Transição é exploração de interesses: quais são os seus?

  • Juliana De Mari
  • FOTOGRAFIA: Istock

Muita gente que está em transição de carreira (e muitas pessoas estão atualmente, por desejo ou por necessidade) sofre porque não tem clareza do caminho a seguir a partir do ponto de embatucação, aquele lugar em que a gente paralisa, tudo incomoda e não há mais sentido em fazer o que a gente sempre fez e nenhuma garantia do que vai dar certo.

Posso falar do assunto porque vivi essa angústia três anos atrás, quando comecei a me sentir inquieta com o jornalismo, minha área de atuação por mais de duas décadas, e percebi que precisava encontrar uma nova atividade “urgentemente”. Não foi assim que aconteceu, claro. Levou um bom tempo até eu decidir explorar, sem nenhuma certeza do que ia dar, assuntos que me interessavam – e aí, sim, deparar com a formação em coaching como oportunidade de um novo encaminhamento profissional.

Outro dia, ao folhear o ótimo livro “Roube como um artista”, do Austin Kleon, vi uma passagem que propõe um maior gasto de tempo com as coisas que a gente ama fazer só por fazer, mesmo que sejam diferentes entre si. Todas as coisas que fazem você se sentir energizada, depois que você as realiza, valem a pena a sua atenção. Não é perda de tempo cultivar seus hobbies ou projetos paralelos, portanto. Não é inútil dar asas aos seus interesses mais genuínos. Este é um exercício saudável de se manter em contato com o que ressoa positivamente na sua criatividade e no seu bem-estar! E estar de bem com você mesma é uma vantagem significativa em qualquer momento de mudança de vida, desejado ou inesperado.

Agora, vamos deixar claro: seus hobbies devem ser abraçados como fonte de prazer que são – não necessariamente vão virar sua fonte de renda. Eles podem até virar, podem ser um caminho a ser explorado na transição profissional, mas não devem ser “A” opção em contraponto a um trabalho que já não está mais gerando satisfação. Temos sido fortemente influenciadas pela ideia do “faça o que ama e não tenha mais que trabalhar” e ela pode ser perigosa porque parece que basta sentir prazer no que faz que tudo vai ficar fácil.

Lamento dizer que, na vida real, não existe esse estado de flow absoluto, sem compromisso com o seu desenvolvimento e o seu resultado, sem algum (ou muito) esforço ou sem qualquer chateação. Quando um hobbie vira trabalho, o senso de propósito pode ser elevadíssimo, mas algumas chatices vão continuar existindo, como em qualquer outra situação.

Precisamos liberar espaço na nossa vida para o prazer entrar simplesmente porque sim!, despretensiosamente, antes da embatucação chegar. Não porque ele tenha que ter uma finalidade específica, intelectual e produtiva, e porque tenha que dar “alguma grana”. Seus hobbies e suas paixões têm cabimento porque são parte do que abastece você de você e, certamente, isso amplia o seu repertório criativo e a chance que você tem de fazer relações mais interessantes entre o que aprendeu a fazer durante a sua trajetória até agora e o que decidiu fazer “por fora”.

A opção de um dos seus projetos paralelos ou hobbies se transformar em caminho profissional vai acontecer naturalmente, à medida em que você se expõe ao assunto e encontra pessoas e referências que enriquecem as suas experiências e apontam uma nova possibilidade, concreta e viável, um jeito diferente de se relacionar com o que antes parecia pura brincadeira. Transição é exploração e pede experimentação. Observe os seus interesses com mais curiosidade!

 

Ju De Mari é uma jornalista que virou coach para mulheres na PROSA Coaching. Pratica singelezas como forma de se relacionar com a vida de maneira mais criativa. Adora flores e fotografia, tem dois filhos e raízes no frevo pernambucano. Nesta coluna mensal, compartilha reflexões sobre transição de carreira e de estilo de vida para inspirar pequenas revoluções possíveis e práticas.   


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