Uma casa para os sentidos

  • Clô Azevedo

Provocar os seus sentidos em direção a essa expansão é essencial, portanto, enxergue, ouça, use seu tato, sinta o cheiro, cultive seus sabores

 

Uma casa pode revelar toda a amplitude de nossas posses, porém revela também o tamanho de nossas intenções em relação a ela. Nossa vivência é paralela e o fato de nos incomodarmos com nossas bagunças ou falta de conexão, demonstra manifestação de sua existência. Contudo, podemos ainda espalhar por ela pedacinhos de beleza para nos fascinar e estimular nossos sentidos, fazendo com que as coisas ao nosso redor funcionem muito bem juntas. Portanto, trabalhar primordialmente esse movimento de bem-estar através de nossos sentidos físicos acaba sendo fundamental para essa troca.

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As formas, as cores, o som, texturas, cheiro, sabor e todas as coisas vivas que crescem ao nosso redor em casa nos inspiram com a ideia de preencher o lugar de nós mesmos, trazendo a possibilidade de oferecer cuidados a um espaço sobretudo para que ele reverta em estímulo para nossos sentidos.

Como sua casa é para você?

Como sua casa visualmente se revela para você? Em cores vivas ou tons mais neutros? São cores que te trazem a vontade de se aconchegar nelas? Cor é luz! E observar qual hora do dia essa luz natural percorre por suas  paredes coloridas formando sombras e profundidades, certamente te ajudará no propósito de te causar felicidade.

Colocar uma música que te agrada, ou ouvir a sinfonia da natureza, pode inverter o ânimo do seu dia. É bom presentearmos a nós mesmos com uma melodia que nos toca o coração. Tatear nossas lembranças, como um tecido macio que a gente passa a mão, ou praticar o olfato comunicando ao nosso cérebro de onde  vem aquele cheiro intimamente cheio de memória, colabora para trazer vida ao seu mundo pessoal.

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Sua casa pode ser aconchegante ou super lotada de coisas, rica em sonhos ou estar sem sabores como um jardim sem cultivo, entretanto, você gosta do que vê?

Podemos potencializar a energia da nossa casa para alimentar a nossa alma misturando no seu interior coisas que a gente gosta, ou reflitam quem a gente é. Salpicar nossos espaços com provas da nossa existência, ajuda a nos conectar melhor com nossas casas fazendo-as se parecerem conosco, trazendo uma sensação de reconhecimento quando enxergamos nossos sentimentos expostos ali temperados através dos livros, da arte, dos objetos e de nossas memórias.

Nossa casa, nosso templo

A casa é nosso templo, nossos sentidos, nosso instrumento regulador. Ela possui remédios para todas as nossas dores, carrega nossas histórias, sonhos e palavras. Ela é tanto quem conduz, quanto o lugar que a gente quer chegar. São idéias, sentimentos, impulsos e recordações, portanto não podemos deixá-la esquecida por muito tempo. É ela que nos acolhe e nos mantém vivos ao mesmo tempo que carrega nossas emoções e pensamentos.

Não existem casas iguais, assim como não existem pessoas iguais. A percepção do seu estilo surge quando você aceita a si mesmo. Ele é resultado da expressão das coisas escolhidas com carinho por você e dispostas de maneira confortável ao redor de sua casa impulsionando seus sentidos. E essa auto expressão é definida de acordo com o momento presente que estamos vivendo. Entendemos nossos objetivos quando aceitamos a nós mesmos, e o resultado disso trará sua autenticidade.

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Quando alimentamos nossa casa com as coisas que a gente quer e acredita, inversamente ela garante a expansão dos nossos propósitos através de nossos sentidos em relação a tudo isso.

Provocar os seus sentidos em direção a essa expansão é essencial, portanto, enxergue, ouça, use seu tato, sinta o cheiro, cultive seus sabores, é preciso viver em harmonia com seus sentidos para que sua casa se torne um verdadeiro lar.

 

Clô Azevedo é arquiteta e acredita que a casa é uma extensão das vidas que a habitam. Desenvolve projetos de design de interiores afetivos para conectar pessoas com suas histórias, inspirando a reinventar seu próprio espaço, morar bem e viver melhor. Seu site é designafetivo.com.

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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