Tecnologia para a geração Z

  • Fabio Gandour
  • FOTOGRAFIA: Halfpoint | IStock

Tecnologia só se justifica se estiver a serviço das pessoas. Construí esta bandeira há muitos anos e na medida que o tempo passa, me convenço, cada vez mais, de que é assim que deve ser. Agora, para a geração Z. 

Sou um baby boomer. Para quem não conhece essa história de classificação de gerações, vale dizer que ela começou há muito tempo, mas foi organizada por Hans Jaeger, em 1977. Os nomes de cada grupo são inspirados em fatos que ocorreram ao longo da história, como o aumento da natalidade que aconteceu após a segunda guerra mundial. É desta explosão de bebês, um baby boom, que vem a expressão baby boomer, usada para definir quem nasceu entre 1946 e 1964. Hoje, esta multidão está na faixa entre os quase 60 e quase 80 anos.

Os baby boomers viveram outra explosão, a da tecnologia, que mudou muito a vida das pessoas. Transporte, comunicação, roupas, alimentação e, principalmente, o comportamento, sofreram grande influência das tecnologias que foram surgindo. Foi no auge desta segunda explosão que entrei no mundo da tecnologia, passando na porta aberta pela informática.

geração Z

Crédito: Alexander Shatov | Unsplash

Dentro do tech boom, notei que as tecnologias — principalmente as novas — exerciam um fascínio nas pessoas. Esta sedução ficou ainda mais evidente com a popularização da telefonia celular. Confesso aqui que eu mesmo me entreguei ao sedutor canto de sereia de um novo celular que custou muito.

Contudo, cumpriu pouco as promessas feitas pelo marketing do fabricante. Foi também aí que notei que para serem válidas e para gerar real valor, as tecnologias precisam estar a serviço das pessoas. Esta percepção virou uma bandeira, que carrego e confio desde o final dos anos 80. Foi ela que me orientou na profissão e se transformou numa certa marca registrada da minha atividade pessoal.    

Tecnologia e comportamentos

Depois dos baby boomers, vieram outras gerações. A geração X, a dos millenials e a mais atual, geração Z, dos nascidos entre 1997 e 2012. Embora já se fale em uma próxima que tem até nome, a geração alfa.

Como um devoto da tecnologia com a preocupação constante em colocá-la a serviço das pessoas, cedo percebi que um fator determinante dos comportamentos de cada uma destas tribos, é a tecnologia que se populariza nas suas vidas diárias. A televisão e a possibilidade de ouvir música sem ter que ficar parado ao lado de um rádio ou de uma vitrola – palavra antiga esta – moldaram muito o comportamento dos baby boomers. E criou novos valores como a marca das coisas. A geração X viveu a popularização da telefonia celular e começou o movimento de se comunicar por email.

Geração Z

Dessa forma, os millenials se agregaram em grupos e sub-grupos no Facebook para, em seguida, iniciar uma onda bem questionável de valorização da auto-imagem através do Instagram. Esse comportamento moveu a indústria na direção de atender todas estas necessidades através dos aplicativos, os conhecidos apps. Um verdadeiro app boom!

geração Z

Crédito: Amanda Vick | Unsplash

Agora, assistimos a geração Z buscando uma forma de se expressar, ter sua identidade e se livrar de anúncios outra vez. Mas não só de anúncios os genzeers querem se livrar. Eles não toleram a cultura selfish e muito menos mentiras em qualquer formato, incluindo fake news. Com esse vínculo com o que é verdadeiro e com um alto grau de digitalização, talvez sejam os genzeers que irão separar o que é real do que é virtual. E talvez esse comportamento tão típico seja o grande responsável pela explosão do TikTok no Brasil, que em um click, já ultrapassou a marca de 7 milhões de usuários. 

Nova tribo no horizonte

Entretanto, a observação do comportamento dos genzeers,  moldado ou facilitado pela tecnologia, ainda tem outros atributos que merecem atenção. Eles são coletivos por natureza e a persona que melhor os descreve é multi-tudo. Os gêneros vão além do não-binário pois são multi gêneros. A comunicação vai além do inglês pois são multi línguas. A inclusão vai além de pele e religião pois são adeptos de multi etnias, em cor, credo e até comida. Tudo isto permeia uma forte noção de proteção ambiental e se abriga em um grande guarda-chuvas de sustentabilidade. Os membros da tribo genzeer certamente vai gostar de viver uma vida simples !

Fábio Gandour é formado em Medicina e dedicou-se à pesquisa científica, em um ambiente de alta tecnologia. Aí entendeu que as pessoas moldam a tecnologia mas a tecnologia também molda as pessoas.

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.


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