dele, mandei uma mensagem para minha tia, que estava com minha mãe,  perguntando: “Meu pai ainda está aí?”. E ela respondeu: “Já levaram o corpo”. Isso doeu. Meu irmão me aconselhou: “Não pense que a vida é um filme de terror. Não é”.

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Saudades

Sinto saudades do meu pai e gostaria de discutir com ele questões sobre a vida e a morte. Quem vai me dizer justo o oposto do que eu espero ouvir? Quem vai falar coisas doidas e verdadeiras? Alguém vai me mostrar o caminho certo com linhas tortas? No dia em que ele foi cremado, levantei da cama sentindo uma tristeza profunda. Como acordar num mundo em que meu pai não está mais presente? Só ele mesmo poderia responder a essas perguntas. Provavelmente, ele diria algo como: “Você vai dar conta do recado, morrer faz parte da vida”.

O cemitério pareceu um lugar mais agradável do que eu esperava. O Caju tem um jardim bem cuidado. E meu pai adorava jardins. Na hora de o levarem para a fila de cremação, fomos andando atrás. Minha família não gosta de solenidades ou rituais, mas este mostrou sua importância pra mim. Andando atrás do caixão, notei uma etiqueta com o nome dele impresso.

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Tantas vezes vi o nome do meu pai escrito, tantas vezes ele assinou no papel, nas telas de suas pinturas. Meus pais não se casaram. Viveram uma grande história de amor. Um dia, falei para minha mãe na porta do hospital: “Mãe, quando o amor é intenso, a dor é intensa também”. E, então, aquela etiquetinha colada no caixão pareceu simples, modesta, digitada e impressa por alguém sentado numa salinha refrigerada. O moço que veio tirar o caixão para levá-lo era baixinho e humilde. Meu irmão mais velho o ajudou, segurando na alça com vontade, e achei o gesto bonito. Do jeito que meu pai sempre falava: “O mais simples é sempre o mais sofisticado”.

Tempos depois, mexendo nos documentos dele, encontrei seus trabalhos escritos, vi que fez estágio em um manicômio judiciário, trabalhou em casa de saúde mental, consultório. Olhei seu diploma azul de medicina, encontrei a oferta de estágio na França que ele recusou, porque minha mãe estava grávida do meu irmão. Passei diversas vezes os olhos por algumas fotos dele criança, com a mãe e o irmão. Li bilhetes frugais que meu avô escreveu para ele. Me vi por muitos momentos apreciando os quadros de sua autoria, muitos pendurados na casa dele e alguns na minha. E, principalmente, após sua morte, eu me pegava pensando no meu pai e na psicanálise, e em todas as conversas que tivemos. Ser aberto, ser honesto, ser verdadeiro amar, odiar, viver e morrer. Ter a coragem de ser quem se é. Meu pai sempre dizia: “A morte revela a vida”, mas, para mim, estava sendo difícil.

Vai daí

Hoje recordo, com frequência, as conversas que tínhamos, principalmente quando meu pai estava internado no hospital. Ele gostava de falar sobre as coisas da vida: o amor, a amizade e a criatividade; sua identificação com as pessoas mais humildes, o porteiro, o feirante, o mendigo; e a família que conquistou. Falou sobre minha mãe e o amor infinito que sente por ela – apesar disso, durante esse tempo no hospital, ele brigou muito com ela. Perguntou por que ninguém ali sabia quem era o meu irmão atleta. Falou para eu cuidar do Chico. Questionou se nunca mais ia ver as netinhas. Disse a um enfermeiro que eu tinha 35 anos e nenhuma cárie. Disse que eu estava bonita. Chateou  meus irmãos e procurou por eles.

Não quero escrever um texto de conclusão, quero escrever textos para minhas filhas acharem quando eu já não estiver aqui. Ainda penso que meu pai vai voltar, reclamando e perguntando o que é que fizemos com ele, dizendo que ele não precisa de hospital e que médico não sabe nada. Olho no espelho e vejo meu pai em mim. No nariz, nas pintas pelo corpo, na força de uma estrutura óssea grande e pesada. Na força de quem contradisse todos os prognósticos médicos e melhorou quando era para piorar, e piorou quando era para melhorar.

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Meu pai e a liberdade de ser quem se é. Meu pai e suas limitações. Ele me mostrando que a vida é o que ela é. Em um e-mail para mim meu pai diz: “Não queria me transformar em um pangaré alquebrado, que estaria dentro dos padrões, dos ditos mais civilizados. Sempre lutei para me tornar livre e ao mesmo tempo comprometido com a vida e com aquilo que os poetas chamam de Amor. Afinal, fiz assim. Sempre lutei por uma educação completa da vida. Vai daí, que é a isso que chamo de ‘dever cumprido’. A sensação de que não está faltando nada”. Te amo, pai.

Ana Signorini mora no Rio de Janeiro e escreveu esse texto como parte do seu processo de luto e, assim, continuar a viver intensamente.


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COMENTÁRIOS

  • Pedro Oliveira Neves

    Ana, seu pai está presente, não apenas nos seus traços. Ele é parte integrante do seu ser. E isto é maravilhoso. Assim como aconteceu com vc, meu querido pai está partindo, após um AVC. E sua história me ajudou muito. Obrigado, Ana Signorini

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    • Vida Simples

      Que bom, Pedro. E que você esteja bem agora. Um forte abraço de toda a nossa equipe 🙂

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  • Anderson

    Tocante! Meu Pai se foi hoje pela manhã !

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    • Vida Simples

      Poxa, Anderson! Que você se sinta acolhido nesse momento… Desejamos muito força à você e seus familiares!

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    • Márcia

      Os meus se foram um atrás do outro,no natal passado a mesa estava repleta,como a vida se acaba num click,como tudo fica tão bobo diante da morte Até hoje 8 meses da morte dele e 10 meses da morte de minha mãe ainda acho que ele vai falar com aquele vozeirão, Café café ele pedia sempre,desculpe o desabafo sou solidária em sua dor

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      • Vida Simples

        Sua solidariedade nos comove, Márcia!

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  • Nelson Valério

    Amei com a narrativa dessa brilhante filha. Viajei no tempo. Parabéns pelo carinho, afeto, um exemplo de filha.

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    • Vida Simples

      Que bom que gostou, Nelson! Essas oportunidades espontâneas de saborear tempos passados às vezes são valiosas, né?!

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  • Maisa

    Meu papai se foi no último dia 03, subitamente, sem dor, sem sofrimento. Sou tão grata por isso! Mas a saudade é sufocante e a ideia é realidade que não posso tocar, beijar, dizer eu te amo como sempre fiz é terrível. Agora é viver o luto e pedir a DEUS muita sabedoria para enfrentar tudo isso.

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    • Vida Simples

      Você terá, Maisa! Um forte abraço para você. Entendemos como é essa dor 🤗🤗🤗

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  • Márcia

    Eu leio os relatos e me sinto acolhida em minha dor, procurando viver a vida intensamente sem desespero e com a cabeça no lugar.Nunca pensei que iria me despedir tão cedo dos meus pais,foram duas difíceis com a doença de minha mãe e depois inacreditável que um homem saudável como o meu pai tenha morrido logo depois de saudades dela,muito estanho de repente vc se ver sem referência de pai e de mãe,procuro seguir em frente deixando a saudade de transpor a dor.❣️🌹

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    • Vida Simples

      Que bom, Márcia! Ficamos felizes que tenha transformado a sua dor em saudade. As pessoas que amamos sempre estarão vivas dentro da gente, né? 🥰

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  • Ivonete

    Hoje sinto que estou preparada , caso meu pai venha a falecer…sei tbm que vai doer e terei muita saudade , meu pai tem 91 anos ,eu tenho 57 sou a caçula, sempre estive perto dos meus pais a minha vida toda… não imagino como será ficar sem a presença da pessoa forte que é meu pai…

    Responder
    • Vida Simples

      Nossa dica: não viva isso agora. Agora, aproveite o seu paizinho 🥰

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  • Aline

    Maravilhoso texto, vim procurar um conforto nesse exato momento vejo meu pai definhar em uma cama em consequência de um AVC também, o corpo está aqui, ele fala mas não é mais ele. Uma parte dele já se foi e não volta mais, como é difícil vê-lo partir aos poucos e sofrer, dependente dos outros para fazer tudo para ele. Me identifiquei tanto quando li “papai era”…. Meu pai era tão sábio, meu amigo e conselheiro homem de fé, honesto e trabalhador que saudade do meu pai, que já se foi e não volta mais, o que está aqui agora comigo na minha casa é só o corpo dele, a mente não é a mais a dele, nem de mim ele lembra mais que sou a filha…. Força para vc que Deus conforte o seu coração, força para nós é tão difícil perder alguém que amamos assim aos poucos, ver meu pai sofrendo é a pior coisa que já vi em toda minha vida, parece um pesadelo sem fim 😭

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    • Vida Simples

      Imaginamos, Aline. E desejamos muita serenidade e afeto para enfrentar esse momento.
      Fique bem. Cuide do seu pai e cuide de você também. Forte abraço 🤗

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  • Luciana

    Gostei muito da sua história e sinto um certo conforto em ver que temos que aprender a lidar, aceitar e a conviver com a morte. Meu pai estava com cancêr. Descobriu em 2019 e tratou até dezembro de 2021. Foi tão dolorido e difícil. Eu estive desde o primeiro dia até o ultimo dia com ele. Lembro dele dizendo ” se não fosse você filha, me levando, acompanhando e estando comigo, eu já teria desistido”. Eu fico feliz quando lembro dessas palavras dele, sinto que fiz o que eu poderia ter feito. Ele lutou tanto, foi tão guerreiro. Sua maior qualidade era ser um homem forte em todos os sentidos. Trabalhador, certo e completamente organizado com tudo, lutou pela vida até o último segundo. Embora sempre tenha sido um homem muito bravo com as ideias da ” idade da pedra” e cabeça dura, ele era um super pai, avô e marido, com o coração tão puro e bom..Amanha irá fazer quatro meses que ele se foi.. ao invés de melhorar a minha saudade e eu conseguir conviver com essa perda, só piora.. porque a sensação que eu tenho é que ele irá voltar de “viagem”. Porém, ele não vai voltar e saber disso doí tanto mais tanto.. sinto muita saudade dele e eu amo muito ele, sempre estará no meu coração papai

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    • Vida Simples

      Oi, Luciana! Esse é um momento desafiador. Não se pressione para superar a perda. Ela virá com o tempo e quando tiver que vir. Um forte abraço para você e toda sua família!

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